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    segunda-feira, abril 18, 2005
    Faith No More-Angel Dust


    1992. Nirvana e seu Nevermind tomavam o mundo de assalto. O Brasil ainda tinha uma MTV nascente, em que um dos artistas mais famosos era a banda Faith No More, que havia decolado graças ao seu álbum "The Real Thing" (de 1989), com a entrada do novo vocalista, Mike Patton. Sem espaço de tempo definido, o funk-metal de "Epic" tinha seu clipe tocado repetidas vezes. Outras músicas de alto calibre infestavam o álbum, como a poderosa "Falling To Pieces" (também com clipe executado na MTV), o contagiante rock de "From Out To Nowhere" e o cover de Black Sabbath para "War Pigs".

    A banda já era sucesso em Américas e Europa, rendendo até uma passagem pelo Rock In Rio '91, dado o grande público da banda no Brasil. E, dois anos de turnê mexeram com os neurônios da banda. O cover de "War Pigs" atraía a atenção do público headbanger, e a banda a substituiu pela balada "Easy" da banda Commodores. Mike Patton fazia mil e uma bizarrices durante o show, como urinar em si próprio e beber o próprio mijo, e declarar em entrevistas algo sobre tentativas de boquete em si mesmo, o que levantou a questão sobre a sexualidade do cantor. Na sua passagem pelo Brasil, ouviu um álbum dos Titãs, conheceu o Sepultura (uma das bandas que ele admirava) e fez amizade com João Gordo, inclusive dando de presente ao vocal do Ratos de Porão uma fita de vídeo cheia de sexo bizarro e escatologias.

    Muita expectativa era feita em cima do sucessor de "The Real Thing". A banda continuaria pesada, mas ainda com um apelativo comercial além-limite? Continuariam sendo uma banda de rostinhos bonitinhos para deixar um bando de menininhas excitadas, principalmente no caso de Patton, ou seja, obedecendo a vontade da gravadora? Ou as bizarrices que o cantor vinha praticando teria influência na banda?

    Confere a última resposta.

    "Angel Dust" já chegou maldito. Vendeu feito água, mas não em mesma quantidade do anterior. E, com certeza, nem poderia. O que era levemente irônico e era meio estranho em seus videoclipes, davam lugar à esquisitice total. Foi uns dos discos que inaugurou o termo "suicídio comercial", mas classificá-lo apenas como isso, seria até erro. Merece um estudo mais aprofundado. Mike Patton aparecia estranho, bizarro e doentio, trazendo para o som do Faith No More todo o experimentalismo que usava na sua banda paralela, o Mr. Bungle. Composto quase sem a participação do guitarrista Jim Martin-reza a lenda que ele apenas mandou as bases da guitarra gravadas em fita K-7. Sonoramente, a banda evoluía também, incorporando com sucesso elementos eletrônicos e teclados climáticos.

    O clima sombrio já soa forte na primeira canção do álbum, "Land Of Sunshine", apresentando o clima que vai perdurar o álbum inteiro: se o sonho acabou, como disse Jonh Lennon, Angel Dust transforma um fim de sonho no início de um pesadelo esquizofrênico. O peso da guitarra, a intensa bateria de Mike Bordin, o ameaçador baixo de Billy Gould e o desafiador clima emitido pelo teclado de Roddy Bottum, contracenavam com vocais de Patton ou vocais de fundo puramente irônicos, que contracenavam com risadas (Eis algumas das ironias cantandas por Mike: "You have a winning day, so keep it/Your future/You're an angel heading for a land of sushine/and fortune is smiling upon you".."Does emotional music have quite an effect on you?/Do you feel sometimes that age is against you?/Sing and Rejoice!/Yeah, Sing And Rejoice!").

    O álbum continua pesado, sombrio e estranho em "Caffeine", que começa pesada, vai para um ambiente abandonado de terra destruída sugerido pelo teclado. Os vocais de Mike são incessantes, lunáticos e neuróticos. Chega-se a vez do quase-hit do álbum (não que não tenha feito sucesso-mas, é um dos hits mais esquisitões que eu já vi) "Midlife Crisis", com seus versos sussurrados e refrão gritado. Um teclado sinérgico e efeitos eletrônicos soam altos nessa música.

    Difícil continuar...quase todas as músicas hipnotizam. "RV" chega a assutar de tão neurótica que é a sua letra ("Backside melts into a sofa/My world, my TV, and my food"..."Someone taps on me on the shoulder every 5 minutes/Nobody speaks english anymore"..."I think it's time I had a talk with my kids/I'll just tell 'em what my daddy told me/YOU AIN'T NEVER GONNA AMOUNT NOTHIN' "). Seu arranjo remete a uma trilha cinematográfica de filme antigo, e impossível não prestar atenção à voz de fanfarrão bêbado e gordo que Mike encarna.

    "Smaller And Smaller" remete um pouco ao Faith No More do álbum anterior mas persiste sombria, e "Everything's Ruined" (porque não dizer que o título dessa música é um resumo de todo o conteúdo do álbum?) tem um início calmo para descambar em guitarras pesadas e vocais incessantes, e partes que podem ser consideradas até-pasmem, para este álbum-felizes. "Malpratice" deve ser a mais porradona da bolacha, lembrando até um heavy metal tradicional abortado de forma violenta, mas ainda tão pesado quanto. Prova disso é uma certa diminuída que ela dá em certa parte, com o teclado soando como o de um filme infantil, para o peso invadir a estrutura de novo.

    "Kindergarten" é, junto com "Malpratice" e "Jizzlobber" as músicas mais Heavy Metal de todo conteúdo presente aqui (com os Riffs lembrando Bad Brains e Sepultura fase "Roots"), apesar de ainda bem distorcidas do caminho que uma música tradicional desse tipo deveria seguir. Barulhos radiofônicos em certa parte, prosseguem com a viagem. A letra, igualmente neurótica, falando sobre ser reprimido, excluído e educado na base da violência. "Be Agressive", com seu início quase que medieval de teclado, até, se mostra bastante irônica, com um coro de cheerleaders gritando insistentemente o nome da canção. Mike Patton dita uma linha vocal sempre desafiadora (gritando "I swallow, I swallow, I swallow", antes do coro).

    "A Small Victory" reflete a habilidade da banda em soar acessível e sombria, pop e estranha, comercial e fora dos padrões ao mesmo tempo, na mesma canção. Diga-se de passagem, uma forma brilhante de estragar um hit. O seu final entrega isso (merecendo até tradução: "se eu falar em um volume constante/ num tom constante/ num ritmo constante/ diretamente no seu ouvido/ você ainda não irá ouvir").

    Sombria e pulsante, "Crack Hitler" fala sobre o cotidiano de um traficante. A voz de Patton parece vinda de um rádio nos versos, mostrando que a esquizofrenia continua imperando forte. Em "Jizzlobber" o peso soa alto novamente, valendo-se de guitarras graves e furiosas e Mike berrando, muito, sem limite ou senso de aceitação do que é aceitável para ser ouvível. "Midnight Cowboy" é outra irônica em um clima tão pertubador imperando no panorama geral. É o tema versão folk do filme "Perdidos na Noite", tocado por Roddy Bottum no acordeão; mas novamente, sem chance de fazer sucesso; soa até brega. E a banda inclui no álbum o cover de "Easy" dos Commodores, esta sim a faixa mais comercial; mas, egressos de um público heavy metal, gravar uma faixa de teor pop é pedir para ser xingado.

    Todas as características da piração pode-se ter a partir de título e capa-Angel Dust é o nome de um substância ilegal extremamente viciante; quanto à capa, em que você vê um cisne levantando vôo, na contra capa se tem uma cabeça de vaca, frangos depenadas e etc.-um açougue em plena atividade. Seria a insinuação da tentativa de tentar soar comercial,pop,audível, e ao mesmo tempo esquizofrênico, pesado e sem sentido?

    Não é pecado dizer que esse álbum foi uma bomba na banda-fazendo o guitarrista Jim Martin tirar seu time de campo, deixando espaços para uma roda de guitarristas, entre outros membros de outros instrumentos que passariam pela banda. Depois disso, seriam gravados o subestimado e mal-amado "King For A Day, Fool For A Lifetime" (indicado por alguns como o álbum geratriz do New Metal) e "Album Of The Year"- o último de estúdio da banda, realmente, o mais fraco, mas que nem por isso deixa de ter seus méritos.

    Hoje, Mike Patton trabalha em seus inúmeros projetos, como Mr. Bungle, Tomahawk, Fantomas,Lovage, e outros que não me lembro agora, e abriu a gravadora Ipecac, dedicada a projetos próprios (todos marcados por experimentação e não-comercialismo, desnecessário dizer) e artistas do seu interesse. O baterista Mike Bordin tocou um bom tempo com a banda solo de Ozzy Osbourne, tocou em participações com Jerry Cantrell (Alice In Chains) e ajudou o Korn por uns tempos, sendo hoje em dia baterista freelancer. Roddy Bottum deu continuidade à sua banda paralela Imperial Teen, com seus álbuns rendendo bons resultados no cenário indie. Billy seguiu tocando com o Brujeria e deu início a uma gravadora obscura, trabalhando em grande maioria com artistas latinos. Jim Martin ficou meio parado depois que saiu da banda- tocou em projetos obscuros, inclusivo o disco solo intitulado "Milk And Blood", e hoje reside em um rancho interiorano.

    Como já dito "Angel Dust" provocou um barulho dos diabos, deixando claro que nada mais seria como antes. A sombra dele permanece até hoje. Depois disso, o cenário continuaria muito bonitinho, com as bandas da mídia agindo sobre movimentos frios e calculistas de seus empresários. Antes e depois do álbum resenhado aqui, sempre foi realidade, e é desafio que poucos conseguem encarar, nadar contra a maré desse modo. E, com a idéia do álbum suicida, nos anos 90, ninguém ousou, assustou e literalmente, botou pra fuder como o Faith No More fez.

    Marcadores:

    posted by billy shears at 11:15 PM

    1 Comments:

    Blogger Eduardo Inácio disse:

    Ótima resenha!!! Parabéns!!

    10:44 PM  

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