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    terça-feira, setembro 02, 2008
    Primal Scream - Screamadelica



    Você já mergulhou nas microfonias sombrias de The Jesus And Mary Chain? Das frases curtas e guitarras vigorosas do My Bloody Valentine? E as viagens dos Stone Roses? Caso não tenha, faça isso imediatamente. E no embalo, aproveite e conheça o Primal Scream, que tem como cabeça principal do grupo o insano, porra louca e brilhante escocês Bobby Gillespie, ex-baterista da banda dos irmãos Reid que em nada fica devendo para os dois em matéria de qualidade musical.

    Vindos de uma época em que o rock teve sua mais acertada aproximação e afinidade com a música eletrônica (já que, em tempos atuais, isso foi desgastado por um exército de bandas que fazem apenas pastiche do que já foi feito de melhor), o grupo sempre foi afeito a trips tanto musicais quanto pessoais, levando um estilo de vida tão experimental quanto a sua música, combinando um negro rock com essa música que surgia timidamente e logo iria estourar com ícones noventistas como Daft Punk. Mas antes disso, em casas undergrounds do Reino Unido, levando toda uma geração do final da década de oitenta a ser chamada de acid-house. Nome este, convenhamos, mais que acertado ao combinar as batidas padronizadas e descoladas de um circuito ainda pequeno com a psicodelia alucinógena de um estilo musical já consolidado.

    Mas foi no início dos anos noventa, quando Kurt Cobain e seus amigos grunges começaram a despontar na terra do Tio Sam, que Bobby cravou junto com seus companheiros seu disco definitivo, um dos melhores discos da década e, por consegüinte, de toda a história da música recente. O nome era "Screamadelica", e respirava um frescor inteiramente novo. A proposta do disco era, simplesmente, simular todos os efeitos de uma viagem de ecstasy musicalmente. O resultado? Bom, garanto que se algum clubber desse uma olhada (ou melhor, uma ouvida0 nisso aqui, o mercado dessa substância teria um sério concorrente para competir...

    Alucinado e genial na mesma proporção, "Screamadelica" cita a tudo e a todos durante a sua viagem pelo subconsciente da cabeça nem um pouco convencional de Gillespie; "Movin' On Up" tem cara de ter saído de algum disco sessentista dos Rolling Stones, tanto que o produtor dessa música é Jimmy Miller, o mesmo do disco "Beggar's Banquet", da turma de Jagger é companhia. Pianos, bongôs, muito groove e um refrão com ginga de negão. "Slip Inside This House" e "Don't Fight It, Feel It" flertam com a música house e a new wave, em perfeito equilíbrio. "Loaded", com vocais gospel, não sabe se é jazz ou dance music, mas ainda assim barbariza. E, caramba, ainda tem "Higher Than The Sun", uma obra-prima totalmente viajante que vão morrer chamando de psicodélica, alucinógena, lisérgica e tantos outros nomes e ainda não chegarão nem perto da experiência surreal, inconsciente e inconsequente que é ouvir essa peça.

    O Primal Scream, doido que eles eram, não reinaram absolutos. Seus companheiros de movimento o acompanharam com igual brilhantismo, e todos influenciaram grande parte do Rock que viria a seguir, como toda a geração britpop e grande parte do rock indie atual. E em meio a ainda muita doideira, Bobby Gillespie e seus comparsas ainda continuam representando um oásis de de música criativa - seja, no caso, a atemporalidade do ácido de "Screamadelica" ou seus álbuns mais recentes - instigando e hipnotizando o ouvinte. Por isso, meus caros, apaguem essa porcaria inútil de IDoser dos seus computadores. Se vocês querem sentir barato ouvindo alguma coisa, vão ouvir Primal Scream!

    "I've glimpsed,
    I have tasted,
    fantastical places
    My soul's an oasis,
    higher than the sun"

    Músicas:
    01.Movin' On Up
    02.Slip Inside This House
    03.Don't Fight It, Feel It
    04.Higher Than The Sun
    05.Inner Flight
    06.Come Together
    07.Loaded
    08.I'm Comin' Down
    09.Higher Than The Sun (A Dub Symphony In Two Parts)
    10.Shine Like Stars

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    posted by billy shears at 9:39 PM | 14 comments

    segunda-feira, agosto 04, 2008
    MÚSSÊ? MÚSÊ? MUSÊ? MUSE! MUSE! MUSE!


    But I'll never let you go
    If you promise not to fade away
    never fade away

    Our hopes and expectations
    Black holes and revelations


    Prometendo fazer um show em menor formato sem dispensar a intensidade das grandes apresentações, Matthew; Christopher e Dominic entraram no palco do Vivo Rio no Rio de Janeiro depois de uma abertura tumultuosa de Jay Vaquer e muitos gritos da platéia eufórica embalados pela já famosa introdução
    Dance Of The Knights, as palmas ritmadas e muitos ôôô da Knights of Cydonia que de leve ia tomando lugar diante de nossos olhos e ouvidos.
    Escutar Muse é sem dúvida embarcar num universo paralelo, um misto de dor com felicidade, uma euforia incurável, e esta música mais que qualquer outra nos deixa ciente de que a nave mãe chegou para levar seus pequeninos numa viagem inesquecivel.
    Enquanto
    "No one's gonna take me alive/ The time has come to make things right / You and I must fight for our rights/ You and I must fight to survive" iam aparecendo no telão central do palco, podia-se ver pessoas perdendo a cabeça e pulando numa sincronia linda.

    Depois de ficar bem esmagada, e ainda me segurando na grade, dei meu ''primeiro'' grito oficial da noite ao ouvir os acordes de
    Hysteria, finalmente tinha realizado que estava num show do Muse e que não era de mentirinha, nem em DVD, aposto que muitos fãs se sentiram assim entre os dias 3o de junho a 2 de agosto, quando os caras fizeram sua ultima apresentação em Brasília, no Festival Porão do Rock. Nessa hora já tava todo mundo acabado, cantando junto todas as frases e os caras esboçando uma alegria absurda enquanto tocavam, o que, claramente transparecia nos vocais de Matt. The Groove com cerca de 2 minutos de Jam Session levaram os fãs mais xiitas da banda ao delirio e deu aqueles menos desavisados uns minutos de descanço, nessa hora deu pra perceber como o agito diminuiu e a casa ficou mais tranquila, a guria que tava na minha direita até parou de pisar loucamente no meu pé e deu pra pular com mais facilidade! Foi fantástico (a música e, claro, poder pular sem machucar o pé). Ensaiando um "Obrigado Rio de Janeiro, Amamos Vocês", Matthew Bellamy seguiu agitando o povo na palma para começar com Dead Star que arrancou um ou outro suspiro enquanto o cara loucamente cantava linhas brilhantes como "Shame on you / For thinking you're an exception / We're all to blame / Crashing down to Earth". Um momento de extremo ecstasy no show, mais um momento de relaxamento pros desavisados...
    Map Of The Problematique e os "WOW WOW WOW WOW" somados a aplausos da platéia fazem os caras olharem uns pros outros e darem aquele sorriso bonito que todo fã quer ver, nessa hora, se bem me recordo, Matthew Bellamy já tinha tirado a jaquetinha e exibido uma bela camisetinha branca, dividindo o calor do Vivo Rio com o povo esmagado na pista e os não-esmagados da pista VIP. O mais incrível é que os agudos do cara vão a potência máxima e ainda assim sua voz é delicada. Finalizando a música de forma brilhante e alternativa, puxando um rock and roll bem mais seco e pesado do que o anterior.

    Uma pausa para respirar e as luzes piscantes e o vídeo no telão central anunciavam o ínicio de
    Supermassive Black Hole, um dos pontos altos da noite porque os caras já estavam bem mais a vontade com o público, que respondeu da melhor forma possível.
    Se a gente achava que não podia ficar melhor, a casa toda escurece de modo que as luzes azuis do palco ficam ainda mais aparentes, enquanto vozes entoam no escuro, emocionadas"
    Change everything you are / And everything you were / Your number has been called". Com as luzes já piscando e muita (mes-mo) emoção saíndo de todos os lados para todos os lados, Butterflies And Hurricanes é o ápice! Pois, O QUE É AQUELE PIANO, MATTHEW BELLAMY? O cara matou todos nós do coração, uma das coisas mais lindas de se ver ao vivo... Não tem como descrever, só vendo mesmo, segue o link: http://www.youtube.com/watch?v=VywqqYkI230

    Depois disso,
    Sunburn, todos cantando juntos, dando uma escorregada na letra, chorando, gritando. O que o povo não faz por um hit, não é?
    Cansado, Matt dá uma sentadinha no piano e, como não quer nada, os caras lançam uma pequena introdução em jazz que segue de
    Feeling Good e muitos papéis picadinhos lançados do bolso de várias pessoas na platéia. No telão vemos imagens bonitinhas e irônicas, todos cantam juntos " Stars when you shine you know how I feel / Scent of the pine you know how I feel / Oh freedom is mine / And I know how I feel." Mas é quando a bateria de Dominic aquietasse e, quietinha, anuncia que Matt vai pegar no auto-falante que todo mundo vai ao delírio. O pessoal joga mais papel picado e os caras arremessam uns 'presentinhos' pros fanáticos colecionadores de plantão.
    A maravilhosa
    Osaka Jam (!!!) e um bocado de aplausos, Invincible e um bocado de choradeiras, aquelas imagens de criancinhas e de índios... Ai ai... Mas é em New Born e seus dois riffs sequenciais que o show saí da depressão e volta com tudo, seguido da aclamada e famosissima Starlight (e o começo dos olê olê olê musê musê)...
    Mas é a introdução improvisada em
    Bossa Nova de Time Is Running Out que leva o troféu da noite, mais uma que não dá para simplesmente falar, todos os cariocas se sentiram homenageados ao máximo nessa hora e a banda parecia se divertir bastante : http://www.youtube.com/watch?v=N4DDMH3v9qU Um momento do show curto porém eterno.
    E, é soltando balões (enormes!) de felicidade que Muse, supostamente, acaba o show com
    Plug In Baby e todo mundo lutando por um pedacinho dos balões... Lindo, lindo. Uma mega produção em tamanho de bolso, e muita distorção daquelas que sua vizinha não suportaria escutar mas você teima colocar no último volume. MARAVILHOSO!

    E, depois do breu final do show os cariocas pedem mais, muito mais. Tá todo mundo com gostinho na boca e a barriga ainda num tá cheia, e é aí que o cantigo entoa, dessa vez vindo da platéia para os caras: Olê olê olê olê Musê Musê! Olê olê olê olê Musê Musê! Olê olê olê olê Musê Musê!

    Alguns minutos de espera, que, definitivamente valeram a pena. Quem saiu e desistiu de ver as duas músicas finais deve se arrepender amargamente, pois
    Stockholm Syndrome com seu final modificado deu lugar a maravilhosa Take A Bow, as duas foram elétricas!

    Yeah you'll burn in hell For your sins, Muse. Ai ai ai, Deixar o povo todo querendo mais, com toda aquela fumaça no final?

    Bem, shows sempre foram meu ponto fraco... Passo fome no lanche da escola mas não deixo de juntar uma grana pros mais bacanas que vão rolar, o Muse valeu todos os dias de barriguinha vazia pela manhã! E como valeu.
    Agora é só esperar, dizem que a banda gostou tanto do público brasileiro que quer voltar em breve.

    E, que venham com muito mais bossa nova que a gente vai melhorar os gritos no silêncio (porque chega de olê olê né?!) e afinar os uuuuuuuuh dos refrões.
    Esperaremos.

    :* Liz

    posted by Luiza Liz at 3:15 PM | 0 comments

    sábado, agosto 02, 2008
    The Kinks - The Kinks


    Qual fã dos anos sessenta que não é maluco pelo The Kinks?

    O quê? Você conhece pouco dos anos 60? Só chegou a ouvir Beatles e Rolling Stones e no máximo ouviu falar de Bob Dylan? Bom, pelo menos deve ter passado uma excelente impressão da década, não é mesmo? Pois então, os Kinks surgiram lá na Inglaterra, junto com as turmas de Lennon e Jagger e outros grupos como The Who, Small Faces, The Animals, Manfred Mann e Yardbirds, explodindo na primeira metade da década e invadindo as praias estadunidenses, fazendo a cabeça de um considerável pessoal que mais tarde também montaria suas bandas clássicas e também seriam igualmente influentes. A proposta era muito simples: o já gigantesco rythym and blues e rock and roll de negrões cinquentistas como Chuck Berry e Bo Diddley, só que releito por garotos brancos ingleses, abandonando a condição de música sensual e provocante feito por um grupo discriminado e alçando ora uma verve romântica e melódia tirada do pop, ora o blues agitado que pôs toda uma geração no embalo de guitarras.

    Porém, assim como o The Who, o Kinks ia além, exagerando mais ainda na gritaria e intensidade de suas canções. Mas se não ganhavam no grito da selvagem banda de Pete Townshend, a banda dos briguentos irmãos Ray e Dave Davies - ambos cantores, guitarristas e compositores principais da banda - se destacava por tratar de temas inusitados, com humor ácido e romance de cabeludos abusados combinado com refrões grudentos, backing vocals altamente cantaroláveis e energia de sobra nos riffs rápidos, incisivos, simples e memoráveis.

    O primeiro álbum é dos exemplos mais bem-acabados do conjunto de características do grupo, um resultado final que na sua época era capaz de agradar mods, rockers, pré-punks, músicos de garagem, jovens rebeldes, revoltados reprimidos... E hoje relaxa tranquilamente como um dos grandes clássicos do Rock da sua época. Para quem quiser o rock mais agressivo, há a faixa de abertura "Beatiful Delilah", rápida, berrada, descompromissada, divertida e que não dá descanso aos ouvidos; e também a primeira canção do rock a popularizar os power chords, "You Really Got Me", um rythm and blues com guitarra distorcida, com letra romântica e vocais esgoelados, o que fez de ser de enorme influência, anos mais tarde, em estilos como o punk e o hard rock, inclusive tendo uma regravação feita pelo extravagante Van Halen logo em seu primeiro disco. Há também aquelas não tão berradas, mas igualmente cativantes, como "I Took My Baby Home" e "Just Can't Go To Sleep". O humor diferenciado da banda aparece de forma hilária mas nem por isso menos excelente "Bald Headed Woman" (referência ao sucesso cinquentista "Hard Headed Woman" - só que no caso, a mulher de cabeça difícil virou uma mulher de cabeça careca!), "I'm A Lover Not A Fighter" e "Too Much Monkey Business", essa uma regravação ao estilo Kinks de se tocar do eterno mestre Chuck. Não poderia deixar de citar, ainda, a última faixa "Got Love If You Want It", uma cadenciada e marcante canção que figura facilmente entre as três melhores do disco.

    Se você conhece, provavelmente é fã desses ingleses e sabe a importância deles na história, ainda que eles não sejam bambambams feito os Stones e os Beatles. Se você não conhece, mas curte um agito dos brabos, daqueles para durar uma festa inteira, esse disco é um dos essenciais. Energia, animação, paixão e, principalmente, rock and roll na dose certa. Nunca vi ninguém ficar tão mal-humorado depois de ouvir uma das mas adoráveis crias de uma era tão, desculpe a nostalgia e o clichê do termo, mágica.

    "See, dont ever set me free
    I always wanna be by your side
    Girl, you really got me now
    You got me so I cant sleep at night

    Yeah, you really got me now
    You got me so I don't know what Im doin, now
    Oh yeah, you really got me now
    You got me so I can't sleep at night

    You really got me!"

    01 Beautiful Delilah 2:07
    02 So Mystifying 2:53
    03 Just Can't Go to Sleep 1:58
    04 Long Tall Shorty 2:50
    05 I Took My Baby Home 1:48
    06 I'm a Lover Not a Fighter 2:03
    07 You Really Got Me 2:13
    08 Cadillac 2:44
    09 Bald Headed Woman 2:41
    10 Revenge 1:29
    11 Too Much Monkey Business 2:16
    12 I've Been Driving on Bald Mountain 2:01
    13 Stop Your Sobbing 2:06
    14 Got Love If You Want It 3:46


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    posted by billy shears at 5:17 PM | 3 comments

    sexta-feira, abril 18, 2008
    caetano veloso – caetano veloso (1969)


    ok, talvez você também não goste muito de caetano veloso. é compreensível. quero dizer, o cara não é exatamente o artista mais amado do mundo. ele é controverso. alguns o chamam de gênio, outros de prepotente. sua vida pessoal contamina sua imagem musical. alguns pensam nele apenas como um baiano que cria músicas pop. não cabe a mim defini-lo. se você já leu até aqui, imagino que goste dele o suficiente para pelo menos ter uma certa curiosidade. pois bem. caetano veloso é um músico único. em 1969, logo depois do orgasmo tropicalista, e logo depois também de ser preso no rio de janeiro por suas idéias amalucadas acerca da sociedade e música e política e comportamento etc., preso num estúdio em salvador, bahia, ele e gilberto gil gravaram o grosso de um disco que foi mandado a são paulo, onde o maestro rogério duprat acrescentaria os instrumentos que faltavam, desde os de sopro até as guitarras elétricas. pois sim, guitarras elétricas. esse é um disco de rock, ou quase. aliás: de rock, não. de tropicalismo transbordando rock psicodélico. não é nenhum absurdo considerar esse álbum uma das maiores obras de rock brasileiro de todos os tempos. mas isso não importa muito, aqui o absurdo é normal.

    é muito fácil imaginar o que se passava na cabeça do então jovem caetano: uma corrente de ritmos, desde o rock and roll até o tango, passando pelo samba, pelo rock psicodélico, pela bossa nova, pelos beatles e por outras maluquices generalizadas. ter isso tudo na mente não é grande coisa. se fosse, o brasil seria a maior potência musical do mundo, porque aqui os artistas são todos muito ecléticos. mas conseguir juntar isso tudo numa só gravação, num disco linear, misturar esse caldeirão de barulhos num som único e envolvente, ha, meu caro; isso poucos conseguiram. e é por isso que essas canções devem ser não apenas analisadas, mas, principalmente, ouvidas. pelo menos esse recohecimento elas merecem, e como merecem. mas não tente resistir - ouça e ouça novamente, compre em lp e faça o vinil ser riscado pela agulha, baixe tudo de uma vez e encha seu hd com esses versos, grave em cd e beba aos poucos de uma garrafa ao som de caetano, bote numa fita cassete e dê de presente - viaje!

    é com ''irene'' que se abre a obra-prima. ao som de ''um, dois, três'', entra uma melodia de violão, alegre e encorpada, que se mistura a flautas, algumas guitarras, e alguns ruidinhos viajantes. a letra, que não chega a ser alegre, mas sim otimista, fala sobre um tal, que narra a vontade de partir e a admiração pela moça: ''eu quero ir, minha gente/eu não sou daqui/eu não tenho nada/quero ver irene rir/quero ver irene dar sua risada'', sendo que esse último verso é seguido por uma jorro de flautas que imita a risada da irene, essa que começa a dançar em frente aos seus olhos junto às cordas, aos sopros de felicidade, à voz, dentre os outros risos. as influências são meio distorcidas, pode-se ouvir uns batuques baianos atrás, um violão, no fim guitarras gritantes... tem uma atmosfera que nos lembra as faixas acústicas do white album dos beatles - o que não é estranho, levando em conta que esse disco não deixa de ser o álbum branco de caetano. já abriu um sorriso? se sim, ótimo. e prepare-se, tem mais alguns a caminho.

    se ao ouvir os acordes tristes do começo de ''the empty boat'' você pensar que se trata de uma canção melancólica, estará certo. mas não é só disso que se trata: aqui a beleza é feita da leveza das cordas, do canto, em inglês: ''da popa ao arco/meu barco está vazio/meu coração está vazio'', ''do leste ao oeste/a corrente é longa/sim, meu sonho está errado/do nascimento à morte'', até que mais elementos caóticos são acrescentados nesse refrão, que se repete como um choro que não pára - choro esse que a guitarra faz questão de acompanhar. esse sentimento de partida permeia todo esse disco, talvez porque o autor, depois de tantos problemas com a ditadura, já imaginava que teria que deixar o brasil em breve; como de fato fez, quando foi com gil a londres para um exílio, onde ficaria até '72. é uma tremenda viagem...

    uma guitarrinha abre uma música folclórica, onde já se viu? ''marinheiro só'', canção que provavelmente os escravos cantavam nos tempos em que zumbi ainda andava por aí com a cabeça no corpo, recebeu uma roupagem toda nova de caetano. cantando uma singela letra sobre um marinheiro solitário, o baiano assume suas raízes e nos envolve nesse ritmo dançante, que pode ser sapateado ou por seus batuques africanos, ou por seus solinhos à la hendrix. não se surpreenda se se pegar cantarolando ''eu não sou daqui/eu não tenho amor/eu sou da bahia/de são salvador'' - dance, curta, aproveite como se aproveita as melhores canções. se possível, agarre seu amor e suspire em seus ouvidos os versos. um êxtase apaixonante, mesmo.

    você começa a ouvir e acha que é uma bossa nova de gringo. ledo engano, falta grave: ''lost in the paradise'' tem um começo meio tim-tim-tim tim-tim-tim-tim, mesmo, é verdade. mas o refrão, outro exemplo da música brasileira em inglês, ''não me ajude, meu amor/meu irmão, minha menina/só me diz o nome dela/só me deixa dizer quem eu sou'', começa como uma seção da música com instrumentos de sopro, mas então vira um rock agitado, e aposto que de novo vai ser difícil resistir o canto. um clima mais psicodélico se abre nos intervalos, com os versos ''seus grandes dedos brancos de plástico/cercam meu cabelo verde-escuro/mas não é sua mão direita desconhecida''... aqui a gente é cativada pelo vocal, que tem uma capacidade incrível de convidar para pular.

    vamos assumir: brasil é terra de carnaval. mas ninguém disse que marchinha não pode ser um troço rock 'n' roll. ''atrás do trio elétrico'' é a maior prova disso. esse lanny não toca guitarra, ele faz mais: transforma qualquer coisa em música elétrica. agora é a hora de fazer fila indiana e sair pulando e cantando ''atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu/quem já botou p'ra rachar/aprendeu que é do outro lado/do lado de lá do lado/que é lá do lado de lá''. música brasileira em todas as suas formas: é disso que se trata.

    o fado português é um gênero musical com um ar que transpira a europa, com umas cordas saltitantes e letras que tratam da saudade. em ''os argonautas'', não apenas é usado o tal estilo, como também chega a ser uma ode ao povo de portugal, desde o sotaque até a metáfora dos navios - e aqui ao ouvir nós ficamos navegando pelas ondas que embalam os versos, ''o barco, meu coração não aguenta/tanta tormenta/alegria, meu coração não contenta/o dia, o marco, meu coração/o porto, não''. uma experiência única: passaporte direto para a península hibérica. pusta música.

    com um desafino tão bem colocado que fica belo, caetano começa ''carolina'', bossa nova de chico buarque, que aqui fica com um tom bem mais intimista, calado, e, por que não?, romântico, com seu tom de serenata. mas como é de praxe neste disco, os momentos de calmaria se entrelaçam com tocadas mais agitadas, que parecem correr por seus olhos. para terminar, alguns violinos choram por carolina. definitivamente, todas as caróis desse mundo são privilegiadas.

    ''que o mundo foi e será uma porcaria, já o sei...'': começa assim ''cambalache'', um tango maluco cantado em espanhol... se quiser se sentir na própria argentina, é só ouvir. o clima é o mesmo, cheio de reviravoltas teatrais, choros castellanos. claro que caetano não poderia deixar de ser louco, e vai botando algumas piadas no meio da letra, como, por exemplo, citações aos beatles. mas isso não tira a originalidade da faixa, que é na verdade uma regravação de uma canção antiga, que chegou a ser gravada por carlos gardel. aqui você decide entre entrar na dança ou só rir. aos que falam espanhol, é um poço de interpretações.

    se antes a beleza era algo puramente lírico, aqui chega ao nível onírico. a guitarra, no começo de ''não identificado'', soa como a chuva caindo (talvez fosse essa mesma a intenção), chuva essa que ajuda a delinear a voz que canta ''eu vou fazer/uma canção p'ra ela/uma canção singela/brasileira/para lançar depois do carnaval'', e continua a embalar esse ambiente de sonhos, até o momento que explode em surrealismo corrente, quando os acordes se tornam mais e mais distorcidos e a canção de amor se transforma numa verdadeira viagem, dizendo ''minha canção há de brilhar na noite/no céu de uma cidade do interior/como um objeto não identificado'' etc. puta que o pariu, poucos artistas brasileiros conseguiram tamanho sucesso com uma música que, se não pode ser considerada tão boa quanto a psicodelia estrangeira, é ainda melhor!

    essa aqui, ''chuvas de verão'', não é muito mais que uma canção de amor... mas que canção. com um ritmo arrastado, como que dançante, caetano chora ''podemos ser amigos simplesmente/coisas do amor nunca mais/amores do passado no presente/repetem velhos temas tão banais/ressentimentos passam como vento/são coisas de momento, são chuvas de verão''; perfeita para ser dançada a dois ou, simplesmente, para se assobiar junto, ou ainda com o intuito de se perder entre os versos que parecem escorrer de seus alto-falantes.

    qualquer descrição da faixa seguinte, ''acrilírico'', seria um engano. como poema falado que é, seria mais cabível aqui a transcrição da letra:

    olhar colírico
    lirios plásticos do campo e do contracampo
    telástico cinemascope
    teu sorriso
    tudo isso
    tudo ido e lido e lindo e vindo do vivido
    na minha adolescidade
    idade de pedra e paz
    teu sorriso quieto no meu canto
    ainda canto o ido o tido o dito
    o dado o consumido
    o consumado
    ato
    do amor morto motor da saudade
    diluído na grandicidade
    idade de pedra ainda
    canto quieto o que conheço
    quero o que não mereço
    o começo
    quero canto de vinda
    divindade do duro totem futuro total
    tal qual quero canto
    por enquanto apenas mino o campo ver-te
    acre e lírico o sorvete
    acrilíco santo amar(g)o da pu(t)rificação

    para terminar essa insanidade toda, ''analfômega''. composta por gilberto gil, esse rockzinho (sem guitarras, porém) se estende encorpando a letra, que fica com o canto mais aloprado conforme seus versos se tornam mais confusamente interpretativos. em resumo: é maluquice crescente, mas de uma maneira incrível. poema puro, que pode ser entendido da maneira que for mais interessante: ''o analfomegabetismo/somatopsicopneumático/que também significa/que eu não sei de nada sobre a morte/que também significa/tanto faz no sul como no norte/que também significa/deus é quem decide a minha sorte''. disso não passa, mas essas poucas palavras sintetizam perfeitamente todo o pensamento da época: completa falta de sentido, mas que, se olhada atentamente e, principalmente, com o espírito próprio, faz qualquer um se sentir como que falando tudo e nada ao mesmo tempo. nessa canção em especial, uma negação absoluta à toda à caretice da época, ao falar difícil, ap parecer culto, e também uma celebração à vida, ao não se preocupar, ao confiar em algo além desse mundo, longe de todo o perigo dos militares... bobagem? talvez. mas talvez seja também um canto espontâneo, cru, humano, natural e cada vez mais - ontem, hoje e, se tudo der certo, sempre - nosso.

    aos que acharam o disco ou a resenha uma merda, meu sincero ''foda-se''. aos que se interessaram ou já conhecem algo ou tudo do disco, minhas congratulações. aos que quiserem ouvi-lo, abaixo o link para download. e bom proveito!

    baixar aqui

    ou baixar aqui.

    posted by gabo faria at 1:41 AM | 3 comments

    terça-feira, abril 08, 2008
    Bob Dylan - Blonde on Blonde


    Desculpem a falta de imparcialidade, mas, nada do que você ler abaixo é uma resenha. É mais uma declaração mesmo, um agradecimento, uma mostra de admiração... Que na verdade nem deve ter sido com tal intenção, mas quando o som chegou até os ouvidos... A vida não podia ser mais a mesma sem anunciar aos sete ventos que maravilha do mundo moderno eu estava testemunhando... E se não o fiz antes... Bem, antes tarde do que nunca, diziam os sábios.

    Além do que, se eu me obrigasse a ser imparcial, você leria tudo o que você já sabe. É novidade que o americano Robert Allen Zimmerman é uma das figuras mais emblemáticas em matéria de música, cultura e comportamento no século vinte? Não. Você já tem plena noção disso. Que ele compete em pé de igualdade com Frank Sinatra, James Dean, Charles Chaplin, Elvis Presley, Marlon Brando, The Beatles, os Rolling Stones? Que há mais de quarenta anos o músico poeta (ou seria poeta músico?) pegou seu violão e exprimiu a primeira frase que o catapultaria das sombras para os holofotes em sua composição "Blowin' In The Wind": "Quantas estradas precisará um homem andar/Antes que possam chamá-lo de um homem?".

    Daí em diante, foi céu e inferno para o cantor. Os vampiros da mídia o cercando por todo lado como um novo messias, a transição da música folk para o seu folk-blues-rock and roll elétrico e altamente autoral e a conseqüente revolta de antigos fãs que não toleraram tal mudança, frustrações, conversão ao cristianismo, ostracismo... O homem que encarnou Dave Van Ronk e Arthur Rimbaud, que foi além de ser mera mistura de Dylan Thomas com Woody Guthrie conheceu todos os ritmos, estradas e pessoas. E todas elas foram registradas em alguma das mais geniais poesias do século. E depois ganharam cordas, voz e todo um novo alcance.

    Escolher o melhor disco de Dylan para disponibilizar é injustiça. Mais justo seria disponibilizar de uma vez todos os seus discos. Então vai um aleatoriamente. Um dos meus preferidos "Blonde on Blonde". Quem acompanha o blog sabe que eu tenho aquela mania de falar que não dá pra expressar tudo nem se eu realizar uma monografia. Mas juro que não é hábito de preguiçoso. É que me sinto tão herético em interpretar, impôr interpretações, descrever cada entonação, virada ou melodia... Principalmente em discos como esse.

    Como não se render à chapaceira anárquica, divertidíssima e dançante de "Rainy Day Women #12 & 35"? Em que no som mais "Memphisniano" que já atingiu, fala que todos querem deixa-lo alto, chapado e ligadão... E conclui dizendo que "eu não me sentiria tão sozinho/todo mundo deve ficar alto!". E os sete deliciosos minutos de "Visions Of Johanna", com sua letra nada menos que sublime?

    Também é animador notar um apaixonado e límpido Bob Dylan em dois de seus maiores clássicos: "Just Like A Woman" e "I Want You"? Baladas tão perfeitas, com cara de feitas na hora, letras escritas no joelho, e melodias de guitarra, piano e gaita que vinham naquele segundo, naquele momento... É tudo tão espontâneo, que parece que o disco foi composto ontem, dado o seu frescor. E o que são versos feito "Ela te prende como uma mulher/Ela faz amor assim como uma mulher/E ela geme assim como uma mulher/Mas ela se magoa que nem uma pequena garotinha" e "O saxofone de prata disse que eu deveria te rejeitar/(...)/ Mas as coisas não são assim/Eu não nasci para te perder"?

    E ainda tem outros momentos que as lágrimas se equilibram nos olhos só de pensar em escrever. "Stuck Inside Of The Mobile With The Memphis Blues Again", "Absolutely Sweet Marie", "Sad Eyed Lady Of The Lowlands"... E queria eu poder dizer que estou exagerando. Quem conhece sabe como tudo soa cru e sofisticado, espontâneo e conciso... Blonde On Blonde. Setenta e três minutos de pura perfeição. Que eu não me atrevo a chamar de nada menos que genial.

    E pela madrugada mais negra,
    Pelo romance mais doce,
    Durante a perda mais amarga,
    Zimmerman canta.

    E nada consegue ser tão visceral e tocante quanto isso. Ah, quase nada. Meus caros Beatles e Rolling Stones, juro nunca esquecer vocês mas... Essa noite é de Dylan.


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    posted by billy shears at 12:57 AM | 2 comments

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