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    quarta-feira, agosto 08, 2007
    The Velvet Underground - White Light/White Heat



    Existem discos realmente dementes. Existe o "Fun House" dos Stooges, que começa rolando abaixo em "Down On The Street" e acaba no apocalipse de "L.A. Blues". Existem os berros maníacos e horripilantes sobre um instrumental caótico do primeiro disco auto-entitulado do Suicide. O Fantomas de Mike Patton e sua discografia nonsense. Mas não há competição; quando se fala de demência, dos instintos mais baixos e imorais do ser humano sendo convertidos em música, existe apenas um disco para representar tudo isso. "White Light/White Heat". A banda não poderia ser outra: The Velvet Underground.

    Para os fãs, as figuras já são bem conhecidas. Estão lá todo o cinismo, sarcasmo e a postura abertamente pervertida e transgressora do vocalista e guitarrista Lou Reed, a psicopatia musical tirada do baixo, das violas, teclados, arranjos e vocais de John Cale, e fazendo companhia aos dois gênios, a cozinha suja e musicalmente primária do baixista/guitarrista Sterling Morrison e da baterista Maureen Tucker.

    Sem Nico, sem Andy Warhol, começando a se desfragmentar totalmente. O quarteto mais famigerado de New York, em 1968, um ano depois de chocar a todos com seu primeiro LP, só provou que com eles, o buraco era mais embaixo. Em canções distorcidas, guiadas por feedback, quase todas elas contendo momentos puramente experimentais e avant-garde.Mesmo em anos de puro experimentalismo, a banda conseguia ser e continua sendo pura blasfêmia aos ouvidos humanos. Já disse quando fiz a resenha do primeiro álbum; em todos os aspectos, era uma banda no mínimo diferente para a época. Não é folk, não é mod, não é mersey beat, não é hard rock, não é rock psicodélico. É simplesmente indefinível – uma profusão de elementos surgem e são tragados como se estivéssemos no meio de um furacão em movimento. Realmente não são todos os preparados para ouvir um disco tão marginal. É como se o diretor italiano Pier Paolo Pasolini resolvesse tocar Rock and Roll. Se fosse lançado hoje, a crítica tomaria o disco por pelo menos ousado e inventivo; imagine só há quase quarenta anos atrás...

    O disco começa roqueiro até, com a faixa título “White Light/White Heat”, com a banda cantando repetidamente o nome da canção, com um piano uniforme e rápido acompanhando a canção, enquanto Lou Reed trata de uma experiência com luz branca, provavelmente vinda de uma viagem de anfetamina que o mesmo teve. “Todo mundo vai fazer isso toda semana/Gaguejando aos berros, todos vão matar suas mães/Aqui vem ela, aqui vem ela, todos conseguem, vai me fazer correr, faça/Mais alto”, diz Reed, antes da canção explodir em um solo doentio que a encerra. De um ineditismo surpreendente.

    Não sei quantas vezes “The Gift” possa ter sido chamada de lixo, chatice, experimentação desnecessária... Afinal, são oito minutos de John Cale recitando uma história escrita por Lou Reed na época do colegial sobre o instrumental distorcido e psicótico da banda. O excêntrico músico conta a história de Waldo Jeffers, um garoto que atingiu seu limite no que se trata de solidão ao ter um relacionamento de longa distância, e resolve se dar de presente para a própria namorada. Marsha, a infiel namorada, encontrou outro cara que transa melhor, e ao receber o presente, não deixa as amigas abrirem, pega um cortador no porão e... Corta a caixa. A caixa onde dentro estava a cabeça de Waldo... Tal história só poderia ter saído da cabeça de quem, mesmo?

    Dois acordes numa viola elétrica distorcida, linhas vocais arrastadas, um fundo tenso e sempre à beira de explodir que gera contraste imenso com o resto. Tal música ganha o nome de “Lady’s Godiva Operation”. Uma operação de mudança de sexo é narrada cheia de humor negro, com Cale e Reed repartindo os vocais, enquanto os instrumentistas fazem ruídos com a boca para simular instrumentos hospitalares em pleno funcionamento quando a música avança para o seu final. Um sonho de uma vida, que ao que parece, acaba em uma morte horrível e sangrenta.

    Aqui está um dos hits do disco: “Here She Comes Now”, a mais curta do álbum, originalmente feita para Nico cantar, mas na época, a parceria entre a loira e o Velvet já havia acabado; que adentra com ares até melódicos, e Reed entrar com a letra cheia de palavras repetidas, o que dá espaço para que o instrumental cresça por trás, certas vezes com o vocal sendo quase engolido, em uma letra sobre uma mulher onipresente, descrita com certo desprezo pela voz de Lou.

    I Heard Her Call My Name” traz guitarras que apenas Jimi Hendrix conseguiu fazer algo parecido, tão malditamente distorcido e com o vocal rouco e desafiador de Lou Reed imposto no limite, mas no contexto da banda mais maldita de todas, a música ganha contornos pestilentos ao invés de lisérgicos; a guitarra ruge, guincha, enquanto a letra nem um pouco sutil fala sobre necrofilia; “Eu sei que se importa comigo/Eu ouvi ela me chamando/E eu sei que ela morreu faz muito tempo/Ela não continua a mesma”. Por vezes, o vocal é ininteligível, compartilhando espaço com um solo que só faz piorar a situação; algo que muitos chamariam nem de tortura musical, mas de barulho.

    E aqui chegamos na sexta e última canção. “Sister Ray”. Definitivamente, a música mais assustadora dos anos 60. Não tem para os The Doors, para os Stooges, para Hendrix, nem para o primeiro disco do Velvet, que por si só, já era um ultraje sonoro. Homossexualismo, transexualismo, assassinato, violência, uso abusivo de drogas. Drag queens levam marinheiros para orgias, esses rapazes são mortos, e nem a polícia parece se importar. A moral e os bons costumes, qualquer senso de humanidade, todas as religiões erigidas até então não significam absolutamente porra nenhuma para Lou Reed. A música não significa nada para John Cale. É por isso que todos os instrumentos utilizados no álbum aqui são levados ao limite da exaustão, construindo um verdadeiro circo de horrores escrotos, por isso que Lou Reed canta cuspindo e vociferando as palavras, sem se importar se você está gostando ou não. A sociedade que se foda, os bilhões de anos da Terra que se fodam, isso aqui é a natureza humana, a mais podre de todas que já existiu, capaz de perder qualquer consideração alheia a partir do momento que assume o controle das outras. Não são assassinos seriais matando os próprios pais, não são Joe’s vingativos, tampouco soldados no Vietnã procurando e destruindo – é em plena cidade grande, cidadãos que vemos todos os dias, matando uns aos outros em meio ao sexo, algo que deveria ser prazeroso, mas se derrete em gozo, sangue e lágrimas. A bateria marcha, a distorção entra feita uma broca nos seus ouvidos, o baixo quer te matar por asfixia e Lou Reed ri e cospe em você. Você é um em bilhões. Você vai ter o mesmo destino dos personagens da música se estiver no lugar errado e na hora errada. Não importa quantas informações preciosas existam na sua preciosa cabecinha. Uma bala e toda essa poesia transforma-se em miolos espalhados pelo chão, sangue sujando a parede e o fim de mais uma formiga Homo Sapiens efêmera. Isso é “Sister Ray”. A reflexão de que uma vida (a sua, a minha, qualquer uma) não é nada. A filosofia máxima do fim.

    Luz branca. Calor branco. Ruído branco. Você entende o que quer dizer demência? Não com essas linhas, certeza absoluta. Não existem letras, algarismos, medidas ou símbolos para definir uma música tão forte, transgressora e absurda. Diante do Velvet Underground, a cultura ocidental não faz sentido. A sociedade americana não absorveu ou capitalizou o disco – ignorou-o com todas as forças, como um fantasma que mora ao lado.

    O tempo passou, e ficamos mais conservadores. Aparentemente, a não-mensagem de Lou Reed foi pouco compreendida. Mas como visto acima, isso não significa lá muita coisa...

    posted by billy shears at 9:52 PM

    6 Comments:

    Blogger Moonshadow disse:

    Preciso ouvir Velvet Underground ;P

    5:29 PM  
    Blogger Adora disse:

    Se as pessoas tivessem escutado [e ainda escutassem] mais Velvet Underground, o mundo seria pelo menos mais interessante...talvez não melhor, mas muito mais peculiar.
    (:

    12:45 AM  
    Blogger cesar augusto giatti. disse:

    esse eu ja tinha em mp3, e acredite, foi uma das experiencias mais fodas da minha vida, ler sua resenha faixa a faixa ouvindo faixa a faixa do disco HAUHAUHAUH tesao demais, esse disco é foda, gosto mais do que o primeiro. e suas resenhas ber, bom, sem comentarios....F-O-D-A-S.

    2:25 AM  
    Blogger Carmem Luisa disse:

    E Velvet Underground é, realmente, um tiro nos miolos de qualquer um que se aventure a ouvi-los com todo aquele barulho insano e agressivo. Deve ser por isso que gostamos tanto deles. Deve ser porque Lou está pouco se f*dendo pra tudo e todos e nós simplesmente adoramos essa natureza crua.
    Mandou bem, Bêr.

    12:14 AM  
    Anonymous Maldoror disse:

    Quem foi o irresponsável que deixou Lou Reed e Sterling Morrisson entrar num estúdio portando guitarras?

    10:23 PM  
    Blogger gr disse:

    muito bom o texto, velhinho.
    esse disco é realmente insano e esquizofrênico.
    comprei num bazar.
    []'s
    www.naoserestrinja.blogspot.com

    4:07 PM  

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