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    quarta-feira, janeiro 16, 2008
    Aniversário do Dangerous Music!


    Mais um ano que se passa e certos bastardos se recusam a morrer... Como todo bom vaso ruim se recusa a quebrar, o Dangerous Music segue firme e forte na missão que escolheu de escrever sobre música, nunca esquecendo o bom humor e a paixão pela música, sempre se empenhando em melhorar e agradar seu público alvo.

    E mais uma vez, obrigado a todos os que lêem, acompanham, comentam, concordam, discordam e principalmente apóiam. That's what rock and roll is about!

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    posted by billy shears at 12:30 AM | 10 comments

    terça-feira, janeiro 08, 2008
    Algo de Novo No Front - Especial Sulista

    Derivados
    Vinda de Porto Alegre e formada por Maurício Círio nos vocais e guitarra, Roberto Menezes nas guitarras e backing vocal, Pedro Brauner no baixo e Lucas Vitória na bateria, os Derivados levam o nome à sério na hora da composição de suas canções: Rock And Roll, Blues e Pop dos idos tempos constituem a base da maior parte das canções. A temática é variada, indo desde a introspecção dos relacionamentos, caso de "Recepção a Dois" até hinos de exaltação ao estilo mais rebelde da música contemporânea, tal qual "Blues And Roll". Apesar da técnica excelente, a banda não esquece de sua premissa básica: um som de fácil assimilação, direto e de bom gosto. Atualmente, a banda está gravando seu primeiro álbum com o produtor Ticiano Paludo.

    >http://mauriciocirio.blogspot.com/
    _

    Anna Lógica



    Ao contrário da maioria esmagadora das bandas sulistas, o power trio Anna Lógica - formado pelo vocalista e guitarrista Bruno Rosa, o baixista Thiago Suiça e o baterista André Guilherme - não procura os pilares de seu som nos anos sessenta, em viagens psicodélicas ou melodias da british invasion. O lance da banda é de trinta anos depois, as guitarras distorcidas e a cozinha bem trabalhada servindo de suporte para harmonias vocais marcantes e de fácil memorização. A banda já tem um primeiro álbum, auto-intitulado, lançado em 2007, que conta com onze músicas. A banda tem potencial para acertar em cheio no gosto de fãs de bandas como Foo Fighters, Stone Temple Pilots e Audioslave. Influências estas que resplandecem tanto nas guitarradas invocadas de "Psicótica" quanto na balada "Telégrafos na Lua", que poderia ser muito bem o produto final de uma composição em conjunto de Scott Weiland e Dave Grohl. E o melhor: Não soam datados em nenhum momento.

    >www.myspace.com/annalogica
    >http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/annalogica/
    >http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=23770
    >www.youtube.com/watch?v=lEJa1zkdJh8
    >http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2373002
    _
    No News Found


    Com quase 4 anos de existência, a banda No New Found evoluiu rapidamente de banda cover até uma banda com músicas próprias. Guto (Voz e Guitarra), Lucas( Baixo), Marcos (Guitarra) e Leo Hawkins (Bateria) praticam um rock de influências variadas, indo desde riffs pesados e certeiros até solos em vôos quase progressivos, passando por melodias cheirando a indie rock. O resultado final é extremamente bem vindo, e por menos eclético que seja o leitor, o peso de uma música como "Believe It" já é um argumento forte o suficiente para convencer o leitor a dar uma ouvida.

    >www.nonewsfound.com
    >www.myspace.com/nonewsfound
    >www.fotolog.com/nonewsfound
    _
    Fat Pride




    Mais uma filha da cultura do Skate,o Fat Pride tira de bandas como NOFX, Lagwagon e Bad Religion a força motriz para fazer seu som nascer. O resultado é hardcore veloz e furioso, melódico e introspectivo, fazendo jus às outras bandas do gênero e, mesmo com letras pessoais, não caem em chororô barato e autodepreciação desnecessária. "Recomeçar" confirma todas as afirmações feitas até agora, sendo esta um cartão de visitas bastante apresentável. Os apreciadores do gênero, definitivamente, não vão se decepcionar. Na verdade, após os cinco primeiro segundos de música, já imagino pessoas pogando...

    >www.fatpride.com.br
    >www.fotolog.net/fatpridehc
    >www.purevolume.com/fatpride
    >www.myspace.com/fatpride2002
    >www.tramavirtual.com.br/fat_pride

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    posted by billy shears at 5:27 PM | 6 comments

    terça-feira, agosto 28, 2007
    Feios, Sujos e Malvados: O Som de Garagem dos Anos 60


    Um exército de caras vestidos de preto ou usando sempre os mesmos ternos rotos e esfarrapados, em cima de um palco, com instrumentos vagabundos ou feitos em casa com sucata, efeitos fuzz e distorções rugindo da maneira mais cortante o possível e vocalistas gritando ao microfone da mais completa selvageria até a demência mais amedrontadora existente. Protopunks, protopsicodélicos, protometaleiros, protohardroqueiros, e mais um monte de “protos”...

    Essas eram as bandas de garagem dos anos 60. Literalmente centenas de grupos de garotos chapados de anfetamina e ácido lisérgico, com a sonoridade mais tosca o possível, os equipamentos e instrumentos caindo aos pedaços, falta de informação técnica que lhes concedia um talento único e mais uma porrada de dificuldades e limitações fez com que jovens garotos brancos americanos pudessem provar que os moleques ingleses não eram os únicos no mundo. E se na terra da Rainha, mesmo os mais pesados e/ou brutos como The Kinks, The Who e The Troggs viam a luz do sucesso, muitos dos garotos americanos contrariavam suas conservadoras famílias, tocavam para algumas centenas de pessoas, gravavam alguns discos e sumiam nas areias do tempo antes mesmo da década acabar, com seus ex-integrantes rumando para profissões não tão radicais quanto a de músico de rock...

    Mas vamos chutar o leitor para um tempo mais passado ainda. Nos anos 50, um músico e compositor de voz grave e produtividade espantosa chamado Richard Berry, após ganhar o pão nosso de cada dia compondo baladas, teve vontade de fazer algo diferente. A idéia surgiu em 1955, após ouvir o calipso “El Loca Cha Cha” de René Touzet. Então, entre uma sessão e outra que gravava com os artistas de sua gravadora, escreveu uma canção em um guardanapo de papel, um rythm & blues safado, de letra misteriosa, homenageando uma garota que conheceu na beira do cais, e após algum romance, teve que sair de fininho. O nome? “Louie, Louie”.



    Quase dez anos depois, em 1964, uma banda pegou esse sugestivo blues e sem mudar uma palavra na letra, verteu num rock de garagem tosquíssimo e indecente, onde o vocal desafinava excitado seu tesão pela mulherada à beira do cais. Com isso, os Kingsmen transformaram a música no provável maior hino do movimento garageiro americano.

    Ainda na região norte, outros que atraíam as atenções para si eram bandas como The Sonics e The Monks. Duas bandas tão secas, cruas e primárias, com integrantes problemáticos vestidos de maneiras exóticas, que acabaram tornando-se influência consciente ou inconsciente da maioria das bandas que nos dias de hoje puxam o título de “som de garagem” para si.

    Atravessando o país da bandeira de estrelas e listras, o choque é contínuo. Como não destacar o surf rock demente dos Trashmen? Ou o Seeds, banda que nos faz lembrar de um bando de homens das cavernas chapados, e que foi a primeira a dispensar o uso de baixista? Ou ainda a truculência exaltada por Lester Bangs do Count Five?

    E claro, não podemos nos esquecer de Detroit e New York, locais que foram sedes para os estandartes principais do punk rock, grunge e todos os movimentos alternativos subseqüentes: Stooges, MC5 e Velvet Underground. Há também o Iguanas, primeira banda de Iggy Pop, onde o mesmo tocava bateria, uma das bandas mais populares da cena da cidade do motor, que misturava surf rock e Beatles para gravar seu repertório; as canções-jams amedrontadoras dos novaiorquinos do Blue Magoos; as insanidades psicodélicas e texanas dos 13th Floor Elevators; os Electric Prunes que se tornaram uma das bandas mais conhecidas da cena garageira ao ter uma música incluída no filme "Easy Rider"; os Standells no mesmo barco de sucesso dos Electric Prunes, conseguindo fazer algumas das músicas mais ouvidas do ano, mas ainda assim sumindo sem deixar notícia ou lembrança; o humor histérico e suburbano dos Barbarians (que para completar, tinham um baterista com uma mão só, que usava um gancho no lugar do outro!); e os embriões do ZZ Top (Moving Sidewalks), Grand Funk Railroad (Terry And The Packs), Blue Cheer (Oxford Circle), a formação da banda de suporte de Ted Nugent, os Amboy Dukes, e mais uma tonelada de bandas...

    É extremamente recomendável procurar pela coletânea “Nuggets”, pois até o início dos anos 70, o rock americano era considerado coisa de gente criminosa, pervertida e sem nenhum valor artístico; essa coletânea organizada por Lenny Kaye (jornalista e guitarrista do Patti Smith Group) compilou em uma coletânea dupla os maiores clássicos de garagem dos anos 60. O som de garagem enfim tomou o mundo de assalto e mostrou que as melhores obras de arte surgem quando entram em contato com a realidade e abandonam a erudição – ou seja, tornam-se marginais, primitivas, violentas, dispostas a ferir os sentidos e de transmitir muita sacanagem e todo o urbanismo dos nossos dias.

    Para adentrar o mundo das bandas de garagem, aqui vai uma pequena lista para que o ouvinte não se assuste com o cheiro nauseante de óleo, a estética nem um pouco convencional, o clima claustrofóbico, os sons guturais e horripilantes e o espírito libertário de uma época – mais preocupados em nos fazer pensar nas ruas de nossas cidades do que guerras em países distantes e discursos de paz-e-amor :

    The Kingsmen - Louie, Louie
    The Sonics - The Witch
    The Monks - Shut Up
    The Seeds - Can't Seem To Make You Mine
    The Trashmen - Surfin' Bird
    Count Five - Psychotic Reaction
    The Blue Magoos - We Ain't Got Nothin' Yet
    Electric Prunes - I Had Too Much To Dream (Last Night)
    13th Floor Elevators - You're Gonna Miss Me
    The Standells - Little Sally Tease
    The Iguanas - Mona
    Barbarians - Are You A Boy Or Are You A Girl


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    posted by billy shears at 12:40 AM | 10 comments

    quarta-feira, junho 20, 2007
    Mulheres no Rock Nacional

    Esse talvez seja o post mais feminista do Dangerous, mas não tenho culpa se as primeiras manifestações do rock no Brasil foram feitas por mulheres :P

    Enquanto os Beatles estavam no pico do sucesso na década de 60, no Brasil quem estourava nas rádios era Celly Campello. Isso mesmo, aquela do Estúpido Cupido e Banho de Lua foi uma das mais importantes precursoras do rock nacional.

    Também na década de 60, mais exatamente em 1966, Rita Lee se juntava a Arnaldo Baptista e Sérgio Dias para formar Os Mutantes. Definitivamente o rock estava presente no Brasil, já que Os Mutantes tiveram uma carreira grandiosa, chegando a influenciar até Kurt Cobain.

    O tempo foi passando, e o rock foi se popularizando no país do futebol. Na década de 70, com a ditadura militar, vários músicos brasileiros foram exilados, e o que era uma repressão, só serviu para a música se popularizar mais no país. Mas a “explosão” mesmo só seria na década de 80...

    Em 1980 começaram a surgir as mais variadas casas de show pelas capitais; e pelos quatro cantos do país surgiam as mais variadas bandas, algumas consagradas até hoje. Em meio a tantas bandas lideradas por homens, surgia o Kid Abelha liderado por Paula Toller. A banda foi responsável pelos maiores hits da década: Pintura íntima e seu refrão grudento “fazer amor de madrugada” renderam à banda disco de ouro, e a consagração no cenário nacional.

    Ao longo dos anos 90s surgiu o Penélope, liderado por Érika Martins e emplacando com alguns hits como Holiday e A Fórmula Do Amor. Em meados de 1990 também surgia o Pato Fu, liderado por Fernanda Takai. Fazendo um som “diferente”, o Pato Fu mesclou o pop rock brasileiro com batidas eletrônicas em algumas músicas e usou e abusou do experimentalismo. Resultado que deu certo.

    Caracterizada por sua voz grave e pelo seu ecletismo musical, Cássia Eller marcou seu nome na história do rock brasileiro. Interpretou canções de Renato Russo, Cazuza, Caetano, Chico e também do clássico Beatles e Nirvana, que também foi destaque na década.

    Chegando nos anos 2000, temos uma excelente mistura de cantoras e bandas lideradas por mulheres. Fazendo um mais pesado, Pitty, Luxúria, Érika & Telecats estão na ativa. O power-pop, alternativo e pop rock também estão muito bem representado por Ludov, Wonkavision, Drosophila, Pato Fu, Leela, Columbia e muitas outras bandas no cenário alternativo. Sem falar no Cansei de Ser Sexy, que com um som diferente conquistou vários cantos do planeta.

    Em pleno 2007 já não se fala mais em preconceito de mulheres dentro da música. Portanto, meninas, peguem suas guitarras, aumentem o som e mãos a obra!

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    posted by natália; at 8:24 PM | 12 comments

    sexta-feira, maio 25, 2007
    Especial: Smashing Pumpkins

    Depois de sete anos na saudade, eis que volta a turminha do Zero, liderada por Billy Corgan. Para a decepção da maioria dos fãs, nada de formação original. James Iha, guitarrista desde 1988 anunciou que não faria parte da volta. D'arcy, que havia deixado a banda em 1999 também está fora. Melissa Auf Der Maur, que havia substituído D'arcy, está muito ocupada com seu projeto solo. Porém, Jimmy Chamberlin, que esteve na banda desde sua formação se juntou a Billy Corgan para a gravação do Zeitgeist, o sétimo álbum de estúdio da banda, com lançamento previsto para 07/07/07.

    Zeitgeist: nível de avanço intelectual e cultural do mundo, em uma época.

    “A Estátua da Liberdade afundando, um respeitado ícone norte-americano, simboliza o eminente fim de muitos ideais sobre os quais estão nação foi fundada. Direitos civis, liberdade de expressão, privacidade tem diminuído desde o 11 de setembro. O sol na imagem também pode estar nascendo ou se pondo e essa ambigüidade mostra que ainda há esperança para que o quadro mude”, Shephard Fairey, artista plástico responsável pela capa.

    O primeiro single do Zeitgeist é Tarantula, matando a saudade das guitarras pesadas, da agressividade na bateria, e da voz de Billy Corgan, é claro. A letra também marca: I don't wanna fight (...) You're real, as real as any ghost (...) I don't want to be alone (...).

    No primeiro show da banda, terça - dia 22, os fãs puderam conhecer a nova formação da banda: Ginger Reyes (que já tocou com Linda Perry) no baixo e Jeff Schroeder (ex- The Lassie Foundation) na guitarra.

    Grand Rex - Paris - 22/05/2007

    Além de conhecer a nova formação da banda, os fãs relembraram vários sucessos da banda e conheceram cinco músicas do novo cd: United States, Doomsday Clock, Starz, Tarantula e Neverlost.

    Set List do primeiro show (22/05 - Paris)
    1) United States; 2) Today; 3) Stand Inside Your Love; 4) Bleeding The Orchid; 5) Doomsday Clock; 6) Home; 7) Hummer; 8) Starz; 9) Tarantula; 10) Bullet With Butterfly Wings; 11) Gossamer; 12) Thirty-Three; 13) Rocket; 14) Winterlong; 15) To Sheila; 16) Glass and the Ghost Children; 17) Cherub Rock; 18) 1979; 19) Tonight, Tonight; 20) Neverlost; 21) Disarm;
    22) Zero; 23) Untitled; 24) Shame; 25) Silverfuck; 26) Annie-Dog; 27) Muzzle.

    Vida longa ao Smashing Pumpkins!

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    posted by natália; at 9:01 AM | 7 comments

    segunda-feira, abril 30, 2007
    Sem Reações Psicóticas: 25 anos sem Lester Bangs


    Muita gente pensa que as únicas coisas que as testemunhas de Jeová tem a oferecer são aqueles folhetos cheio de chatices para nos converter. Mas, como diz a sabedoria popular, toda regra tem sua exceção. Na cidade para onde Eric Clapton e J.J. Cale viajaram em 2006, Escondido, no estado da Califórnia, uma devota senhora deu ao mundo Leslie Conway Bangs, no dia 13 de dezembro de 1948. Seu pai morreu quando ele ainda era jovem. Desde criança já se mostrava fissurado em escrever, escrevendo continuações dos livros de Júlio Verne, Robert Louis Stevenson e Alexandre Dumas. Na adolescência, viciou-se em ficção científica, apesar de sua mãe o proibir, pois se a Bíblia não mencionava vida em outros planetas, logo ela não existia.

    Por algum tempo, também foi testemunha de Jeová, e tinha um talento quase sobrenatural para fazer as pessoas gostarem da mesma coisa que ele. Até descobrir a beat generation e o rock and roll, e no final dos anos 60 procurou com seus amigos Richard Meltzer e Nick Tosches lançar os alicerces da crítica roqueira. Ao mesmo tempo, foi contratado pela Rolling Stone após escrever um review negativo sobre o MC5 ("esqueça que eles vêm como um bando de punks de sessenta anos em uma power trip", dizia a resenha, uma das primeiras ao usar o termo "punk"), banda da qual se tornaria fã depois. Influenciado por Jack Kerouac e William Burroughs, "Lester" tornou-se ícone do New Journalism e seu subgênero gonzo - análises que mais pareciam narrações feitas enquanto se estava sob efeito de algum psicotrópico.

    E a partir daí, tornou-se o escritor mais importante da música pop. Escreveu sobre jazz, a british-invasion, garage blues, blues-rock e ajudou a cunhar e definir termos como "punk" e "heavy metal", realizou entrevistas hilárias com Lou Reed. Dormia toda noite sobre efeito de bebida, logo após de erguer o nome dos Stooges e o MC5 às alturas, e o sono dos justos vinha ao som de Iggy e Black Sabbath. Foi chutado da Rolling Stone após escrever uma resenha negativa da Canned Heat, migrou para a revista Creem, mais liberal, onde fez sua fama e textos mais famosos. Depois, ainda escreveria para Village Voice, Penthouse, Playboy e outras publicações. Em suas entrevistas, discordava abertamente e discutia com o entrevistado quando tinha vontade. Referia-se a punks como "white nigger", ou seja, brancos que viviam nas mesmas condições que negros.

    Criticava negativamente o rock progressivo e exaltava o movimento punk e o hard rock; por isso, mudou-se para New York e fez do CBGB's o seu point, elogiando Ramones, Television, Richard Hell And The Voidoids e Patti Smith Group. Aos poucos, se afasta da literatura esopntânea, apesar de ainda ser mil vezes mais sarcástico e com alma que muitos companheiros de ramo. Quase no fim da vida, tenta se desintoxicar no Texas ao lado de Lou Reed (o que qualquer mente sã sabe não ser a melhor das idéias), enquanto é torturado pelos embustes do rock and roll e a morte de Sid e Nancy.

    Polêmico, produtivo, junkie, com passagens pela música, idealista, visionário, sarcástico, mal-educado, espontâneo, assumidamente contraditório, capaz de escrever textos feito "Como Ser Um Crítico de Rock" (um dos textos mais irônicos já feitos até o dia de hoje), Lester marca quem o conhece. Quem lê suas furiosas linhas não encontra nenhum pouco de imparcialidade ou objetividade. Encontra sangue, suor e rock and roll. Encontra é fúria ao invés de piloto automático.

    Quando morreu há 25 anos atrás, em 1982, de overdose dos tranquilizantes Valium com Darvon, com apenas 33 anos passou de crítico de respeito a uma das figuras mais influentes quando o negócio é jornalismo musical. Ganhou merecidas homenagens e citações musicais de R.E.M., Ramones, Buzzcocks, Bob Seger, (Horseshoe), Gumdrops, inspirou o nome da banda Ghost Of Lester Bangs, e a homenagem mais famosa foi ser interpretado por Philip Seymour Hoffman no filme "Quase Famosos", do diretor Cameron Crowe.

    No Brasil, é difícil encontrar algo do meste-que-recusava-ser-mestre (certa vez disse para os jovens jornalistas que aspiravam ser grandes feito ele para que nunca o copiassem), mas além do filme de Cameron Crowe, também se encontram várias citações no livro "Mate-me Por Favor" (o livro definitivo sobre o punk rock) e o seu livro "Reações Psicóticas", recomendado tanto para amantes de rock quanto para quem se interessa por new journalism e seu subgênero gonzo.

    Para quem ainda não é conhecedor de seus escritos e ficou interessado, Lester Bangs é um escritor seminal para os apreciadores de música. E o leitor pergunta-se por quê. A explicação é simples: a identificação com Lester é imediata, mesmo que não concordemos com suas opiniões. Sua relação com os discos que ouvia, as cativantes entrevistas que realizou, os inúmeros shows que viu e descreveu, são textos escritos com calor. Não são linhas impessoais e frias.

    E a partir do momento que as melhores músicas do mundo tendem a ser totalmente parciais e subjetivas, porque o resenhista das mesmas deveria fingir que está escrevendo tratados científicos sobre música? É por isso que dá-lhe, Lester. Os críticos de rock and roll devem ser tão ou mais caras de pau quanto os músicos sobre os quais escrevem, pois são eles que anunciam ao mundo cada uma das qualidades e defeitos do showbizz. Ensinamento importante esse; se quisermos apenas ganhar trocados e ganharmos discos de graça, é melhor irmos pentelhar em revistas para os não tão fanáticos assim sobre música; agora se quisermos escrever pela música e não pelos trocados, melhor dizer a doída verdade.

    E com tantos críticos elogiando músicos sem graça nenhuma, penso que a cara de pau de Lester está fazendo um 'pouquinho' de falta...

    "Talvez o que este livro exija do leitor é a disposição em aceitar que o maior escritor americano tenha escrito apenas análises de discos"
    (Greil Marcus, na introdução da versão norte-americana de "Reações Psicóticas")

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    posted by billy shears at 3:16 PM | 4 comments

    sexta-feira, fevereiro 23, 2007
    Há 35 anos exilados na rua principal.



    O início dos anos 70 foi difícil para todos. Quando os besouros de Liverpool resolveram pôr um ponto final na história do seu grupo, em 1970, e no ano seguinte John Lennon declarou que “eu não acredito em Deus, Buda, Elvis e Beatles, apenas em mim e Yoko”, parecia anunciar uma década sombria. Quase ao mesmo tempo, morriam Jim Morrison, Jimi Hendrix e Janis Joplin, ícones de toda a geração que vivenciou a mágica dos festivais hippies da segunda metade da década de 60.

    Nos anos 70, a contracultura política e pacífica foi lentamente dando lugar a uma mais mística e hedonista. Mas talvez seja necessário o por que do surgimento e consolidação da “era do individualismo”.

    As ditaduras latino-americanas seguiam firmes impondo uma censura fortíssima, enquanto os Estados Unidos enfrentavam o vergonhoso final da guerra do Vietnã e a recessão por causa crise do Petróleo. A Inglaterra enfrentava uma de suas maiores crises. O papa Paulo VI sofreu uma tentativa de assassinato. Ocorre o escândalo e a prisão do serial killer Charles Manson, que executara a atriz de Sharon Tate, entre outros. A delegação israelita dos jogos olímpicos da Alemanha sofre um atentado dos terroristas do Setembro Negro no Massacre de Munique. Ao redor do globo, estudantes e mais estudantes eram massacrados por regimes militares.

    Ao mesmo, também ocorria as Copas do Mundo, o movimento da Jovem Guarda no Brasil, a música disco, o movimento em defesa do meio-ambiente, o crescimento econômico do Japão, a invenção do primeiro videogame, o crescimento do meio televisivo, os inúmeros clássicos cinematográficos, a pop-art.

    A década mais doida do século passado foi exatamente isso: um caos, um turbilhão de informações, uma época de desgraças tremendamente chocantes convivendo com interessantíssimas inovações tecnológicas e culturais e obras-primas artísticas. A menor preocupação com a política e a maior com a satisfação pessoal ou a consolidação de correntes alternativas de pensamento que diferiam das que tinham maior número de seguidores – daí vinha a popularização de religiões pagãs celtas e orientais. E a mídia e artistas ajudavam propagando e instaurando, tornando tradições milenares um verdadeiro hype.

    Em um mundo tão variado assim, ficava mesmo difícil criar uma consciência coletiva, que colaborasse para o todo; pois até os que iam contra o sistema vigente demonstravam as mais variadas facetas, criando tribos que imediatamente odiavam ou tinham pouca simpatia por suas próximas.

    Pois, no mundo do Rock And Roll, que no ano de 1972 vinha se acostumando com a instauração do rock pesado e a afetação do glam rock, a única banda sobrevivente do mundo mainstream resolveu lançar seu álbum definitivo.

    Mesmo tendo surgido e feito muito sucesso nos anos 60, os Rolling Stones talvez sejam uma das bandas que mais representaram o espírito dos anos 70; ofuscado nos anos 60 pelo brilho dos Beatles e sob a constante a acusação de plagia-los, Mick e cia. foram um dos grupos que mais soube sobreviver àquele famoso “ciclo dos sete anos” por qual passa toda grande banda (o caso dos Beatles é o mais famoso, repare). Já em 1971, com mudança de gravadora para uma que levava o próprio nome da banda, eles lançaram o maravilhoso “Sticky Fingers”, que consolidava o espírito hedonista da década que viria. No álbum já se encontravam pérolas do porte de “Brown Sugar” (a segunda melhor música sobre heroína após “Heroin”, do Velvet Underground), a linda e emotiva "Wild Horses", e a mais do que sexy “You Got To Move”.


    Mas o exílio que impedia o Stones de ser uma das maiores bandas do mundo – por não serem gênios pop feito os Beatles, músicos técnicos feito os medalhões do hard rock e heavy metal setentistas, banda extremamente complexa feito as de rock progressivo ou homens maquiados feito os do glam rock – acabava aqui, em “Exile On Main Street”. Aqui ficou provado que se os Rolling Stones deveriam ser exilados em algum lugar, haveria de ser na rua principal, como uma das maiores bandas de Rock And Roll de todos os tempos. Quiçá a maior.

    Em sua melhor formação -Mick Jagger no vocal, Keith Richards e Mick Taylor nas guitarras, Bill Wyman no baixo e Charlie Watts na bateria os Stones foram apoiados pelo sax de Bobby Keys, o piano de Nicky Hopkyns e o trompete e o trombone de Jim Price, entre outros que participaram de uma música ou outra, ou apenas gravaram as bases, como Ian Stewart, Jimmy Miller, Gram Parsons, Ted Newman Jones III, Al Perkins etc, etc...

    Letras que pareciam ser feitas na hora, canções as mais variadas o possível, drogas, sexo e loucura no limite são apenas algumas das palavras que podemos utilizar para definir esse artefato pop tão influente. Ficava atestado que eles não eram apenas o contraponto e copiadores dos Beatles que só saíram da sombra deles tarde demais. Esqueça, quando o assunto é página virada, os Rolling Stones sempre provam que a página virada é quem os critica. O visionarismo dos Stones é algo que excede barreiras. O visual andrógino e inisnuações sexuais de Mick que inspiraram o glam rock, o satanismo de “Their Satanic Majesties Request” e “Sympathy For The Devil” que abriu portas para o Black Sabbath e Uriah Heep (e, mais tarde, todo o Black Metal) se aprofundarem no assunto, a pose de rockers feios, sujos e drogados com comportamento nem um pouco aconselhável para quem quer uma vida longa e tranqüila, que influenciou qualquer banda e artistas a partir deles – de Aerosmith, New York Dolls, Stooges, MC5 e a blank generation de New York até os dias de hoje, qualquer banda que queira parecer suja e agressiva, vai buscar seu pote de inspiração nos Stones.

    O nome do disco e sua capa refletiam sua situação e sonoridade: exilados na França, sem poder voltar para a terra da Rainha por causa do fisco, os Stones não dispuseram de toda a parafernália que tinham até então. A sonoridade alcançada reforça ainda mais o caráter de álbum espontâneo: mais sujo e lento do que seus álbuns anteriores, e também com um número muito maior de facetas. As influências de gospel e blues se afloram em emotivas baladas, rocks de primeira e músicas totalmente negras e yankees, onde a única coisa britânica é o sotaque de Mick.

    E aí, tente-se resistir a tudo isso. Desde a abertura “Rocks Off”, empolgante canção que dizem ter sido gravada apenas em dois takes e com uma letra sexy e perigosa pra diabo; “Tumblin’ Dice”, um dos maiores clássicos da banda e uma de suas melhores canções dos anos 70, inspirado em um cassino em Monte Carlo; “Ventilator Blues” e sua letra inspirada no único ventilador que aquecia na banda, e sua batida rítmica tocada com certa dificuldade por Watts, tendo que ser ajudado pelas palmas de Bobby Keys. “Happy”, o maior clássico do álbum ao lado de “Tumblin’ Dice”, é cantado por Keith Richards, sendo que este a escreveu após saber que sua mulher estava grávida.A belíssima “Sweet Black Angel” foi inspirada em Angela Davis, uma qualificada professora de filosofia negra americana que batalhou contra o racismo e foi perseguida pelo FBI, até ser presa em 1971, ocasionando vários manifestos em seu nome, que se tornara o símbolo do cidadão oprimido. “Cassino Boogie” foi criada basicamente numa jam entre Keith e Bobby Keys. Também estava presente a regravação de Slim Harpo de “Shake Your Hips”, a urbana “Torn And Frayed” que misturava todos os caminhos pelos quais os Stones já haviam percorrido até então (gospel, rock and roll, blues e soul), sem contar outras surpresas que não se lembram tanto quando falamos vagamente de Stones: as guitarras de “Sweet Virginia”, o soul-funk hipnotizante de “Let It Loose”, e “All Down The Line”, e “Turd On The Run”, e “Shine A Light" e por aí vai...

    Até hoje os novos fãs se perguntam como que uma banda no auge da doideira conseguiu escrever dezoito canções, todas indispensáveis para quem quer sentir a música contemporânea condensada em sua melhor forma em todas as suas facetas, um verdadeiro compêndio da música pop, enquanto outras bandas que seguiam no mesmo caminho de auto-degradação mal conseguiam escrever uma dezena de canções para cada álbum.

    O próprio Mick admite que este talvez seja o melhor álbum da banda; e por que contradize-lo? Ainda que os Stones estejam recheados de álbuns dos mais geniais (ou o herege leitor nunca ouviu “Aftermath”, “Beggar’s Banquet”, “Let It Bleed”, “Sticky Fingers”...?), tudo o que eles fizeram e viriam a fazer foi escrito com sangue, heroína e sexo quando eles foram exilados na rua principal. Longe de desrespeitar o poder bruto de Iggy e seus patetas, o clube do Sargento Pimenta de John Lennon e cia. ou as aranhas de marte de David Bowie, mas se algum dia forem eleger o maior álbum de Rock And Roll de todos os tempos, “Exile” é páreo duríssimo e peita de igual para igual.

    E quem diria que esses caras só queriam copiar Chuck Berry, comer umas garotas e tomar umas cervas geladas seriam geniais a esse ponto? Adoramos subestimar nossos semelhantes, e nossos semelhantes adoram provar que estávamos terrivelmente errados, e é o que permite um garoto mulato e gago lance “Memórias Póstumas de Brás Cubas” em um país latino-americano elitista e racista ao último, que um diretor subversivo e severamente criticado revolucione o mundo das películas com “2001: Uma Odisséia No Espaço”, ou, no caso da música, que um “bando de meros copiadores de Chuck Berry e Beatles” escrevam algo feito “Exile On Main Street”.

    E há 35 anos o bocudão e o junkie (que nunca teve problemas com as drogas; apenas com a polícia) souberam sair da efemeridade e escrever seu nome no século 20 – a custo de muitas seringas, garotas, prisões e todos aqueles itens que imaginamos quando pensamos em roqueiros, e que as salvações do rock hoje em dia tentam fazer algo parecido (e não desvie o olhar, mr. Pete Doherty) mas, sabe como é; chegaram tarde. As pedras que rolam e que não criam limo já passaram por esse terreno há décadas atrás, baby...

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    posted by billy shears at 12:56 AM | 8 comments

    terça-feira, janeiro 16, 2007
    Aniversário do Dangerous Music!


    Há dois anos atrás, em janeiro de 2005, com uma formação bastante diferente da de hoje, surgia o Dangerous Music. Um blog de amigos que queriam simplesmente escrever sobre música, após se empolgarem lendo resenhas em sites e revistas. De início, as resenhas eram centradas apenas em álbuns clássicos. Então, outras sessões surgiram, como dicas de música, top5's, entrevistas, matérias sobre estilos e bandas. Nunca perdendo o espírito de falar sobre música dando a sua opinião, nunca pretendendo ser mais inteligente que o leitor, mas mantendo a maturidade.

    Hoje, quase uma centena de pessoas lêem o blog. O mundo ainda tem gente demais para dizermos que estamos fazendo suceso, mas nossos esforços em fazer propaganda daqui vêm mostrando resultados positivos . Esperamos que, nos próximos anos, o blog só venha a crescer, torcendo que para nunca percamos o espírito e consigamos manter os leitores antigos, mesmo conseguindo novos.

    E para falar sobre o blog, auto-descrição seria um certo ato de prepotência falarmos sobre alguma qualidade que tenhamos. E seria um pouco de falta de orgulho próprio fazer uma auto-análise negativa. Então, para falar do blog, quem melhor que os próprios leitores, que lêem todo o resultado final do que acontece por trás das cortinas? Então, leia a seguir, quatro depoimentos feitos por amigos leitores do blog à pedido de seus membros.

    "Dangerous Music é um dos poucos blogs em que se diz a crua verdade sobre música. Bandas boas, bandas ruins, tudo depende de crítica do leitor. Os rapazes que trabalham para manter esta instituição da música sempre ativa acabam com os limites de quem não quer saber o que eles têm a dizer, sejam coisas boas ou ruins. Aqui se lê de tudo (ou quase tudo), e se aprende, critica, visualiza, enfim, inúmeras proporções que o mundo da música traz e são transmitidas pelo Dangerous Music. Que a música continue! Aumentem o volume e apreciem as impetuosas músicas que vos oferecem!" (Carmem Luisa)

    "Foram dois anos escrevendo sobre àlbuns de forma fantástica, e espero que tenham mais muitos outros anos pela frente! Feliz Aniversário!" (Rafael)


    "Parabéns, Dangerous Music! Continuem assim, com posts freqüentes e resenhas bem escritas, sempre falando sobre inúmeras vertentes do rock, indo do pop punk até o metal extremo. Espero que o grupo permaneça com o seu abrangente gosto pra música, para que continue havendo uma variedade grande de bandas sendo avaliadas, já que o âmbito musical é maravilhoso e enorme. Falando agora de um dos membros em particular: Ber, garanto que uma bem sucedida carreira de jornalista musical o aguarda! Acho que vou começar uma campanha: Fanzine da DM, já! Hahaha, não deixem a peteca cair! Que venham mais dois, mais dois e assim por diante numa linda progressão aritimética!" (Eduardo)

    "Feliz Aniversário, Dangerous Music. Que mais adeptos venham a visitá-lo. Que suas resenhas ganhem cada vez mais fãs. Que sua forma madura de se expressar traga mais adeptos. Parabéns Dangerous Music pelos 2 anos de idade." (Luis)



    Enfim, pessoal, valeu pelo apoio de todos, todas as críticas, tanto as positivas quanto as negativas, por acompanharem regularmente o blog, pelos comentários, por postarem na comunidade do Orkut, e tudo mais. Agradecemos muito à todos vocês, dos leitores ocasionais aos mais freqüentes. E que venham mais anos, mais leitores, e mais posts. Um sincero muito obrigado a todos!

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    posted by billy shears at 9:35 PM | 22 comments

    sexta-feira, janeiro 05, 2007
    Música sentimental é música ruim? Um questionamento sobre o emo.

    (Matéria feita em conjunto por Ber, Sam e Vitor)


    Surgido em meados da década de 80 no circuito underground americano, a designação emo muito provavelmente já tem mais de vinte anos; porém, o rótulo, há aproximadamente três anos tomou o mundo de assalto, com bandas de sonoridade punk utilizando-se de letras sentimentais, assim como o Buzzcocks fez pela primeira vez há quase 30 anos atrás. Porém, os mesmos 20 anos também mostraram que esse não é um termo apenas agrupador, mas pejorativo na maioria das vezes.

    Falar de sentimentos virou motivo de discriminação entre as tribos do rock nos dias de hoje. Ora, Elvis cantava sobre o amor. Os hippies dos anos 60 clamavam "Faça amor, não faça guerra". E o porquê de tal preconceito nos dias de hoje, ninguém sabe explicar. É como o apartheid na África. Se somos todos iguais e se o Rock tem como objetivo alcançar a liberdade por meio da destruição das barreiras do senso comum, não estamos sendo muito hipócritas quanto a isso?

    O movimento ganhou força no Brasil na primeira metade da primeira década do século XXI, lançando pelo país banda que falam sobre o que muita gente tem vergonha de expressar (uma coisa totalmente idiota, ao meu ver). Em 1999 o Los Hermanos lançam um disco que é um ska-emocore daqueles que você não cansa de ouvir. É fato que os fãs da banda causariam um apocalipse sobre sua cabeça se você afirmar isso da banda, mas não dá pra fugir da realidade. A banda é uma das precursoras do estilo no Brasil, mas agora aposta mais num estilo intelctual, fazendo harmonias para encantar a elite estudantil brazuca. Seguindo em frente, hoje temos como maiores ícones do emocore brasileiro bandas como Fresno e Dance Of Days, duas ótimas bandas que são muito discriminadas por falar do que é mais comum num ser humano.

    Vale lembrar, que o preconceito contra o emo não é, propriamente, algo inédito. É só retrocedermos um pouco no tempo e analisarmos o início dos anos 70, quando o Glam Rock de David Bowie, T. Rex, Slade, Sweet, Gary Glitter e Suzi Quatro invadiu as paradas, desbancando os já consagrados Beatles e o rock pesado de Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple. Ora, o estilo e seus fãs foram extremamente discriminados por usarem maquiagem, ter um estilo andrógino e colorido e incentivar o comportamento bissexual.

    E hoje, o mesmo estilo tão recriminado na epoca é considerado pelos saudosistas (que a maioria, a bem da verdade, nem chegou a vivenciar a época para sentir saudades da mesma), é considerado algo fenomenal, marcante, um momento único na história do rock and roll; será que se eles vivessem nos anos 70 e curtissem as pancadarias do Led e do Sabbath eles gostariam de caras maquiados e bissexuais? Os mods - fãs de The Who e os rockers - fãs dos Beatles passaram a década de 60 inteira saindo na pancada para provar qual banda é a melhor. E hoje em dia, quem gosta de Beatles, gosta de de The Who. Quando, em algum momento, os odiadores de emo pararam algum instante para pensar nisso, que o seu precioso e unificado rock está cheio de feridas causadas tão somente por um preconceito desnecessário?

    Mick Jagger, no final da década de 60 e no início da década de 70, não havia adotado uma postura andrógina, cheia de trejeitos que fez muitos na época desconfiarem da sua sexualidade? E quem não conhece o affair dele com David Bowie? Axl Rose, vocalista do Guns 'n' Roses, já disse em entrevistas que certa vez que foi discriminado na escola por gostar de Rolling Stones, já que Mick Jagger havia beijado o guitarrista Keith Richards em um programa de televisão.

    Se pararmos para analisar, as bandas de metal melódico também falam de romances, ainda que sejam totalmente enfeitados, idem sobre as bandas de hard rock, essas sim possuem letras piegas e mela cueca. É mais sensato dizer que o Sebastian Bach era mais corno que o Pierre do Simple Plan, por exemplo. O mais estranho de todo esse ódio é que boa parte vem dos "punks" revoltados com o que o som raiz deles se tornou (na verdade, nem deles é, os caras fazem um moicano, colocam uma jaqueta e já se acham muito anarquistas). A verdade é que os próprios emos são bem mais punks que muitos que se auto intitulam só por ter um moicano de três metros. Defendem a liberdade de expressão e sentimentos, logo, são basicamente livres de preconceitos em sua maioria, já os metidinhos a punks parecem odiar emos, gays e qualquer um que use maquiagem, pinte o cabelo e etc. Porra, cara, o Iggy Pop usava maquiagem e nunca deixou de ser foda, por que com os emos tem que ser diferente? Medo de perder a pose de fodão? Sinceramente, se esses são os punks que sobraram, o movimento está definitivamente MORTO.

    Lá fora, bandas como Rufio, The Used, Dashboard Confessional, e até mesmo os post-hc de Funeral For A Friend, From First To Last e Saosin são também bandas que os emos brazucas levam consigo na cabeça. E olha que lá fora o movimento nem é tão discriminado como aqui no Brasil. Ah, sim, o Brasil é o país da liberdade, já ia me esquecendo. Aqui não há preconceitos e nem nada.

    O modo de se vestir de um emo faz com que nenhum outro indivíduo possa optar por escolher um corte de cabelo semelhante a um adepto do movimento que já é adjetivado como EMO. Se você quer fazer uma franja, você é emo. Se quer pintar seu cabelo de verde, é emo. Se quer usar um cinto de rebites e quadricular seu all star, é emo. Tá certo que o visual emo tem um pouco de cada estilo, mas rotular de mau grado aqueles que usam porque lhe convém um colar de bolinhas preto e branco é muita falta de bom senso. E esse papo de “modinha” já ultrapassado, pois se você olhar no Orkut vai achar mais comunidade anti-emo do que comunidades do próprio movimento. E a modinha é de quem mesmo?

    O preconceito com o emocore já se tornou mais moda que o próprio estilo, levando a casos que incluem até homofobia. É mais fácil dizer que esse ódio gratuito contra os emos é apenas para não ser o "bicha" da turma e ser mais um no circulozinho social nojento que tantos grupinhos de adolscentes fazem. Ora, se odeiam emos apenas por serem sensíveis e, às vezes bi ou homo, por que não odiar metaleiros, indies e góticos? Todas essas tribos urbanas citadas são piores que os emos, possuem o ego inflado demais, se acham pelo fato de ouvirem metal ou bandinhas fundo de garagem e etc. Sinceramente, uma puta demonstração de hipocrisia concentrada nos adolescentes. Pior ainda, criticar a música que o emo gosta, mesmo muitas vezes nem sendo o emocore de raiz ou coisa parecida, muitas vezes sendo o post-hc, o screamo ou o pop punk - para tornar uma coisa mais fácil de odiar, os revoltadinhos "mamãe quero ser cool" embalaram tudo em um único pacote e jogaram na fogueira.

    “No início, era legal sermos identificados como referência do emo no Brasil. Mas, hoje em dia, virou algo pejorativo. Qualquer grupo que não fale de maconha, de putaria ou de política é emo. Qualquer um que fale de amor é chamado de emo” Lucas, vocalista do Fresno.

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    posted by billy shears at 5:06 AM | 8 comments

    sábado, novembro 04, 2006
    O retrato de um geração através da música: o New Metal.



    Mesmo sob o medo da Guera Fria, os anos 80 foram uma festa na maior parte do mundo... E nos anos 90, o mundo sentiu que a alienação das festas não os levaria a lugar nenhum; e a depressão atingiu o mundo, tanto na cultura, quanto nas mentes juvenis. Primeiramente, o mundo veio a conhecer o Grunge, vindo dos Estados Unidos, um rock arrastado e triste. E depois, no mesmo país, iria surgir o New Metal.

    As barreiras da música rock/metal começavam a quebrar-se quando artistas como Aerosmith e Anthrax gravaram os primeiros rap-rocks da história junto com os hip-hoppers Run DMC e Public Enemy (parindo as músicas "Walk This Way" em sua segunda versão e "Bring The Noise", respectivamente). Ao mesmo tempo, bandas como Red Hot Chili Peppers e Faith No More usavam o rock como base de fusão de vários elementos. Outras bandas, como Helmet, Primus e Tool transpassavam limites ao fazer do Heavy Metal uma música experimental, onde elementos como andamentos quebrados não podiam ser experimentados a princípio dentro do ortodoxo som que o Heavy Metal estava tornando-se. O lançamento do álbum "Roots", do Sepultura, trouxe um novo conceito de thrash metal com música tribal, nunca visto até então.


    Os Estados Unidos é um país que já deixou de ser a "terra das oportunidades" há muito tempo. Não apenas pelo alto índice de criminalidade, mas a própria cultura violenta a qual são expostos, de ser sempre o melhor e sempre o primeiro, degradou mentalmente a nação. Assuntos como drogas pesadas, bullying, depressão, ódio, frustração começaram a fazer parte do cotidiano de milhares de jovens.

    É aquela coisa do sonho americano se desfazendo na cabeça das pessoas. As histórias folclóricas das bandas de Heavy Metal, o hedonismo do Glam Rock e o discurso político do Punk/Hardcore e do Thrash Metal deixaram de ser os interesses dos jovens. Tantas letras sobre histórias ilusórias, orgias incessantes e críticas ao governo não serviam mais como porta-vozes de uma geração desesperada, que guardava dentro de si uma raiva imensa e crescente.

    Acredita-se que as primeiras bandas a serem consideradas "new metal" perante a mídia foram o Deftones e o KoRn. Outras bandas contemporâneas a eles, como Snot e Coal Chamber eram tratadas como metal alternativo. A crítica especializada cunhou o termo ao ver que as bandas se utilizavam de música pesada misturada a outros ritmos.

    O conceito sonoro de "música experimental" do New Metal deu origem às mais variadas bandas, que não obedeciam ao "padrão metal de fazer música". Tal qual um 'dadaísmo musical', eles desconstruíam as mais variadas influências para modelar de novo à sua preferência. Enquanto algumas bandas usavam da mistura de rap e thrash metal, outras agregavam elementos eletrônicos, com influência direta de industrial. Há ainda os que traziam até suas músicas elementos regionais.

    Tornou-se estranho ver o New como um novo tipo de Metal, pois, excetuando as influências pesadas em suas músicas, a lírica, os climas passados e o visual tendiam para um lado Hardcore ou Grunge, do que as roupas espalhafatosas e letras históricas, e a sonoridade tecnicamente perfeita e bonita do Heavy Metal. Eles não se importavam se suas músicas pareciam grandes confusões sonoras, ou que não fossem difíceis feito um Heavy Metal - o principal, nessas bandas, era a mensagem. Poucas bandas expuseram tanto todas as facetas de seus sentimentos tal qual KoRn, Deftones e companheiros de estilo o fizeram.

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    Infelizmente, bandas como P.O.D., Limp Bizkit (uma banda com uma atitude mais ‘gangsta rap’ o possível...), Adema, 12 Stones e outras foram na onda dessas outras bandas durante o grande período de exposição das mesmas e apareceram ao mundo com um som razoavelmente pesado, repartindo partes agitadas e calmas, mas que liricamente não transmitiam aos jovens os reais propósitos do New Metal: que a geração dos 90's e 00's estava sofrendo. E não iriam ficar quietas por muito tempo.

    E de fato, não ficou parada. Quando se pensou que o New Metal era apenas um estilo que logo morreria, surgiu a segunda corrente do estilo, guiada por bandas como Linkin Park, Slipknot, Mudvayne, Otep, Ill Niño, etc. Algumas bandas traziam um som mais pesado do que se costumava ver no new metal (exemplo do Mudvayne, Slipknot e do Otep), e outras tornavam a sonoridade do estilo mais acessível, injetando melodias com apelo mais comerciais em sua música, mas sem perder a mensagem original (exemplo do Linkin Park).

    À medida que o estilo foi sumindo dos holofotes da mídia, as cópias sumiram assim como surgiram. Outras que apresentavam influências de thrash metal resolveram assumir esse lado de vez (como o Chimaira e o Otep, e o Devildriver, que surgiu das cinzas do Coal Chamber). Outras se mantiveram dentro do estilo New Metal e lançando novos álbuns, que se não vendiam mais como antigamente, ainda fazem grande sucesso entre seus fãs - caso do KoRn - ou alcançando um público cada vez maior - caso do Slipknot e Linkin Park. Fazendo jus ao estilo, não se prendem a fórmulas e lugares comuns.

    Na visão de fãs mais ortodoxos de Heavy Metal, surgiu uma grande tendência a chamar qualquer banda que pratique sons diferentes do usual de "New Metal". Caso do Evanescence, famosa banda que funde elementos de gótico, heavy, eletrônica e pop em seu som, muitas vezes confundida com new metal devido ao seu principal hit ("Bring Me To Life") conter um convidado que canta linhas vocais realmente parecidas com rap (que se torna um motivo perfeito para acusarem de 'New Metal'). A outra é o System Of A Down, banda que segue os passos do Faith No More no que se trata em fusão de influências estranhas, mas que aborda temas distantes do New Metal (política, principalmente).

    No Brasil, o New Metal é um estilo de pouco destaque. Quase todas as bandas ficaram presas à cena underground, e a única que conseguiu algum destaque foi o Chipset Zero, que ano passado (2005) tocou com grandes bandas do thrash nacional (Sepultura e Korzus) e o Slipknot.

    Qual será o próximo passo do new metal? O negócio é: ninguém sabe. Provavelmente, continuará a quebrar barreiras e propor fusões nunca imaginadas. Lembra do citado ‘dadaísmo musical’? O new metal foi um dos estilos que mais ensinou ao mundo que a visão musical não tem limites. Basta tirar o que está tapando.

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    Para entender e conhecer o New Metal, é recomendável ouvir:

    KoRn - Untouchables

    Slipknot - Iowa

    Otep - House Of Secrets

    Deftones - White Pony

    Ill Niño - Confession

    Linkin Park - Hybrid Theory

    Mudvayne - LD.50

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    posted by billy shears at 9:40 PM | 11 comments

    segunda-feira, julho 17, 2006
    Live Danger: Ronnie James Dio

    É... Não tem jeito. Dio pode ter passado dos 60 anos, pode estar meio careca, meio cabeludo, pode estar parecendo o Bilbo Bolseiro... Mas continua cantando mais que muita gente que não passou dos 30. Pode parecer não ter mais de um metro e meio de altura, mas a voz dele parece de um gigante de três metros.

    Dia 14 de Julho de 2006 será um daqueles dias difíceis de esquecer para o pessoal que compareceu ao Claro Hall, no Rio de Janeiro. Cada show do Dio é assim mesmo. Seu carisma aliado a sua técnica botam qualquer um para cima. E ele não estava sozinho... Só fera acompanhando o lendário ex-vocalista do Elf, Rainbow e Black Sabbath: Simon Wright (ex-AC/DC) na bateria injetando fôlego na banda, tocando com força e precisão, Scott Warren (ex-Warrant) fazendo performances emocionantes nos teclados, o recluso, porém habilidoso Craig Goldy (esse talvez o músico com menos “renome” na banda), e o mais recente membro, Rudy Sarzo (ex-Ozzy Osbourne, Quiet Riot, Whitesnake e Yngwie Malmsteen's Rising Force), que além de grande habilidade, demonstrou grande entrosamento com o resto da banda.

    A extensa carreira do Dio torna impossível a ausência de clássicos; qualquer um com um mínimo de Rock no sangue arrepiou ao ouvir clássicos, tanto de sua carreira solo feito “Holy Diver”, “Last In Line”, “Stand Up And Shout”, “Don’t Talk To Strangers”, “We Rock” e “Rainbow In The Dark” – que deixou a platéia delirando, do Rainbow com “Man On The Silver Mountain” e “Long Live Rock ‘n’ Roll” (essa, uma empolgação total)... do Black Sabbath, Dio já começou arrepiando abrindo o show com o petardo “Children Of The Sea”, cantando “I” (do álbum “Dehumanizer”) no decorrer do show e detonando “Heaven And Hell” no bis.

    Também teve, como em todo bom show de Metal, um desfile de solos, de Simon arregaçando a bateria, Scott fazendo com que as notas do teclado gelassem a espinha e Craig Goldy esbanjando toda sua técnica, mesmo não fazendo as performances espetaculares das últimas vezes que veio. Mesmo assim, não dava para esquecer a figura principal do show, o baixinho mais querido do planeta, ou do meio musical, pelo menos. Cada vez que Ronnie voltava para o palco era uma festa. As poses e brincadeiras de Dio ao longo do show são impagáveis.

    Dio mais uma vez não deixou a peteca cair; pelo contrário, deu um corte na coitada da peteca que ela voou longe. Uma lenda do Hard Rock, Heavy Metal e Rock And Roll, influenciando pelo menos três gerações de músicos. Como diz a sabedoria popular brasileira, “tamanho não é documento”...

    (Agradecimentos à Leandro Montéro pelas fotos. Valeu!)

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    posted by billy shears at 1:13 PM | 12 comments

    quinta-feira, julho 13, 2006
    Dangerous Classics

    Em homenagem ao dia mundial do Rock, o Dangerous Music resolveu estrear uma nova sessão. Cada membro escolheu um disco que julga como clássico absoluto do Rock e soltou o verbo. Confira a seguir!

    -Zero homenageia AC/DC - Back In Black


    Uma tremenda de uma volta por cima. O AC/DC após perder o vocalista Bon Scott resolveu continuar... Mas eles não podiam continuar de qualquer jeito. E, muito felizmente, eles fizeram a escolha certa com Brian Johnson. "Back In Black", além de homenagear o falecido amigo, é um álbum de Rock And Roll com letras maiúsculas. Sujo, pesado, áspero... A bateria seca contracena com a guitarra ensandecida de Angus Young (indubitavelmente, um dos melhores guitarristas de todos os tempos) e os vocais roucos e enlouquecidos do "taquara rachada" Brian.

    Não tem muito segredo mesmo, é ouvir pra conferir; É "Back In Black", "Hells Bells", "You Shook Me All Night Long"... E todas as outras músicas do álbum. Riffs que marcaram toda uma geração e que influencia centenas de milhares de músicos até hoje. O álbum de Rock And Roll mais vendido de todos os tempos é simplesmente fabuloso. Sem qualquer frescura ou delicadeza, a intensidade desse álbum é uma pancada nos ouvidos até os dias de hoje, mesmo passados mais de 25 anos. É ouvir e sentir o corpo pegar fogo.

    -Vitor homenageia Guns N' Roses - Apettite For Destruction


    Vou falar sobre o primeiro álbum de rock que eu ouvi por inteiro sem cansar. Aliás, é o álbum da banda cujo eu sou fã, então fica muito fácil falar sobre o “Appetite For Destruction” do Guns N’ Roses.

    Há quem os odeie pelo egocentrismo do Axl Rose, mas esse álbum é daqueles que a gente põe pra repetir duas vezes seguidas e sai pela casa pulando e cantando. Não é à toa que é um dos mais vendidos até hoje. Há quem diga que foi o único que prestou da banda. Nele estão os principais hits da banda em sua formação inicial, aquela clássica com Slash, Duff, Izzy, Steven e Axl, tendo esse último permanecido com o nome da banda e continua fazendo covers daquilo que é uma das bandas mais queridas e odiadas do planeta, não abrindo mão dos hits do Appetite.Indispensável em qualquer cdteca, esse álbum merece ser ouvido no talo, colocando seus vizinhos loucos com os refrões e guitarras ousados, desde “Welcome To The Jungle” até “Rocket Queen”. É claro que nem todos vão apreciar meu comentário, mas Guns N’ Roses é Guns N’ Roses.

    -Sam homenageia Led Zeppelin - Led Zeppelin



    Uma obra prima do Rock 'n Roll, diga-se de passagem. O primeiro álbum do Led Zeppelin é um marco da música pesada, mesmo variando muito entre as faixas - algumas leves e melancólicas, outras pesadas e dançantes!
    Além de ser um álbum recheado de hits e músicas que marcaram época, a banda possuia um guitarrista que seria um dos melhores do rock e um baterista que é chamado de herói até os dias de hoje.
    É com certeza um dos melhores discos do rock, sem puxar saco.

    -Loveless homenageia Metallica - Ride The Lightning

    Pra mim,de longe o melhor álbum do Metallica, um marco na história do Rock e do Thrash Metal. O álbum indica uma grande evolução técnica,do grupo, que agora faz uma barulheira muito diferente daqueles texanos sujos que gravaram o "Kill'em All". Tanto a música título como a "Fade to Black" são inesquecíveis,a obra é boa e rende um belo bate cabeça,do começo ao fim.

    Nada tão bom para a data de hoje. Além de ser um cd marcante pra qualquer um que queira conhecer o trabalho de uma banda tão manjada, mas tão boa.

    -Dark homenageia Slayer - Reign In Blood

    É uma lenda esse álbum, primeiramente é só você pegar o principal propósito dele ter sido feito: ser o álbum mais rápido. Reúne um tema pôlemico que é o nazismo, junto com a fúria de uma lenda do thrash, e o resultado é pra mim sem dúvida o melhor álbum de metal de todos os tempos. Um álbum que você escuta e tem a impressão que acabou rápido, pode escutar do inicio ao fim por toda sua vida que você não consegue enjoar. Riffs, solos esmagadores, bateria metralhando, um vocal cospindo fogo, tudo o que o metal e o rock precisa: destruição! Álbum que serviu de infinitas influências e que não há como ser apagado com o tempo, traduzindo o sentimento perfeito de revolta, fúria e porradaria. Perfeito, um álbum que não se traduz em palavras...

    _______________________

    Que o Rock continue durando muitos séculos, mostrando a verdade as pessoas, movimentando multidões, emocionando, pondo fogo em todas as almas que reconhecem a eletricidade e rebeldia do estilo...

    "Eu sei, é apenas Rock And Roll, mas eu gosto disso!" (Mick Jagger)

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    posted by billy shears at 7:51 PM | 7 comments

    segunda-feira, janeiro 16, 2006
    Aniversário do Dangerous Music!

    Entrevistas realizadas por Augusto.

    Entrevista com Zero:

    Há quanto tempo você se dedica à resenha de CDS, Bernardo?
    Aproximadamente, um ano ou mais.

    E como foi que você descobriu que tinha esse dom, essa vocação? (sim porque nós, todos os leitores do DM sabemos que as suas resenhas são foderosas)
    Fazendo resenhas em uma comunidade do Orkut. Hoje em dia a tal comunidade nem existe mais.

    Interessante. E você ainda continua fazendo isso por hobby, diversão ou falta do que fazer?
    Um pouco de cada um. Mas com a esperança de ter o trabalho reconhecido & conhecido um dia.

    Ah então você pretende levar isso adiante, e ganhar dinheiro, fazer disso sua profissão mesmo e quem sabe, ser resenhista da ROLLING STONE um dia? UHAUHAUH
    Exatamente, nada melhor que fazer algo que a gente goste e ganhar dinheiro por isso... É tipo cinema pornô!

    Qual seu maior sonho?
    Fazer sexo com a Nicole Kidman.

    Bernardo você é virgem?
    De bunda, sim.

    Então, conte-nos como foi a sua primeira vez? Afinal todo público quer saber isso do seu ídolo.
    Então, minha primeira vez foi muito bonita, um ato consumado de amor entre dois seres humanos de sexos opostos. Foi muito bom. Três sem sair de cima!

    Qual o grau de relação sua com os outros membros do DM?
    É um casamento sem sexo. Mas sem se esquecer que eu sou o chefe daquilo!

    Bernardo, procede a informação que um dos membros é viado. Você confirma isso? E qual membro?
    É verdade... É um integrante que afirma ser mais bonito que eu!

    O que você faz quando não esta resenhando?
    Sei lá... Eu durmo, vejo filmes e ouço música. O áudio comanda a minha vida.

    Qual o tipo de som que você curte?
    De Chico Buarque à Dimmu Borgir, passando por KoRn, Black Eyed Peas e Los Hermanos... Mas não tenham dúvidas que eu sou DOENTE por Black Sabbath.

    Muito bom. Nós sabemos também que você resenha filmes em um outro espaço na internet. Você se considera um cinéfilo?
    Cinema é a única arte que se iguala à música para mim. Pouca coisa da literatura consegue me agradar. Eu amo Kubrick, Coppola, Tim Burton, Michael Moore! Jack Nicholson, Jim Carrey e Johnny Depp... Essa tríade "J" é fenomenal... O último filme que eu vi que achei fascinante é "Adeus Lênin"... Recomendo! E pode-se dizer que sim, apesar de ter leves restrições quanto à gênero.

    E você tem preferência por filmes B, filmes A, ou você ta na moda indie assistindo a filmes C russos com legenda em alemão... Ou você não faz restrição quanto a isso?
    Sinceramente... Filme que indie idolatra costuma ser uma BOSTA sem tamanho, com raríssimas exceções... Não sei que inteligência os alternativos vêem nisso! "Todo Poderoso" do Jim Carrey é muito mais inteligente, cativante e objetivo no seu papel.

    Se você pudesse comer alguma de suas amigas AGORA, quem você comeria?
    A Cherry :)

    E por último, pra fechar a nossa entrevista, qual o seu recado pra toda essa galera esperta que acompanha o DM há 1 ano?
    Pô, eu queria agradecer a todos que comentaram, tiveram paciência pra ler as resenhas, de todos que deram sua opinião mesmo discordando de mim, aos meus amigos resenhistas... Enfim... Vão acabar me chamando de falso com todos os meus elogios e rasgação de seda... Mas galera, sem vocês esse blog não tinha nem uma porra de semana!
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    Entrevista com Sam:
    Sam, como você entrou para o Dangerous Music?
    Através do meu grande companheiro, Bernardo, que me odiava.

    E como foi que as meninas se conheceram?
    Seguinte, existia a comunidade muito famosa no Orkut destinada ao ódio de uma banda que não podemos divulgar, conheci Bernardo lá, ele era uma boa pessoa, mas por um motivo estranho não gostava de mim, mas nós conseguimos nos tornarmos grandes amigos pra todas as horas.

    Certo. Sam, procede a informação de fontes confiáveis, que voce seria o membro que dá o toque feminino ao conteúdo do DM, sendo o responsável por resenhas do mundo pop como por exemplo Britney, J. Lo., Madonna entre outros. Você confirma?
    Sei de nada não, brô.

    Sam, responda pra nós, com toda sinceridade, mesmo que isso implique em quebrar os preconceitos da sociedade, qual a sua opção sexual?
    Curioso.

    Quais as suas bandas preferidas, e que são determinantes na composição do seu 'eu' q todos conhecemos?
    Então, minha banda favorita fora do metal é com certeza o The Cure, de resto, eu ouço de tudo um pouco, de Cartola pra Mayhem.

    Sam qual foi o seu primeiro contato com resenhas?
    Eu comecei lendo resenhas de revistas de metal, não são as melhores, mas servem como base.
    A minha primeira foi do Dance Of Death do Iron Maiden(puta disco ruim!).

    E o que você tem ouvido ultimamente?
    Cat Power, Nine Inch Nails, Soilwork, Children of Bodom, Radiohead, Silverchair e tal.

    Procede a informação de que você possui uma musa inspiradora, você confirma?
    Sim.

    É musa ou muso? UHAUHUHAUHAUHA
    Musa, seu merda.

    Você gosta de mulher? UHAUHAUHAUHAUHA
    Gosto caralho, que merda. Fdp da porra.

    Conte-nos a sua primeira experiência com o sexo oposto?
    Foi na sétima série, era um dia normal, acho. Não lembro como tava o céu, mas era calor. Eu fiquei com uma menina da minha sala. (bem que ele parece a JK Rowling descrevendo uma cena...)

    Sam, você concorda com a idéia de que o sexo feminino é o sexo frágil?
    Não, isso é bobagem.

    E qual foi a sua primeira resenha a ser reconhecida pelo publico?
    Hm, reconhecida acho que foi a do álbum Iowa do Slipknot. (Devo acrescentar que eu li essa)

    Você se acha melhor que o Bernardo enquanto resenhista?
    Não, definitivamente não. Mais bonito, talvez.

    E você pretende um dia passá-lo pra trás e ficar com o Dangerous Music só pra você?
    Não, nós juntamente com o Pedro somos uma equipe, às vezes tendo brigas como todos os amigos, mas eu não pretendo deixar nenhum dos dois pra trás.

    Mesmo que o grande amor da sua vida chegasse pra você e dissesse que se você o fizesse, ela ficaria com você pra sempre?
    Porra, isso é meio difícil, cara. (ahá então existe uma possibilidade de você ser passado pra trás hein, Bernardo? Fique esperto).

    Sam, se você pudesse comer alguém agora, quem você comeria?
    Ah cara, eu não posso dizer, sério.

    E pra finalizar, quais são as suas considerações finais sobre esse primeiro ano de Dangerous Music e o seu recado para a legião de incontáveis leitores que acompanham aquela merda em toda sua trajetória?
    Pra mim o DM é uma inovação na internet, muito foda mesmo! Mas ainda pode melhorar bastante, só se aplicar e tal. Quanto aos MEUS fãs, não fiquem tristes se eu não posto resenhas sempre, a espera vale a pena. E para todos os leitores, nós te amamos de verdade, sem vocês, nós não existiríamos!
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    Agora minhas considerações (Augusto):
    O DM tem sido responsável pelo aumento nas vendas de cd aqui em Orlando porque só por conta daquela porra eu já comprei uns 5 cds.

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    posted by billy shears at 1:44 PM | 10 comments

    sábado, dezembro 31, 2005
    Feliz ano novo!

    É o que deseja a equipe do blog quase aniversariante a todos os seus leitores. Obrigado a todos que acompanham desde o início, os que pegaram o trem andando, vocês sempre nos estimularam a seguir em frente, mesmo em tempos difíceis. Assim que fizer aniversário, o blog mudará de direcionamento. Calma... Não vamos resenhar hip hop, pagode ou coisas assim! Apenas deixaremos de nos dedicar exclusivamente a resenhas. Também começará a nossa busca por um lugar ao sol no ramo internético. Vamos ver como nossa futura campanha publicitária se sairá. Um obrigado a todos os leitores, resenhistas e ex-resenhistas, o criador desse blog não seria nada sem vocês. Talvez o blog não tivesse nem metade de seus posts!

    Um muito obrigado a todos, e um 2006 cheio de realizações, novidades e, como não poderia deixar de ser, Rock And Roll!


    "Long ago I wandered through my mind
    In the land of fairy tales and stories
    Lost in happiness I knew no fears
    Innocence and love was all I knew
    Was an illusion?"














    "Raining blood
    From a lacerated sky
    Bleeding it's horror
    Creating my structure
    Now I shall reign in blood!"
















    "but now the sun shines cold
    and all the sky is grey
    the stars are dimmed by clouds and tears
    and all i wish
    is gone away
    all i wish
    is gone away"

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    posted by billy shears at 9:54 PM | 3 comments

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