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    segunda-feira, maio 29, 2006
    Ludov - O Exercício das Pequenas Coisas


    Para os apreciadores de pop rock bem feito e acessível, o Ludov é uma grande promessa brasileira. Banda paulista surgida em 95, com quase a mesma formação (exceto pelo baterista), só que atendia pelo nome de Maybees. Após dois discos independentes e vários shows pelo Brasil, os Maybees acabaram em 2001. Mas acabaram se reunindo pouco tempo depois, com um novo baterista. Inicialmente, tentaram usar o nome Supertrunfo, referência aquele famoso jogo (Não conhece? Ah, não f... Você não teve infância?).

    Estreando em 2002, escolheram o nome Ludov, com a formação de quinteto Vanessa Krongold nos vocais e violões, Mauro Motoki na guitarra, teclado e voz, Habacuque Lima na guitarra e voz, o baixista Eduardo Filomeno e o baterista Paulo "Chapolin" Rocha. O nome Ludov foi escolhido por ser uma abreviação de "Ludovico", referência ao Tratamento Ludovico do filme/livro Laranja Mecânica, que consistia em uma lavagem cerebral para inibir o ser humano de instintos violentos. Além disso, é o diminutivo de Ludwig, primeiro nome do compositor erudito Beethoven.

    Em 2003 lançaram o EP "Dois A Rodar", compostas por sete faixas radiofônicas e facilmente digeríveis. Em 2004, a banda consegue um empresário (Arthur Fitzgibbon) e a abertura para os Pixies no Curitiba Pop Festival (o que muito agradou o baixista Eduardo, fã dos americanos). E em outubro do mesmo ano, a banda angaria o prêmio de melhor videoclipe independente no VMB (Video Music Brasil), com o clipe feito pelo irmão do baixista, Ricardo Filomeno, em seu computador pessoal, para a música "Princesa", um clipe muito bacana, diga-se de passagem, sobre a vida de uma aeromoça. O prêmio foi entregue em mãos por Pitty e pelo lendário 'mutante' Arnaldo Baptista (outro cara que a banda idolatra). E em 2005 a banda assina contrato com a gravadora Deckdisc e lança o disco "O Exercício das Pequenas Coisas", em março.

    A mistura bem vinda de Rock e Pop se mostra logo acertada na abertura "Sério", uma canção de letra positiva, teclados empolgantes e uma bateria contida. Uma canção bastante adolescente, com o refrão "Por que você se leva tão a sério?" sendo entregado de bandeja nessa canção de versos felizes que descambam para passagens mais melódicas. Pop dos bons!

    "Estrelas", mais agitada que a anterior, com mais presença de instrumentos de cordas que a anterior. Uma lírica romântica é explorada aqui, sobre um relacionamento que aos olhos do eu lírico parece incompleto. "Falta pouco nos seus olhos/(...)/Falta um pouco de amor no seu corpo/E eu não posso te dar, pois em mim faltará também", canta Vanessa docemente. Após muita melodia, a canção fica mais agitada ao seu final.

    A próxima é "O Dia Em Que Seremos Felizes" , que segue a linha da anterior, só que pisa mais no freio, com melodias bem relaxantes. Bem poética a letra, cantada em tom alto por Vanessa, que canta a música nesse tom em sua maior parte, apenas aliviando em algumas passagens. O trabalho do instrumental da banda mostra-se extremamente agradável, em uma lírica novamente romântica, na espera pelo dia em que o casal será finalmente feliz. Para os apaixonados, um prato cheio. Para os amantes de pop açucarados, mais ainda.

    Serenidade total em "Dorme em Paz", apesar de ainda ser uma canção plugada, e refrão mais pesado que os versos. As horas vão passando, e é hora de deixar os problemas para lá. Agora é hora de dormir. Aposto muito que quem presentear a namorada com esse disco no dia 12 de junho se dará bem... Os últimos versos são mais apaixonados que a letra das anteriores. E mesmo quando a canção fica mais intensa, ainda consegue soar pop e agradável. Mauro Motoki é um compositor de mão cheia.

    "Sete Anos" tem um clima brincalhão, em um instrumental e vocais masculinos de Mauro que lembram bastante os Mutantes quando estavam mais românticos, na sonoridade resultante. "Te conheci/E morri de rir da tua risada/Mal percebi e além de ti/Lá não via mais nada", diz uma das partes mais bonitas da música. A canção tem algo de mágica, pois poderia ser apenas mais uma canção pop, bem feita, mas é extremamente cativante. Simples, nostálgica, embalada por teclados e uma bateria que dita o tom divertido da música. Romantismo com diversão, igual a essa música? Penso que sim.

    Uma das minhas preferidas: "Kriptonita", canção de versos melódicos e refrão quase-elétrico, com vocais doces e serenos de Vanessa. "Eu tenho o mundo inteiro para salvar/E pensar em você é Kriptonita/Você é tão bonita de se admirar/Tão bonita", entrega ela emocionada. Um ótimo solo de guitarra complementa a música. Simplicidade trazendo bons resultados.

    "Supertrunfo" reparte momentos quase soturnos com um rock/pop muito bem feito, com palmas ritmadas e "uh uh uh" vindo dos vocais. Bem descontraída, de bater o pé, acompanhar as palmas, e com o nome da canção fazendo uma referência a própria história da banda.

    Outra belezinha pop, outra pérola bem vinda aparece em "Gramado", em uma canção bastante metafórica sobre inveja ("Se o gramado ao lado esverdeado/Parecer melhor que o seu/Tome mais cuidado com esse mau olhado/Não venha cuspir no meu!"), com ótimas melodias de guitarras, realmente viciantes. Vanessa fala para a pessoa deixar de ser tão insegura e olhar para as próprias qualidades e parar de reparar nos defeitos dos outros ("Deixe de ser tão inseguro/A casa está cheia de flores e você nem percebeu"). A estrofe final é um desdobramento poético daquele ditado famoso "você colhe o que você planta". Se a sonoridade não é a mais inovadora do mundo, as letras são inegavelmente criativas.

    Com os primeiros versos parecendo conectados à anterior, temos a bela "Mais Uma Vez", uma canção divertida, combinando guitarras levíssimas e teclados relaxantes, com juras de amor de nunca deixar a pessoa amada. Certas bandas sabem criar a trilha sonora de determinado lado da vida. O Ludov fez do romance. A letra pode parecer meio piegas aos mais exigentes (sei lá, vai ver que tem acha que se uma letra é realmente romântica, tem que ter trechos sobre cortar os pulsos e matar alguém para conquistar a pessoa de seus sonhos - tem gosto para tudo...). O uso dos teclados é muito inteligente. Dão um toque muito charmoso às músicas.

    O pop pesado "Elastano" começa com algumas falas em espanhol, com o baixo em destaque no som, e uma bateria uniforme, com guitarras mais pesadas que as músicas anteriores entrando em destaque sempre que Mauro para de cantar. Dessa vez, a banda segue uma fórmula ao contrário: aos poucos, a canção vai suavizando. Uma canção sim, novamente romântica! E com uma letra total mea culpa.

    "Todo Esse Ar" é um descarrego. Não, nada a ver com Igrejas Universais, seu engraçadinho! Vanessa retoma os vocais nessa canção composta com rara suavidade e letra reflexiva sem soar nostálgica. Saudade é o tema que domina e tem influência sobre todas as estrofes. Vanessa está bastante contida nos vocais, compondo uma atmosfera realmente relaxante, quase como uma massagem mental.

    A próxima é "Tudo bem, Tudo bom", retomando um pouco de eletricidade, mas não deixando as melodias de lado. Os teclados deixam a música meio atmosférica em alguns pontos, mas logo a eletricidade volta à música, com uma letra bem divertida, e não abandonando os temas que a banda tanto adota: "E eu no meu quarto assistindo a TV sem som/Ouvindo os discos do Ziggy Stardust/E o que eu queria era ficar com você/(...)/Mas tudo bem, tudo bom/Uns têm, outros não/Uns vêm, outros vão". Vanessa divide naturalmente seus vocais entre os mais doces e os mais altos, nunca chegando a berrar. Para ajudar, um belo solo, que torna a canção algo mais que um simples pop de letra urbana.

    "É Só Saudade" começa quase pesada, mas logo freia para cair em doçura, com guitarras surgindo aqui e ali, compondo uma ótima estrutura, fazendo a canção ter melodias repetidas sem soar chata ou enjoativa. Uma letra curta - se você adivinhar sobre o que trata a letra, você ganha um brinde (E esse brinde será comentar interpretando a letra!). Apesar da saudade, o eu lírico não quer que tudo volte. Prefere ficar nostálgico. Teclados dão um clima todo especial à música, junto com as guitarras.

    O encerramento vem com "Princesa", principal hit da banda até o momento. Quem andou vendo MTV ano passado, provavelmente viu esse clipe, feito em animação. A letra fala de uma pessoa cheia de pressões da vida social, mas que quando chega em seu apartamento, ela esquece do mundo, toma um banho, relaxa... O dueto de Vanessa e Mauro está ótimo, sendo embalado por palmas, teclados e bem compostos e variados arranjos. Merece sim ser o maior hit da banda até o momento!

    Enfim, para quem não tem restrição quanto aos gêneros, e quer esquecer de como o mundo é um lugar cruel só por alguns minutinhos para não pirar de vez, o Ludov compôs um disco apaixonado, acessível, cantarolável, com várias músicas assobiáveis, cheio de referências ao melhor do pop e do pop-rock. Sim, você vai dizer que bandas que falam de amor estão cheias por aí ultimamente... Mas, mais da metade delas não conseguem em nenhum momento bater o Ludov em termos de romantismo, pois eles transpiram vivência do que está sendo cantado. A música absorvível, mas com estrutura e composta por gente que sabe o que está fazendo, só ajudam. Enfim, esse disco prova que existe vida inteligente na pop music, existem boas canções açucaradas que não fazem parte de temas de novela e que São Paulo não serve apenas para ser refúgio de visitantes franjudos do Atari Club. Um bom álbum de Música, com letra maiúscula, antes de qualquer julgamento.

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    posted by billy shears at 2:34 PM | 9 comments

    sábado, maio 27, 2006
    Cansei de Ser Sexy - Cansei de Ser Sexy


    A internet não serviu apenas para divulgar muitas bandas anteriores ao advento da mesma - também foi a responsável pelo surgimento e crescimento de muitas. Os caras do Detonautas Roque Clube são o exemplo mais famoso disso, já que a banda se conheceu por meio de um bate-papo. A formação da banda Cansei de Ser Sexy não se deve a um caráter totalmente virtual, mas o sucesso dela, com certeza, já que a banda ficou em destaque após criar um fotolog e disponibilizarem musicas para download no site da Trama Virtual. E mesmo com apenas três anos de existência, a banda já dividiu palco com gente importante como Kraftwerk (o grupo criador da música eletrônica) e MC5 (uma das bandas que deram origem ao punk rock).

    A banda já lançou três eps ("Em Rotterdam Já é Uma Febre", "A Onda Mortal/Uma Tarde Com Pj", ambos de 2004 e "CSS SUXXX" de 2005) e um álbum homônimo, do ano passado e conta com a formação da doidona Lovefoxxx no vocal principal, Luiza Sá na guitarra, Ana Rezende na guitarra, Iracema Trevisan no baixo, Carolina Parra na guitarra, bateria e teclados e Adriano Cintra na bateria, guitarra, teclados e vocal (ufa!).

    O som, basicamente, é uma mistura de rock, pop e música eletrônica, de forma que o resultado disso é um som vibrante e dançante, marcado por letras bem-humoradas, seja esse humor vindo de historietas esquisitas, ou falando sobre relacionamentos, ou não dizendo nada com nada ou coisa com coisa. Além disso, a atitude da banda realmente vira uma marca registrada delas, pois em tempos como esses, de garotas mostrando seus atributos avantajados em videoclipes, numa atitude que só falta escrever "me coma" na testa, dá até alívio ver que Joan Jett, Joan Baez e bandas riot grrrl e outras não ficarão para sempre na memória de que garotas um dia tiveram atitude e faziam um bom som. Nessas horas que a gente agradece de o cenário nacional ter Pitty, Ludov, Pato Fu, e claro, o Cansei de Ser Sexy. Lá fora, as garotas também não estão deixando com medo (dê uma olhada na resenha que eu fiz da banda Crucified Barbara, ali do lado no menu de posts antigos, ó! Mas termine de ler essa resenha aqui primeiro). Um dos pilares que sustentam o CSS é justamente sua atitude anti-sexy, mostrando que nem todas as garotas no mundo da música tem que andar impecáveis, parecendo que acabaram de sair do salão...

    Teclados dançantes e uma bateria ditando o ritmo abrem o álbum com a canção "Fuck Off Is Not The Only Thing You Have To Show". Efeitos eletrônicos muito interessantes complementam os vocais de Lovefoxxx, uma voz de fácil lembrança. A letra fala sobre tédio, insatisfação consigo mesmo e que a atitude de "foda-se" não é a única coisa que a pessoa tem que mostrar ao mundo. Altamente grudenta e animada, o bastante para você ficar algumas semanas cantando-a em momentos de distração.

    "Alala", uma canção novamente feita para animar uma festa, e com uma letra bem-humorada e irônica sobre uma garota que parece querer ser aceita ou desejada de qualquer maneira. Ainda mais grudenta que a anterior, com várias partes, uma mais cantarolável que a outra. Músicas com versos como "lalalala", "oh oh oh" e afins são na maioria das vezes muito marcantes e divertidas, e esse é o caso. Um dos principais hits do álbum.

    O clima que os efeitos dão à "Let's Make Love And Listen Death From Above" tornam a música muito instigante. A letra, totalmente em inglês, discorre exatamente sobre todas as viagens que um título como esses poderia proporcionar (de fazer amor e escutar a banda cult Death From Above), com muitas reviravoltas, palavras repetidas... A música é uma diversão só. A banda pode até não agradar aos ouvintes na primeira ouvidela, mas aos poucos esse disco proporciona relaxo total e diversão garantida.

    A que mais bota para remexer é a engraçadíssima "Meeting Paris Hilton", minha preferida. Na letra, uma das integrantes foi à praia e lá encontrou Paris Hilton, e questionou à ela: "do you like the beach, bitch?", sendo que a resposta da "bitch" foi sim, uma resposta cantada repetidamente pela banda. Além dos constantes jogos de palavras, ainda há um monte de "yeah, yeah, yeah" da vida tão característicos no Rock and Roll. O som das guitarras combinado com a eletrônica casa muito bem!

    A bêbada "Alcohol", apesar de todos os efeitos eletrônicos, tem umas linhas vocais que me remetem aos Mutantes, o que me faz pensar como seriam se os Mutantes começassem hoje, com toda essa parafernália eletrônica e toda essa gama de efeitos novos. Uma repetetiva e bem posta gaita e os riffs e teclados dão um ar meio de videogame. A letra é de morrer de rir, mostrando a degradação do cérebro de uma pessoa por excesso da boa e velha caninha.

    Outra música bem 'cult' da banda é "Bezzi", com um dos refrãos mais empolgantes de todo o álbum, falando sobre um tal de Bezzi, um cara que é italiano, japonês, que a mãe é budista, o pai come carne frita... E com um visual super legal, de quem a garota da música já virou freguês. O clima brincalhão passado pelo instrumental faz dessa música algo essencial para rodar em uma festa. Sem contar a voz de Adriano respondendo a fala de Lovefoxxx; quando ela diz "Eu já peguei você", a voz dele surge, acompanhada de uma repetição eletrôncia dizendo "eu também". Muito legal.

    "Off The Hook" ganhou o primeiro videoclipe do álbum, e tem o instrumental mais elétrico, apesar de não dispensar teclados e efeitos eletrônicos. Uma letra sobre tédio acaba criando um paradoxo, mas o resultado é deveras interessante. O baixo de Iracema fica muito presente em algumas passagens presentes nessa música.

    A próxima é "Art Bitch", que tem a bateria mais pesada e socada, e os efeitos mais perturbadores, e com as guitarras mais pesadas também. A letra fala de uma garota que é uma 'puta artista', que vende pinturas dos homens com quem tem relações íntimas. A menos dançante do álbum, mas que nem por isso deixa de ter qualidade. Serve mais para sacudir a cabeça do que o esqueleto.

    A segunda mais calma do álbum é "Acho um Pouco Bom", que tem um dos instrumentais mais longos do álbum, e uns vocais meio baixos. Na letra, a pessoa quer ficar em casa, sem ver ninguém, sem confusão nenhuma, quer ficar apenas sozinha, dançando e ouvindo música. Aí entra o título da música, sussurrado, em meio a um teclado climático, que te situa... em um pista de dança viajante. É uma trip resultante da fusão entre rock e eletrônica. Se não chega a ser marcante, é interessante ao menos.

    "Computer Heat" é a mais comprida do álbum, e que a eletrônica do álbum mais aparece. Os vocais dividos entre Lovefoxxx e Adriano soam meio perdidos, como que compostos na hora. A letra fala, pelo que eu entendi, de um garoto que a família leva ao médico por crer que o garoto passa tempo demais em frente ao computador. O garoto parece que não tem mais tempo para nada, nem para conversar, e parece até dormir em frente ao computador, pois ironicamente, a máquina lhe dá calor humano...

    Eu não poderia definir "Music Is My Hot Hot Sex" de outro jeito que não fosse uma declaração apaixonada pela música na vida de uma pessoa. A música é a droga preferida, o garoto preferido, a garota que ele beijou, é namorada, fim, irmão, amigo imaginário, casa. As linhas vocais estão deveras cativantes, e as guitarras e teclados estão com suas presenças muito bem postas. O final é (ou parece ser) auto-biográfico, que quando a pessoa saí da escola, não ia usar drogas ou praticar algum esporte, e sim tocar música.
    "
    This Month, Day 10
    ", tem a letra que trata de relacionamentos de forma mais direta em todo o álbum (ou melhor, sobre o término de um), marcada por linhas vocais muito legais. O baixo guia a música, backing vocals clichês porém muito empolgantes aparecem (no maior estilo "chamando o público para cantar"), e o ritmo da bateria também é muito empolgante, apesar de ser o mais básico possível. Se tem uma banda que sabe criar linhas vocais cativantes, marcantes e viciantes, o Cansei de Ser Sexy é essa banda.

    Outro clássico instantâneo da banda é "Superafim", marcada como uma canção de poucos acordes, bateria repetida, e vocais digitalizados que fazem Carol parecer uma Kelly Key lisérgica (!). Falando nessa popstar chata, a letra até que segue um tema parecido com "Baba Baby". Mas, como é uma Kelly Key drogada e digitalizada, elas deram um visual todo estiloso para a mesma: sapatênis de vinil, bolsinha baguete, luvinha de pelica, sapacaxa do agreste. Tudo fica lesbian chic, para o cara ficar super afim da garota. Uma das canções mais legais que eu ouvi nos últimos tempos.
    Fechar um álbum tão divertido deve ser dureza, e por isso que "Poney Honey Money" tem um clima de despedida, algo meio praieiro, meio câmera lenta... Sim, essa é a mais lenta do álbum, uma apaixonada canção feita para o ouvinte ficar relaxado depois de um festão e esperar a rebordosa no dia seguinte. A letra, não sei, não tem muito sentido, parece ser apenas um jogo de palavras, que fica bem musical ao meu ver.

    Enfim, banda criativa, com idéias criativas, e musicalidade surpreendente você não vê a cada cinco minutos. Muitas músicas daqui provavelmente tocarão em festas devido ao alto nível de diversão que elas garantem, tudo de uma forma original, cheia de referências desconexas mas que acabam se conectando de forma inexplicável, tudo isso resultando em um álbum surpreendente. Enfim, procure no MySpace, no Soulseek, ou então jogue The Sims, e ouça Lovefoxxx cantando em Simoleon (a língua oficial do jogo).

    Ao lado do disco de estréia dos Arctic Monkeys, um dos discos mais anima-festa dos últimos anos, mas com um diferencial, já que a cada audição você percebe detalhes que você não tinha reparado anteriormente, o que torna esse disco algo a ser ouvido até estourar a sapacaixa de som.

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    posted by billy shears at 8:17 PM | 13 comments

    quinta-feira, maio 25, 2006
    Capital Inicial - MTV Especial: Aborto Elétrico


    Para quem acha que "quem vive de passado é museu", recomendo que ouçam esse álbum. Provavelmente, a adrenalina vai ser solta em altas doses no seu sangue... E todas essas músicas foram compostas entre o final da década de 70 e o início dos anos 80.

    Banda lendária entre os fãs de B-Rock, o Aborto Elétrico foi uma das primeiras bandas de rock de Brasília. Sua formação incluía gente como Renato Russo - o lendário frontman da Legião Urbana, uma das bandas mais idolatradas pelos fãs de nossa música, e Fê e Flávio Lemos, os irmãos responsáveis pela bateria e pelo baixo do Capital Inicial. O destino dos integrantes da banda que fez o Aborto Elétrico ser o monolito que influencia em muito o Rock nacional nos dias de hoje - porque o Aborto Elétrico nunca chegou a gravar ou lançar algo oficialmente.

    Tendo metade do Aborto Elétrico em sua formação, mais o ex-Viper Yves Passarel na guitarra, e o vocalista Dinho Ouro Preto, o Capital Inicial foi a banda certa para homenagear a primeira banda de Renato Russo (um "dream team", diria eu). Tendo nas mãos um punhado de músicas esperando para serem gravadas, quando tiveram a aprovação da família de Renato, a banda meteu a mão na massa. Era tudo ou nada. Ou o Capital se livrava de uma fase com poucos hits, como o que vinha ocorrendo nos últimos álbuns, e emplacasse um álbum realmente de responsa, ou afundava de vez e sujava o nome de Renato junto.

    Besteira a minha duvidar da competência deles... Ao término de uma contagem de 'Um, dois, três, quatro', entra uma versão destruidora de "Tédio (Com Um "T" Bem Grande Pra Você)", já conhecida pelos fãs da Legião Urbana. Guitarras pesadíssimas, rápidas e de fúria punk, com Dinho forçando a garganta para acompanhar a agressividade da banda, versando sobre o tédio da vida de um jovem: "Moramos na cidade/e também o Presidente/Todos vão fingindo viver decentemente/Mas eu não pretendo/ser tão decadente não!". Um refrão solta-os-bichos com certeza vai tirar do chão a galera que for em um show do Capital Inicial.

    Entra o primeiro single do álbum, o punk romântico "Love Song One", com Dinho cantando sobre um amor que deixa a pessoa totalmente fanática, apesar de não saber o motivo. "Eu não consigo entender/Porque eu quero você!", diz o refrão. As melodias da guitarra de Yves estão ótimas, e a cozinha, mais que satisfatória! A ótima gravação dos instrumentos também ajuda muito, permitindo o ouvinte distinguir cada um dos instrumentos, mas também de uma forma bem suja, com uma pegada bem forte.

    "Fátima", uma das mais engajadas politicamente do álbum, é detonada com muita competência pela banda, com bases de guitarra animais. "Vocês são vermes, pensam que são reis!", desafia Dinho, com uma voz nitidamente mais encorpada que nos últimos álbuns. Ok, fãs do Legião; o cara não é Renato, mas é um ótimo interpréte! Uma aula de Rock agressivo.

    Seguindo, "Helicópteros No Céu", outra música bem política, com versos como "Já me falaram muitas vezes/A voz do povo é a voz de Deus/Será que Deus é mudo?". A inusitada melodia de guitarra de Yves é cativante, e o forte refrão "Já estou vendo helicópteros no céu/Já estou vendo no helicópteros no céu!", é mais empolgante ainda. Fê demonstra ser um baterista de mão cheia, com uma mão pesada o bastante para maltratar a bateria de forma que agrade os ouvintes de Rock.

    Muitas músicas idolatradas pelos fãs de Legião não poderiam faltar; agora entra a clássica "Química", muito mais pesada, e com Dinho cantando de forma empolgada o clássico refrão "Não saco nada de Física/Literatura ou Gramática/Só gosto de Educação Sexual/E eu odeio Química". Pode parecer uma canção adolescente à primeira vista, mas ao longo vê-se uma crítica ao sistema de ensino, que deixa o estudante maluco, implantando em seu cérebro o vestibular como a coisa mais importante em sua vida, as diversões que lhe são retiradas, apenas para depois ganharem carro e se tornar "burguês-padrão". Dizem que a humanidade evoluiu muito nas últimas décadas, mas não sei o por que dessa música me soar atual...

    "Ficção Científica" tem um baixo empolgante de Flávio introduzindo uma das músicas com guitarras mais pesadas e ferozes de todo o álbum. Já que o Aborto Elétrico era uma banda punk, nada mais natural que ser outra canção de forte tom político, só que dessa vez cheia de metáforas, mas ainda facilmente compreensível. A letra inteira é ótima, não vou perder tempo destacando esse ou aquele trecho. Uma crítica feroz a uma sociedade que não muda.

    Mais um clássico 'legiãourbanístico': "Conexão Amazônica", com seus geniais versos "Estou cansando de ouvir falar em Freud, Jung/Engels, Marx, Intrigas intelectuais/Rodando em mesa de bar em bar". Como sempre, uma versão bastante cristalina, mas ainda assim com bastante peso. As batidas tribais quando Dinho grita "Os tambores da selva já começaram a rufar", dão todo um charme. "E você quer ficar maluco, sem dinheiro/E acha que está tudo bem/Mas alimento pra cabeça nunca vai matar fome de ninguém".

    Outra romântica, essa é "Submissa", contando sobre uma garota que faz tudo que o eu-lírico manda. A letra é a mais simples o possível, com Dinho vociferando versos como "Conheci uma garota submissa" e "Tudo que eu mandava/Ela fazia", mas a canção é empolgante pela sua garra punk e agressividade guitarrística, com timbres bem pesados. Yves 'tá fazendo um bem danado pro Capital!

    "Que país é esse?/É a porra do Brasil!", é o que você vai sentir vontade de gritar assim que os conhecidíssimos e empolgantes acordes de "Que País é Esse?" adentrarem os seus ouvidos. "Nas favelas/No senado/Sujeira pra todo lado/Ninguém respeita a constituição/Mas todos acreditam no futuro da nação!", são versos que ainda soam terrivelmente atuais. Perguntaram para os irmãos Lemos se eles não achavam que soariam datados com essas músicas superconhecidas. "Quando começamos a gravar essa música", disse um deles, "apareceram as primeiras denúncias sobre o mensalão. Parecia que a música tinha sido escrita no mês passado". Mais pesada, e com vocais mais agressivos que o de Renato, mas não sei se superam o clássico intérprete... Mas isso é um clássico que ninguém estraga. Podem viajar!

    "Baader-Meinhof Blues Nº 1" não tem muito a ver com a "Baader-Meinhof Blues" superconhecida (gravada inclusive pelo Charlie Brown Jr.). As guitarras punks introduzem a música com fúria, e a bateria está mais alta que nunca. "Eu não quero ser tão cego assim/Que nem vocês/Que nunca fazem nada mesmo/Controle/ Autocontrole visual". A música está totalmente seca, na lata, com Dinho mostrando um vocal completamente despinguelado e rasgado. Pode até assutar quem está acostumado com os pop-rocks que a banda vem gravando...

    A próxima é "Anúncio de Refrigerante", a música mais lenta, com uma guitarra bem elétrica, e com uma letra bastante urbana, mostrando uma visão bem decadente do cotidiano das pessoas, bastante visual; as imagens formam-se na sua cabeça ao passar da música. Apenas voz e guitarra, dando um resultado muito bom, quebrando o clima em uma ora bem a calhar. Até a "balada" (seria esse o termo certo?) desse disco é mais agressiva que a maioria das baladas hoje em dia...

    Contagem de um a quatro novamente para a música "Heroína", um punk rock que cai em versos magoados e um baixo que se destaca na música. Uma letra bem junkie, que mostra um desejo de isolar do mundo "Nada/Não vejo nada/Não sinto nada/Não espero nada", canta Dinho. Não quero puxar o saco... mas caramba, Yves! Desse jeito a galera acha que você é melhor guitarrista de Rock do que de Metal. Eu pelo menos já estou achando.

    Tome paulada na orelha! "Despertar dos Mortos" é ferocidade musical no tutano dos ossos. Letra engajada, falando sobre a exploração dos nossos recursos por estrangeiros e corrupção no nosso governo. "Vocês de esquerda/Vocês de direita/São todos uns babacas e velhos demais/Vivendo em intrigas e em tempos atrás/ Acabem com a merda e nos deixem em paz". A música foi composta há mais de 20 anos, mas a letra é tremendamente atual. O riff de Yves é simplesmente contagiante, acompanhado pela excelente cozinha. "Fuga de rico é televisão/Fuga de pobre é religião/Roubaram o verde/E o amarelo também/Protejam o azul e o branco alguém/Como roubar mais de quem nada tem?"

    A mais destruidora do álbum, essa é "Veraneio Vascaína", com o riff mais pesado, feroz, brutal e etc. e tal da bolacha. ""Se eles vêm com fogo em cima é melhor sair da frente/Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente/Com uma arma na mão eu boto fogo no país/E não vai ter problema, eu sei, eu estou do lado da lei.", canta Dinho, com vocais cuspidos. A bateria está quase rompendo o bumbo, as guitarras parecem que vão estourar os amps, e Dinho parece que vai perder a garganta. Uma pérola punk.

    Um grito de Dinho emenda a música com a sucessora "Construção Civil", lenta e densa, mas que sempre parece perigosamente perto de explodir em uma avalanche de fúria punk. Mas o refrão se contém. Novamente uma letra urbana, biográfica, mostrando todo o cotidiano na época.

    O que seria de prestar tributo ao Renatão e não colocar "Geração Coca-Cola"? Na minha opnião, uma puta de uma heresia. A música está pesada e mais rápida ainda. Não tem mais aquele espírito de adolescente revoltado, o que impede a versão cover de ter a mesma importância da original. A letra todos devem conhecer, mas o refrão nunca é demais: "Somos os filhos da revolução/Somos burgueses sem religião/Nós somos o futuro da nação/Geração Coca-Cola"... Tá aí uma música que o Capital acertou de mão cheia, ficou uma das melhores do álbum.

    Caminhando para o final, temos agora "Música Urbana". Não haveria melhor forma de sintetizar o Capital Inicial, o Aborto Elétrico e o Legião Urbana, senão o título da forma. Assim como a música de abertura do álbum, é uma revolta contra todo tédio e chatice, e toda a decadência. Guitarras pesadas, e dando um ar que combine com o título da música, parece que a banda a gravou no meio de uma rua movimentada, cheia de reviravoltas.

    "Benzina" é a mais distorcida do álbum, com a letra censurada pela gravadora por conter mensagens sobre vício em heroína, abstinência e cheirar benzina. O Capital Inicial recusou-se a retirar essa música do álbum, e distorceu a música até os vocais ficarem quase inaudíveis - mas se você prestar atenção, até dá para distinguir alguma coisa. No encarte do álbum, um gigantesco "CENSURADO" ocupa o lugar onde deveria estar a letra.

    Como eu citei ao longo dessa resenha, as principais características desse álbum são peso, agressividade e rapidez. Consegue citar cinco bandas no mainstream nacional do Rock And Roll que saibam tocar com tanta garra, honrando suas influências e fazendo algo realmente marcante? Minha contagem para no três ou quatro.

    Aonde quer que Renato Russo esteja, com certeza deve estar com um grande sorriso no rosto.

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    posted by billy shears at 8:28 PM | 8 comments

    sábado, maio 20, 2006
    Green Day - Dookie


    O que aconteceu nos Estados Unidos na metade dos anos noventa 90 agora aqui no Brasil. O pop-punk anda em alta por aqui. É Cueio Limão, ForFun, Nx Zero, Emo., Vinte! e etc. Sendo um som emotivo e engraçado ao mesmo tempo como o Blink 182 ou o emo cru de Taking Back Sunday, esse é o estilo do momento. As influências são sempre as mesmas: Blink, Millencolin, Pennywise, NOFX e, é claro, o Green Day. Mas o que separa o Green Day do pop-punk do Blink, por exemplo? Ora, o simples fato de os caras virem de condições de vidas diferentes. Compare as letras de cada banda e veja essa diferença.

    Apesar de serem jovens na época em que lançaram o “Dookie”, o Green Day cantava como gente grande, mesmo com letras sobre se masturbar quando não se tem nada pra fazer. Os dois primeiros cds da banda eram um pouco mais emotivos do que os seguintes. O trio vinha do underground influenciados pela rebeldia dos Ramones e por quê não pelo finado Nirvana, que perdia seu vocalista naquele ano?

    Desse Cd você tira vários hits. Foi o que fez os jovens Billie Joe Armstrong (guitarra/voz), Mike Dirnt (baixo/voz) e Tre Cool (bateria) despontarem para o sucesso. Isso é o que chamamos de acordar com o pé direito.

    E começando, temos “Burnout”, música bem ao estilo jovem entediado. Sabe aquelas vezes que você acha que sua vida está uma droga? Essa música é isso. Uma composição em dia de tédio. Fácil de perceber logo no começo da música, onde ele diz “Eu declaro que não estou mais nem aí/ Estou me irritando e crescendo chateado/ No meu quarto chato e enfumaçado...”. Sincronia musical perfeita na hora da virada. Começamos bem.

    Um desabafo um tanto quanto suicida em “Having A Blast”, onde o cara não quer saber da merda de vida que ele leva e quer se matar, levando todos juntos com ele. Bem típico de adolescente revoltado com as coisas que acontecem ao seu redor. Se bem que a lírica é agradável com essa melodia. Ponha umas notas mais calmas e teremos uma música gótica pra você se atirar do último andar quando ouvir “Bom, ninguém aqui vai sair vivo/ Eu realmente perdi minha cabeça e eu não me importo/ Então feche seus olhos/ E dê adeus a sua vida...”. Destaque para a introdução arrebatadora com um baixo dedilhado formalmente.

    Talvez “Chump” seja um ódio guardado por conseqüência de um lado egocêntrico descontrolado. Temos um pós-punk vestido de punk aqui quando ele diz “Eu não te conheço/ Mas eu acho que eu te odeio/ Você é a razão da minha desgraça...”. Confirmo minha afirmação inicial pelo verso “Homem mágico/ Egocêntrico homem de plástico...”. Devemos prestar atenção na ligadura entre essa música e a próxima, onde um jam te carrega, perfeitamente entrelaçado.

    Mesmo tendo uma melodia simples, apesar de Mike disparar nos versos notas dedilhadas com perfeição, “Longview” cai como uma luva na voz de Billie Joe. Cara, essa música é demais! Típica daqueles dias que você olha ao redor, vê a mesmice sentada ao seu lado e quer chutar o balde. A música é um fosso total: pra começar com o refrão “Morda meus lábios e feche meus olhos/ Me leve por aí, para o paraíso/ Eu estou tanto de saco cheio que estou ficando cego/ E eu cheiro a merda”. Depois temos a afirmação “Quando a masturbação perde a diversão/ Você está fodido”. Quer mais fossa do que isso? Ah! O clipe também é legal. Vale a pena baixar.

    Coincidência ou não, “Welcome To Paradise” tem uma certa ligação com a música anterior. Antes ele queria se libertar, agora que se libertou e achou seu lugar no meio de um underground. Um underground que ele diz “Eu quero te levar pro meio de um deserto que eu gosto de chamar de lar/ Bem-vindo ao paraíso...”. Gostou tanto do lugar que diz para a mãe que não quer voltar pra casa. Se sentia tão perdido no tempo e nos pensametos que achou os seus iguais. Mais um jam é disparado. Música perfeita.

    “Pulling Teeth” é uma balada gostosa de ser ouvida. Sua melodia simples é cativante também. Uma certa alusão às drogas, talvez, quando ele diz “Ela é ultra violenta?/ Ela é um distúrbio?/ É melhor dizer que a amo/ Antes que ela faça tudo de novo/ oh Deus, ela está me matando”. Pode ser que seja, como também pode ser que não. Talvez esteja se referindo mesmo a uma garota.

    Hit mais conhecido da banda, “Basket Case” vem com aquela introdução calma, com ar de “você já sabe o que está por vir”. A música retrata o cd inteiro: um caso complicado, realmente. Mais uma contando os problemas de um jovem. Ele quer alguém que ouça seus desabafos. Ele diz: “Às vezes eu me assusto/ Às vezes minha mente apronta comigo/ E isso tudo vai se acumulando/ Acho que estou quebrando/ Eu sou um paranóico?/ Ou estou chapado?”. Você acaba esquecendo da simplicidade melódica e pira rapidinho com essa música.

    Seqüência matadora. “She” chega de voadora com uma introdução de baixo e bateria. Inevitável não gostar dessa música. Agora a angústia é em terceira pessoa e Billie Joe canta: “Ela/ Gritou em silêncio/ Um pesado distúrbio penetrando em sua mente...”. Cara, simplesmente foda depois que o Billie dá um berro. Inevitável não pirar junto com a banda. Se quiserem conferir, é só baixar o vídeo dessa música em que o vocal já ta de cabeça feita e fala umas coisas doidas. Simplesmente demais!

    O romantismo ta em alta e, na seqüência, “Sassafras Roots”. Bem no estilo da anterior (só que não tão foda quanto), essa chega com versos repetitivos (“Caminhando em volta da sua casa/ Gastando seu tempo/ Sem obrigações, apenas/ Gastando seu tempo...”). Refrão bonitinho dizendo “Eu sou um desperdício como você/ Sem nada de mais pra fazer/ Posso desperdiçar seu tempo também?”. Bem totosinha.

    Balada por balada a gente fica com uma das melhores da banda que, sem dúvidas, é “When I Come Around”. Até sua introdução é simpática. Essa é daquelas pra você dançar pulando ou quietinho na sua, é só inventar um passinho. Tudo nessa música é ótimo: desde o refrão “Não há tempo para procurar por aí/ Pois você sabe onde me encontrar/ Quando eu estiver por perto” até o solinho antes do fim. Foi a primeira música deles que eu ouvi e disse “Porra, esses caras são demais!”.

    Mais uma música sobre estar perdidos em pensamentos e auto-descoberta. “Coming Clean” vem falando sobre um jovem que está amadurecendo de seu jeito (“Eu descobri o que leva para ser um homem/ Mamãe e papai nunca entenderão/ O que está acontecendo comigo...”). É uma faixa boa de se ouvir. Nota-se a qualidade da música mesmo tendo uma melodia bem básica.

    “Emenius Sleepus” conta a história de um cara que viu seu amigo mudar radicalmente e ficou surpreso: não esperava encontrá-lo daquela forma. Uma seqüência de acordes na introdução bem voltada para o gênero dos Ramones. Parece que ele ficou chocado com a mudança e diz “Eu te conhecia antes/ E você...Você me conhecia/ E eu acho que estou doente/ E quero ir pra casa”. Muito legal essa música.

    A próxima lembra muito o Hard Core levado pelo Bad Religion. “In The End” vem criticando aquelas pessoas que trocam inteligência por beleza (“Todos os músculos/ E nenhum cérebro/ E todas essas coisas legais...”) só por algum prazer, mas no fim acaba sendo trocado. Boa música.

    Pra finalizar, temos a arrasadora “F.O.D (Fuck Off and Die)". Um Billie Joe nervoso chutando o balde após algum tempo de música calma. Ele abre o verbo no refrão e manda logo "Você é apenas uma merda/ Não posso explicar isso pois você é escrota/ Estou sendo orgulhoso/ Em dizer pra você 'vá se foder e morra’". Boa pedida pra finalizar um cd bem ao estilo desabafo de um adolescente.

    Mas é só deixar o Cd tocando um pouco mais para escutarmos a faixa escondida “All By Myself”. Tre Cool salta a voz numa música acústica. É fácil identificar sua voz de drogado cantando “Eu fui na sua casa/ mas ninguém estava lá...”. Muito engraçada a voz dele.

    Esse álbum foi o que perpetuou o pop-punk no cenário mundial. Nos Estados Unidos o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias, número digno de bandas ditas clássicas, comparadas com um trio adolescente prematuro no mundo da fama. Uma puta de uma influência para bandas “novatas” como Good Charlotte, Simple Plan, Fall Out Boy e My Chemical Romance. Graças ao Green Day eu posso ouvir tudo aquilo que eu gosto hoje em dia.

    É certo que o estilo deles hoje é muito mais trabalhado e tudo o mais, mas também não dá pra chegar ao 30 falando de masturbação...

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    posted by Vitor at 1:24 PM | 8 comments

    terça-feira, maio 16, 2006
    Blá Blá Blá Underground: A força do Progressive Metal

    Outra banda carioca de Heavy Metal para vocês se deleitarem... Mas nada de girl power ou thrash metal dessa vez: a banda Age One funde Speed Metal e Progressivo com disposição e criatividade, criando uma atmosfera envolvente, tendo como autores o vocal Leandro Montéro, o baixista Bruno Coe, o guitarrista Victor Hora e o batera Alessandro Carvalho. Formada em 2003, a banda já lançou a demo-cd The Illusionist, no ano de 2004, com participação de Luis Alvim nos teclados. Apreciadores de Heavy tradicional vão adorar, fãs de progressivo simpatizarão, e quem gostar de ambos os gêneros vai pirar e estourar a caixa de som do computador... Confira abaixo a entrevista feita com o vocalista Leandro.

    Para começar, uma pergunta que todo músico já respondeu, muitas vezes; Como foi a formação da banda? Quais integrantes foram a "pedra fundamental" da banda?

    Bom, O Age One surgiu após o Alessandro Carvalho (Bateria) e o Bruno Coe (Baixo) se reunirem e começarem um novo projeto em meados de 2003, os dois já tocam a mais de sete anos juntos e isso facilitou a criação desse novo trabalho.

    E você, quando entrou na banda?

    Em 2004 após a saída do antigo vocalista Sandro Couto por motivos particulares, mas a História foi mais ou menos assim... Eu já conhecia o Bruno Coe e estava pensando em montar um outro projeto meu, convidei-o a participar e ele me indicou o Alessandro Carvalho e o Victor Hora (Guitarra) quando já estava começando a pensar no projeto veio a proposta do AGE ONE de assumir os vocais e tendo em vista serem rigorosamente os mesmos músicos que integrariam o meu projeto resolvemos então unir o útil ao agradável, sendo assim ingressei no AGE ONE.

    Apesar de não serem a primeira banda a fazer algo do gênero, o som de vocês me surpreendeu bastante; a fusão de Speed/Heavy ao Progressivo se revela bastante agradável a ouvidos sedentos por novidades, e surpreende quem acha em um primeiro momento que o som da banda deve ser o mesmo tema repetido ad infinitum. Quais seriam as principais influências da banda, no geral?

    Bom... Costumamos dizer que o nosso som vai além de uma simples classificação, sendo assim facilmente perceptível a versatilidade musical da banda em suas composições e o que fez com que o nosso produto final seja bem original apesar das diversas influencias de cada um, O AGE ONE é bastante influenciado pelo Heavy Metal Tradicional e pelo Rock/Metal Progressivo além de ritmos brasileiros.

    Costumam te falar com frequência que as notas altas de seu vocal lembram Michael Kiske? Nas partes mais pesadas e agitadas, daria até para enganar por alguns segundos, em minha opnião...

    (Risos) Eu acho super válido esse tipo de comparação, afinal, quem é que não gostaria de ser comparado a um grande ícone do metal como o Kiske. Não posso negar que ele é uma das minhas maiores influências ao lado de Bruce Dickinson, mas não deixo que isso influencie no meu estilo de cantar, já escutei essa mesma opinião de algumas pessoas e é claro, acho válido, pois meu objetivo é alcançar o sucesso assim como eles (Kiske e Bruce) conseguiram! (risos)

    Agora algo que eu fiquei curioso: De onde veio o nome da banda? Foi escolhido por puro acaso ou tem algum motivo especial?

    Essa história é engraçada... A idéia inicial após muitas reuniões era de ser apenas AGE, porém quando fomos registrar o nome descobrimos que já existia um órgão se não me engano do governo já registrado com esse nome, algo muito curioso, mas... Para evitar possíveis problemas posteriores resolvemos pensar em outro nome e acabou surgindo o complemento ONE, ficando então AGE ONE.

    “Agindo contra o governo, hein? Depois falam que metaleiro não é marginal..." (risos)... Ironias à parte, quem é responsável pelas letras da banda? Achei elas muito boas, lidando bastante com um lado emocional das pessoas, mas conseguindo (ainda bem!) fugir de assuntos melosos como "fulano-ama-fulana", investindo mais em um lado filosófico da coisa...

    (Risos)... Sobre as nossas composições na verdade não existe um só responsável, geralmente quem mais compõe as letras sou eu e o Bruno Coe, mas temos composições dos outros membros também, na verdade a banda toda é bem coesa até mesmo nesses momentos de compor. Existe uma grande participação de todos e a idéia é exatamente essa... Fugir do que já está mais que saturado na música evitando essas repetições.

    Você tem alguma composição favorita, que mais goste de cantar? As que eu mais gostei foram "Way In Life", por ser bem diversa e inusitada, mas ainda assim não assustando quem gosta do gênero; e "The Illusionist", por seus momentos pesados para lá de empolgantes e bem compostos.

    Bom... Existem duas situações diferentes..existem músicas que nós da banda gostamos mais de escutar e existem outras que gostamos mais de tocar, no meu caso por exemplo, eu gosto muito de cantar a Litus Saxonicum (ainda indisponível no site) que nos shows empolga bastante o pessoal e até mesmo a gente, já apenas para escutar eu gosto muito da Way in Life!

    Cara, quem foi o gênio que teve a idéia de gravar um cover de Helloween para a música "Dr. Stein"? Confesso que eu prefiro Andi Deris a Michael Kiske, mas o que é clássico, é clássico... Eu pessoalmente gostei muito, achei um tributo muito empolgante à essa banda fundamental para o Heavy Metal nos anos 80... O seu vocal, inclusive ficou muito bom na faixa, e ressaltou sua influência "Kiskeana"! Como se deu a escolha para tal cover?

    O cover surgiu através de uma reunião que tivemos com um grande diretor de uma gravadora que por questões de negociações preferimos deixar no anonimato, mas seguindo um conselho dele fizemos um cover para incluirmos nessa demo, pois seria um atrativo para a nossa divulgação uma vez que a curiosidade surgiria naturalmente para ver se realmente teríamos a capacidade e qualidade para executar ta-la... Creio eu que o resultado foi alcançado, pois recebemos diversos elogios sobre o cover.

    Pergunta dupla: Como é a resposta do público e quais são as opniões da crítica especializada no geral?

    O público realmente nos surpreende a cada show, primeiro; somos uma banda que fugimos completamente de bandas "cover" o nosso show não segue as regras que geralmente se vê por aí subimos ao palco tocamos o nosso set de musicas próprias e somente para finalizar o show tocamos 2 ou três covers como uma forma de agradecimento ao público que surpreendentemente agita o show inteiro ao som das nossas musicas e sempre recebemos opiniões positivas sobre o som da banda, o que nos faz ter forças de seguir nesse caminho!

    Mesmo com toda a qualidade sonora da banda, ainda é bem difícil fazer sucesso hoje em dia, como uma banda de Heavy Metal; que o diga no Rio de Janeiro, em que o espaço dado é quase exclusivamente à bandas supostamente "emo" e "surf "... Apesar de contar com um bom apoio da mídia ultimamente (Total Massacration e Stay Heavy na televisão, Backstage nas rádios, Whiplash! e blogs na internet...) Você acha que o Heavy Metal ainda é discriminado perante a mídia brasileira, com o pouco espaço concedido no mainstream (só bandas de carreira longa que ultimamente estão fazendo sucesso na mídia mainstream brasileira...) e pouco interesse de grandes gravadoras?

    Com certeza! Vivemos essa situação infelizmente não só no Rio de Janeiro como em todo o Brasil, porém sabemos que precisamos seguir firmes e buscar atingir o mercado de fora. As gravadoras estão preocupadas em sugar as bandas ao máximo esquecendo-se do verdadeiro papel delas de participar ativamente e lógico, colher os frutos, porém com mais respeito, pois sabem que o músico tem os seus direitos!

    Mesmo assim, essas bandas que chegaram ao sucesso merecido, como Angra, Shaaman e Sepultura, são taxadas de "vendidas" por fãs que reclamam da falta de espaço, mas logo em seguida condenam bandas que alcançaram o sucesso, entre outras coisas... Enfim; Como você vê as atitudes dessas pessoas que se declaram "true headbangers"?

    Bom, vejo da seguinte forma... Cada um pensa como quer e segue a filosofia que acha correta, posso falar por mim apenas que acho que existem bandas que se vendem sim, porém acredito no verdadeiro espírito do Heavy Metal de ainda existe a lealdade, seja ela com o público, ou seja, ela com o mercado fonográfico. O livre arbítrio está ai, e quem sou eu pra julgar! Cada um faz o que acha melhor.

    Quais são os planos da banda para o futuro?

    Seguimos fazendo shows por todos os cantos do Brasil, estamos em uma turnê pelo interior do estado onde acabamos de tocar em Volta Redonda e estamos indo dia 11/06 tocar em Resende na 21ª edição do Domingo do Rock. As previsões para o segundo semestre é a gravação do EP ainda sem título! Podendo vir também a participação do AGE ONE no BMU 2006, uma vez que estamos na fase final, o que já é uma grande honra pra nós!

    O que mais tenho a desejar-lhes é sorte. Agora, o espaço é seu para falar o que quiser, agradecer a quem quiser, mandar beijo pra família (risos)... Solta o verbo!

    Em primeiro lugar em nome de toda a banda agradeço ao espaço que o Dangerous Music nos deu de estar podendo mostrar a todos vocês um pouco do que é o AGE ONE, uma banda que segue firme e forte em seus objetivos acreditando acima de tudo que a música é muito especial em nossas vidas! Obrigado a todos vocês que fazem não só o AGE ONE, mas todas as bandas acreditarem no sucesso! Nos vemos na estrada! Até breve!

    Os discos favoritos de Leandro Montéro:
    Accident Of Birth-Bruce Dickinson
    Images And Words-Dream Theater
    Somewhere In Time-Iron Maiden
    The Human Equation-Ayreon
    Live on Earth-Star One

    ___________________________________________________________
    Ei, psit! Ficou interessado?
    Aqui tem as mp3s: http://www.age-one.net/

    E aqui você solta o verbo sobre o que achou da banda: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=763366

    E, pouco depois dessa entrevista ser realizada, tivemos a notícia que Heraldo Souza acaba de assumir os teclados do Age One. Confira os próximos shows com formação oficial!

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    posted by billy shears at 7:56 PM | 12 comments

    sexta-feira, maio 12, 2006
    Crucified Barbara - In Distortion We Trust



    O que os rockers/bangers europeus bebem no café da manhã? Qual o tempero que os cozinheiros colocam no almoço dos músicos no Velho Mundo? A galera dos Estados Unidos tá precisando desse ingrediente mágico urgente, pois nem metade da galera ianque anda tirando um som tão bom quanto a galera dos países mais frios da Europa. Quer exemplos? Da Suécia, temos Gemini Five, Backyard Babies, Hellfueled, Crucified Barbara, The Hellacopters e Soilwork ; Children Of Bodom, In Flames, Stratovarius, Nightwish e H.I.M. (da Finlândia); Gluecifer, Kings of Convenience, The Kovenant e Theatre Of Tragedy (da Noruega), entre muitos outros. É rock e metal o suficiente para ninguém botar defeito!

    A banda dessa resenha, Crucified Barbara, é uma banda que demonstra todo o talento que mulher tem e como podem deixar homens no chinelo (toque pessoal de resenhista tarado: além de talentosas, as meninas são gatíssimas, para não dizer termos mais chulos ou indecorosos.); portanto, se você é sexista o suficiente para achar que o máximo que mulher pode fazer é pop music tipo Gwen Stefani ou música deprê estilo Portishead, faça-me um favor, caro amigo: mantenha seus olhos e ouvidos longe, bem longe, das meninas do Crucified Barbara, ou você corre o sério risco de morrer do coração.

    Estaria eu exagerando? Não, isso é um blog sem compromisso com a indústria musical, eu não faço jabá pra porcaria! A banda de Estolcomo tem como formação pela sonora e junky voz de Mia Coldheart, responsável pelas guitarras junto à Klara Force, enchendo o pobre ouvido humano de guitarras sujas e pesadas. E a parte rítmica, cheia de momentos de destaque e sempre mostrando muita precisão, é feita pela baixista Ida Evileye e a baterista Nicki Wicked. Não é só nos ameaçadores pseudônimos que a banda fica, a lírica da banda é cheia de sexo, chavões de exaltação ao rock-and-roll e ousadia. Nos dias de hoje, as meninas do Crucified Barbara são um exemplo de banda de Rock, cheia de referências de bandas como Motörhead, Metallica, e buscando um exemplo mais recente, Backyard Babies. Tudo banhado em tanta distorção que às vezes nem parece uma banda de rock-and-roll – em muitas músicas elas chegam a soar de uma forma heavy!

    "In Distortion We Trust". Quer título mais expressivo? Olhe a capa, ela por si só já libera energia e agressividade. O álbum é do ano passado e mesmo assim, riscando o disco ou queimando a placa de som, não dá para acreditar que o álbum seja tão foda assim. Mas é!

    Mia começa cantando sozinha no início da matadora “Play Me Hard”, um petardo com um riff insano e pesado, com a voz da vocalista chegando a rasgar em muitos momentos. A letra fala sobre um relacionamento que o cara pensa que manda, mas a garota que é a verdadeira “chefe”, e de como as tentativas do menino são frustradas, como diz o verso “Eu sei que você não me resiste/E no final eu sou aquela/Aquela que dorme na sua cama quando todas as suas garotas vão embora”. Um belo e melódico solo, que não dispensa energia em nenhum segundo, complementando essa verdadeira quebradora de pescoços.

    Qualquer desavisado vai pensar que o riff inicial da faixa título “In Distortion We Trust” é de algum álbum antigo do Metallica, mas logo volta ao som aquele rock sujo e forte, tão característico da banda, uma espécie de marca registrada, logo no primeiro álbum... Então, comece a ficar com medo, pois a banda começa a pesar tudo e Mia rasga a voz, parecendo de alguma banda de metal beeeem pauleira! A letra é bem perigosa, por assim dizer: “Oh yeah, vamos passar a noite/Nós vamos crucificar você sem dor, yeah certo/Quatro pedaços de sujeira e luxúria/Foda-se isto, na distorção nós confiamos”. Não espere nenhum momento de passividade, aqui não há tempo para momentos românticos. É uma avalanche de Rock And Roll, Heavy Metal e distorção... E ainda bem!

    Losing The Game” só não supera a abertura “Play Me Hard” na minha opnião, mas nem por isso é ruim. Um riff incrível, um pré-refrão e um refrão para lá de grudantes, heavy em sua essência, uma bateria espancada sem piedade, um baixo sobressalente. A letra fala de um relacionamento que deu errado, mas na verdade, quem perdeu o jogo foi o cara que resolveu acabar com tudo, pois a garota tá lá, rindo da cara do trouxa. Isso que é adrenalina sonora, rapaz...

    Até que “Motorfucker” lembra bastante o Motörhead dos últimos discos, um heavy-and-roll de muita garra, peso e poderio ofensivo. A letra exala sexo, onde Mia se compara com um carro, enquanto Ida enche o seu ouvido com seu baixo que parece um trem se aproximando em velocidade máxima. Tente não ficar pulando, com os punhos ao alto o refrão “Motorfucker!!!”, repetidamente. Sem contar a indecorosa palavra que o nome da canção lembra... Muito bem sacado.

    Exaltação ao rock and roll e ao sexo novamente... agora o papo é com “I Need A Cowboy From Hell”, (referência a Phil Anselmo? se for... porveita, Phil!) com versos como: “então você está de volta, eu não posso acreditar/você é tão malditamente fofo/eu preciso de um cowboy infernal!” desembocando no refrão “Hey, venha um pouco mais perto/Hey, me sinta/Me dê isso/Lamba, o gosto do meu estágio/Venha baby, me dê isso!”. Eu costumo ouvir o disco, enquanto resenho, e sinceramente, não sei se nesse exato momento eu resenho esse disco ou saio pulando pela casa...

    "My Heart Is Black" pisa um pouco no freio, mas esbanja poder, com guitarras pesadíssimas, vocais empolgados, e a bateria maltratando o tímpano. Uma exaltação mais do que bem vinda ao estilo mais amado do mundo: "O som está se aproximando,/eu sinto isso nas veias da noite" e "Eu dediquei meu amor a uma Flying V" são a prova cabal disso. E, me desculpem se for rasgar muita seda, as duas guitarristas (Mia e Klara) solam demais. Qualquer um viaja ao som dos solos dessas garotas.

    Outra bigorna caindo em cima dos ouvidos, "Hide 'Em All" tem as guitarras mais pesadas de todo o álbum, com palhetadas mais do que empolgantes. A letra fala sobre como o "eu" da música é perigoso (perigosa, no caso da banda...) sobre uma garota que rouba namorado dos outros, advertendo uma garota para tomar cuidado, e esconder o namorado. Os vocais de Mia são excepcionais, não só pelo vocal marcante, mas também pelas partes que rasga de uma maneira junky e decadente. Quando a pauleira acaba, você pergunta como ainda está vivo.

    Pode parecer repetitivo esse meio de começar a descrever uma música, mas dane-se. Outro riff endiabrado abre "Going Down", com momentos de destaque apenas para a guitarra e a bateria, mas a parte em que o baixo volta é indispensável, as meninas sabem trabalhar muito bem em conjunto. A garota pede para ser salva pelo garoto que fez ela se sentir como nunca tinha se sentido. O vocal de Mia dá o tom certinho, as garotas não podiam ter arranjado vocalista mais carismática.

    Por um momento, até parece que "I Wet Myself" vai conceder alguma calmaria. Ledo engano, ledo engano. Terrível engano. Os gritos de Mia tiram o sono de qualquer um. As guitarras se alternam entre rápidas e explosivas a arrastadas e fortes, criando um clima caótico. Vale a pena ver a letra por inteiro, mostra todo o estilo desbocado e decadente das garotas.

    A vingativa "Rock 'n' Roll Bachelor" é uma canção áspera, suja, espinhosa, violenta, mas que nem por isso abandona todas aquelas melodias distorcidas que as orelhas foram se acostumado ao longo do álbum. "É rock n roll Bachelor linha para o inferno/Envenenando como um tolo com o sorriso do diabo/Estava sob minha pele uma serpente do caralho;Então eu soube que as batidas do seu coração eram falsas", grita uma nervosa Mia. Uma hora a canção rola ladeira abaixo em matéria de peso, e os backin' vocals ficam mais furiosos do que nunca. Muito estiloso.

    "Bad Hangover", apesar do título, é um fechamento com chave de ouro (aliás, com uma chave em forma de flying V...), com guitarras carregadas, uma cozinha empolgada, um refrão onde você se sente motivado a gritar o título da música sem parar, pular e balançar o coco. Não dá para descrever em palavras o que deve ser ouvido, é uma coisa que eu falo muito. Para complementar, a letra é sobre uma ressaca. Pudera, meninas, após 10 noites de puro rock-and-roll descritas anteriormente...

    Enfim, você já leu o bastante para ter uma noção do que vem a ser o som dessas garotas. Sem frescuras, sem melodias fáceis, sem letrinhas bonitinhas, sem bandeiras políticas... Apenas sexo, cerveja e rock-and-roll. A Crucified Barbara é a pura sonoridade da vivência disso, e o melhor, fizeram a trilha sonora para quem leva esse agradável estilo de vida. Coisa de profissa, mesmo não tendo muito tempo de estrada, se lapidar o som, melhor ainda, desde que não percam a garra, ou se tornem "Vanillas Ninjas" da vida por excesso de paparicação midiática.

    Parafraseando uma amiga minha, sintetizo esse disco em duas palavras: ROCK ON!

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    posted by billy shears at 10:37 PM | 7 comments

    quarta-feira, maio 10, 2006
    Nirvana - Nevermind


    Cá entre nós: o Nirvana é um pontapé inicial na vida de um jovem aspirante a adepto do Rock. Ganhou um violão de aniversário e já vai aprender uma música do Nirvana. Vai comprar seus primeiros cds de rock e lá está o Nirvana na lista. Comigo não foi diferente. Muitos tiveram Kurt Cobain como um mártir da juventude dos anos 90, que reviveu o que os Ramones fizeram nos anos 70, visando levantar a auto-estima da rebeldia do Rock ‘N’ Roll.

    Entramos, então, nos anos 90 com o Hard Rock dando seus últimos suspiros. Skid Row, Poison e Guns N’ Roses eram tocados aos montes e suas baladas tomavam cada vez mais conta das rádios. Eis que surge um movimento em Seattle, entrando de voadora e mandando o visual glam pro espaço: ao invés de calças de couro justas, cabelos armados e maquiagem, roupas sujas, camisas de flanelas, All Stars maltratados e cabelos oleosos e desgrenhados. Ao invés de baladas românticas com solos de minutos, guitarras fortemente distorcidas e acordes simples, mas agressivos. Letras angustiantes eram o foco das atenções.

    “Nevermind”, de 91, gera discussões: foi esse álbum o divisor de águas do Rock ou não? Podemos dividir o Rock assim como dividimos o tempo em a.C e d.C? O que você me diz de um álbum que não te deixa abaixar o volume, nem muito menos faz você parar de sacudir a cabeça? Quando começar a ouvi-lo não se surpreenda se você estiver chutando seu abajur, jogando o telefone longe ou porrando o armário.

    A formação todos nós já conhecemos: Kurt Cobain na guitarra (pobres guitarras) e vocal, Krist Novoselic no baixo (coitado dos baixos) e Dave Ghrol, atual Foo Fighters, na bateria. Kurt ora gritava, ora cantava manso; Krist fazia seus malabarismos com o baixo, o que lhe rendeu um belo de um machucado num VMA; David soltava o braço e fazia suas ironias quando o assunto era “Guns N’ Roses”. Quer mais o quê?

    Pra começar arrombando a porta com um tiro de 12, temos o hino de uma geração: “Smells Like Teen Spirit”. Ah, vai dizer que você nunca ficou com dor de cabeça por causa dessa música? É só você ter 16 anos ou mais, se bem que muitos “rebeldes” precoces já bradem seu refrão como forma de demonstrar seu espírito “rock’n’roll”. O sangue ferve só de ouvir a guitarra fazer a introdução. Depois da entrada da bateria, tudo a sua frente é chutável. Não fique rouco ao tentar cantar “Com a luz apagada/ É menos perigoso/ Aqui estamos nós agora/ Nos entretenha...”. A calmaria no meio é só pra você descansar a cuca e voltar a sacudir em seguida. Seus vizinhos estão reclamando do som alto? Foda-se! Chute eles também!

    Não pode parar senão esfria. “In Bloom” chega com seu ar viajanate e angustiante. Guardou alguma coisa pra chutar ainda quando o refrão “Ele é o cara que gosta de/ Todas as músicas bonitinhas e ele/ Gosta de cantarolar junto e ele/ Gosta de atirar com sua arma...”? A bateria antes desse refrão é uma coisa de doido. É como se alguém estivesse te chamando “Ei, vamos demolir aquele prédio?”. O baixo de Chris se destaca entre a bateria nervosa de David e a guitarra suja de Cobain. Acabada essa, pode ir beber um pouco de água.

    Outro hino. Seu riff é obrigatório pra quem tem uma guitarra, um baixo e/ ou um violão. “Come As You Are” é calma até um certo ponto, mas faz pirar sua cabeça assim mesmo. Pode pular na parte “E eu juro que eu não tenho uma arma/ Não, eu não tenho uma arma...” e cantar puxando os cabelos “Venha/ Como é/ Como era/ Como eu quero que você seja...”. Pra finalizar temos um solo e mais uma vez o refrão. Já ta com a cabeça doendo?

    Agora junte uns amigos e dê play na próxima faixa. Se você gosta de uma rodinha punk, “Breed” é perfeita pra isso. A emoção já vem junto com o riff de guitarra. A bateria metralhada intensifica isso enquanto o baixo repete o riff. A veia Punk da banda pulsa nessa música, do começo ao fim. Uma letra no estilo “foda-se o mundo” com um refrão mais do que foda (“Podemos plantar uma casa/ Podemos construir uma árvore/ Eu não ligo mesmo/ Podemos ter os três/ Ela disse...”). É certo se pegar cantando o “I don’t care/ I don’t care/ I don’t care...”.

    Calminha no começo, “Lithium” não sustenta essa fachada. Com o vocal gritado, Kurt dispara uns “Yeah’s” depois de cantar “Eu estou tão feliz/ Pois hoje eu encontrei meus amigos/ Eles estão na minha mente...”. É bem uma letra de quem não tem o que fazer e está inquieto (“Estou tão só/ Mas tudo bem/ Raspei o cabelo...”). Pode gritar junto com ele “Eu gosto disso/ Eu não vou pirar/ Eu sinto sua falta/ Eu não vou pirar/ Eu te amo/ Eu não vou pirar/ Eu te matei/ Eu não vou pirar...”.

    Não saia do clima só porque “Polly” é acústica. É daquelas músicas pra você viajar na voz de Kurt e sua letra. Se quiser pode pegar o violão para cantar junto “Deixe-me dar uma volta/ Corte-se/ Ela quer ajuda/ Vou me divertir...”. Toque isso para um usuário e em alguns minutos ele vai estar vendo estrelas e embarcando em outro pra outro mundo. Ótima pedida.

    Mais um pouco de Punk Rock, então. “Territorial Pissings” conta com uma introdução onde Novoselic berrando: “Vamos lá, pessoal! Sorriam para o seu irmão! Todos se unam! Tentem amar uns aos outros! Agora!”. Tem alguma dúvida em começar OUTRA roda punk? Bem, então David puxa a bateria e Kurt já começa a cantar, se preparando para expelir todo o ar de seu pulmão e maltratar as cordas vocais no refrão “Tenho que encontrar um jeito/ Um jeito melhor/ Eu devia ter esperado...”. Pode perder a voz junto com ele, se quiser. O fim da música é onde ele praticamente tenta ficar sem a voz. Segure sua cabeça pra não pular fora do corpo!

    As coisas ficam mais calmas em “Drain You”, onde parece ser uma balada, mas muito além dos moldes Hard Rock. Apaixonada essa música, até no nome e no refrão “Mastigo sua carne pra você/ Atravesso tudo/ Em um beijo apaixonado/ Da minha boca pra sua/ Porque gosto de você...”. É só pra você poder dar uma respirada.

    “Lounge Act” começa com um ruído macabro seguido de um baixo distorcido. Uma música bem dançante com um Kurt cantando numa voz limpa...até entrar num refrão gritado, onde ele diz no final “Sentindo o cheiro dela/ Eles ainda sentem seu cheiro em você/ O cheiro dela em você...”. Gostei muito da melodia dessa música. Bem legal.

    E tome mais Punk Rock. Dessa vez até na letra. “Stay Away” é uma crítica social aos bons cotumes. “Macaco vê/ Macaco faz/ Não sei por quê...” dá a deixa para uma letra que manda pro espaço os costumes esdrúxulos da sociedade. E tem mais: “Dê uma folga/ Sorria/ Não sei por quê/ Merda de moda/ Estilo de moda/ Não sei por quê...” confirma minhas afirmações. O refrão repete o nome da música, como se o eu da música sentisse alergia a normalidade social. Ele até afirma no fim da música: “Deus é gay!”. Quer coisa mais anti-social que isso?

    “On a Plain” é cheio de mensagens subliminares. Calma comparada com as anteriores, com uma letra cantada com uma voz calma, exceto no refrão “Estou numa planície/ Não posso reclamar...”. Melodias simples fazem parte da faixa. Não é obrigatória, mas deixa o Cd rolar.

    A última música, “Something In The Way”, é definitivamente pra você sentar e descansar depois de tanto pular e se sacolejar. Com uma letra que mostra alguém no escuro de uma caverna (quem sabe a caverna escura de seus pensamentos), a música é bem deprê e repete uma única estrofe e o refrão “Alguma coisa no caminho/ Uuuuh uuuh...”. Merecida, depois de tantas pancadas sonoras.

    14 milhões é pouca coisa, não. Pra quem desbancou Michael Jackson das paradas norte-americanas, o Nirvana não era só um trio de rebeldes mal vestidos e fedorentos. Muito mais do que tocar rock, eles fizeram história no rock, marcaram uma geração e acabou no seu auge, o que os tornam mais admirados. Kurt Cobain supostamente se matou por causa da fama e o peso que ela deixa nas costas de quem a alcança.

    Vemos hoje vários jovens vestidos com camisas do Nirvana, calça jeans surrada e All Stars sujos. Parece que foi a rebeldia visual foi absorvida, mas será que a rebeldia ideológica de seus ídolos foi absorvida também? Pelo o que os jovens lutam? Mundo melhor? Contra os costumes sociais conservadores? Pais repressores? Vai saber. O moicano, símbolo de contra-cultura, anda pela cabeça de muitos jovens incluídos no circulo social e que não estão nem aí pra porra nenhuma além do seu bem estar.

    Mas voltando a pergunta lá no começo, o que você me diz sobre esse álbum ter sido considerado o divisor de águas do Rock? Tirem suas próprias conclusões depois de compará-lo com outros tantos considerados importantes e veja se ele se encaixa nos padrões “revolucionários”, não esquecendo da relação tempo-espaço. Pode ser que você ache que não, como também pode ser que sim, mas que o Nirvana é foda, ah, isso é.

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    posted by Vitor at 2:37 AM | 7 comments

    terça-feira, maio 09, 2006
    The Beatles - Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band

    (resenha feita em conjunto por Zero e Conrado)

    Zero: Final da década de 60, o verão do amor. Na época, o mundo voltava a atenção para a guerra travada entre Estados Unidos e Vietnã, quando milhares de jovens americanos se recusaram a ir lutar (e perder a vida) na guerra e aderiram ao modo de vida hippie, com uma vida regada pela tríade “sexo, drogas e rock and roll” e a dupla “paz e amor”.

    Os Beatles na época, já eram um fenômeno musical, que movimentavam milhões de fãs (e dólares) ao redor do mundo. Os filmes “Help!” e “A Hard Day’s Night” foram exibidos à exaustão por todo o globo. Bandas como Monkees, Who, Rolling Stones, Beach Boys e etc. surgiam como concorrência acirrada. A seqüência “Rubber Soul” e “Revolver” já demonstravam a insatisfação da banda com sonoridades convencionais da maioria das bandas e a vontade de fazer algo a mais pelo Rock And Roll. Foram alguns dos primeiros discos a mostrar que Rock poderia ser flexível, maleável, fundido com outros estilos, e principalmente ser utilizado para fazer obras de arte auditivas primorosas.

    Mas nada preparou o mundo para a banda do clube dos corações solitários do Sargento Pimenta.

    Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” não é apenas mais um disco. É a representação dos Beatles e do Rock And Roll andando juntos um nível acima. Essa resenha é a mais superficial possível; nenhum não-fã de Beatles iria ter paciência para ler detalhe por detalhe da bolacha.

    Com a formação bem conhecida (se você não viveu em uma caverna a sua vida inteira, você deve saber todinha) e produção do quinto beatle George Martin, esse disco causa polêmica até hoje. Na época, nem te conto. Foi capaz de deixar Brian Wilson dos Beach Boys em depressão por não se sentir capaz de concorrer com os Beatles e seu “Sgt. Peppers”.

    Zero:Não há ouvido humano que não fique... Como direi? Em êxtase ouvindo a faixa título que abre o álbum? O Rickenbacker no último de Paul, sua voz introduzindo a banda fictícia e os naipes de metais executado por músicos da Orquestra Sinfônica de Londres formam uma atmosfera indescritível. “Nós somos a banda do Sargento Pimenta e seus corações solitários/Esperamos que vocês gostem do show!” cantam John e George. Lennon e Harrison tocavam guitarra-solo, aliados à bateria de Ringo e o órgão de Martin. Ouvir essa música repetidas vezes significa descobrir uma coisa inédita a cada uma delas.

    Zero: With A Little Help From My Friends”, cantada por Ringo, é emendada à anterior, como se fosse um único tema. Embora muito criticado, mr. Starr dá um show, cantando com muita segurança, apoiado pelos backin’ vocals de seus companheiros, com cativantes guitarras, repletas de um ritmo maravilhoso. A banda nessa letra cutucava com vara curta quem acusava os Beatles de estarem começando a se drogar. O verso “Eu fico alto/Com uma pequena ajuda dos meus amigos” é uma prova inegável. Mas, em um contexto geral, é uma linda letra sobre amizade, com Ringo cantando versos de humildade inegável (“Me empreste suas orelhas eu cantarei uma canção pra você/E eu tentarei não cantar fora de tom”).

    Conrado: Ouvimos agora “Lucy In The Sky With Diamonds”. Nem é preciso elogiar essa música, pois ela já é elogiada só pelo fato de existir. Efeitos sonoros inovadores para a época (inclusive pros dias de hoje), produzidos por George Martin, levam quem escuta a uma viagem propriamente dita, guiada pela poesia lírica que, antes de tudo, é um marco da psicodelia.
    Inspirado fortemente nas obras de Lewis Carrol, John teve a idéia inicial de compôr a letra e melodia devido a um desenho feito por seu filho Julian. Quando John perguntou do que se tratava o desenho, Julian imediatamente respondeu "Lucy no céu com diamantes". John achou isso simplesmente bonito e resolveu escrever a canção, simples assim.
    Uma canção inesquecível e insubstituível, que serviu de inspiração pra muitos, e inclusive é citada em muitas outras músicas, como "Let there be more light", do Pink Floyd.

    Zero: Após esse verdadeiro e polêmico clássico, temos a quarta faixa, “Getting Better”, com vocais principais de Paul, cantando uma bem-humorada letra sobre um baterista substituto da banda (Jimmy Nichols,que tocou com o grupo quando Ringo operou as amígdalas), que era uma pessoa muito otimista. Um relaxo e uma viagem simultânea, com George Martin tocando as cordas do teclado ao invés das teclas. A música fica na sua cabeça por semanas, é inevitável. Com a adição de bongôs e um exótico instrumento chamado tampura, postas durante a sobreposição dos takes, a textura da música é imensa. Uma das melhores do álbum (se bem que esse adjetivo pode ser aplicada à todas da bolacha).

    Zero: Os vocais de “Fixing A Hole” são magníficos, assim como seu instrumental, misturando baixo, cravo e maracas, em outra letra polêmica, que os “construtores de mitos” dos Beatles dizem ser sobre o uso de drogas, mas Paul declara que estava se referindo a um conserto em sua fazenda. Não apenas pela polêmica, mas por toda a sua maravilhosa estrutura. Os Beatles estavam um nível além das outras bandas da época.

    Zero: Cordas, harpas, violinos, violoncelos montam a emocionante “She’s Leaving Home”, uma das baladas mais comoventes. Sério! Sem querer ser fã cego, mas a beleza dessa canção é inegável. John e Paul, carregado de sentimento, despejam todo o talento de seus gogós sobre essa canção, capaz de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, versando sobre uma jovem rica que deixou a casa de seus pais. A voz de John, gravada duas vezes, adquire um curioso efeito metálico, tornando a canção ainda mais única.

    Conrado: Being For The Benefit Of Mr. Kite”. Ah, a melhor canção do álbum! Sinto-me até indigno de comentar sobre ela, e ao mesmo tempo com muita vontade de fazê-lo, pois essa música me marcou desde a primeira vez que eu a ouvi.
    Maravilhosamente surrealista, ela transporta a "platéia" a um típico circo ilusionista dos anos 50, com um toque preciso de surrealismo, captando a essência real do circo, que é criar a ilusão (ou de certa forma tornar realidade) de um mundo criado pelos limites da imaginação do espectador, quebrando qualquer lei ou regra do dito "mundo real".
    Os arranjos sonoros são absolutamente magníficos, e a letra cai como uma luva. O único defeito que eu citaria, seria o fato de ela ser muito curta.

    Conrado: Entramos em “Within You Without You”, melhor música composta por George Harrison, em minha opinião. Logo de início se ouve George Martin abrindo a música e Harrison complementando a abertura, tocando a sua citara maravilhosamente, acompanhado por Ringo nos bongos. A letra pra mim é um dos melhores discursos sobre o universo e a forma como ele realmente funciona, algo que foi esquecido há muito tempo. Inigualável, sem dúvidas. "With our love, we could save the world / If they only knew"

    Zero: When I’m Sixty Four” foi composta por Paul em homenagem ao seu pai, que completava 64 anos na época, com um clima inocente, e uma letra dócil, com um tratamento meio de Big Band de Jazz dos anos 20 e 30, misturando piano, baixo, guitarra, clarinetes e backin’ vocals em uma canção de rara pureza, com um significado enorme para o baixista. Clássica por demais!

    Zero: Lá vamos para a experimentação em “Lovely Rita”, com Paul cantando sobre uma “meter maid” (moças que controlam o estacionamento), de uma forma muito bem humorada, com um toque genial: George, John e Paul friccionando pentes contra papéis para produzir um efeito “cha cha cha”, que constrói uma canção que assim como todas aqui, surgiam anos-luz à frente de quase toda a cena musical da época.

    Conrado: Em “Good Morning Good Morning”, temos uma das músicas de John em que se imagina ele sentando em uma calçada e observando a vida. Nessa em particular ele trata de assuntos específicos da agitada vida urbana, onde tudo acontece muito rápido, incluindo sentimentos e emoções. O que mais se nota nessa música em questão de sonoridade é a bateria agitada e muito bem tocada por Ringo (e ainda tem quem ouse chamá-lo de medíocre), seguido pelos solos da guitarra de George, e os instrumentos de sopro que eu acredito que sejam cornetas, mas não sei direito, e também não sei quem toca.

    Zero:O bis “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (Reprise)”, iniciado com uma contagem de Paul, sem o naipe de metais e com a banda toda cantando, maracas acompanham sutilmente essa versão mais rock da faixa-título, com um final explodindo em aplausos, abrindo espaço para os primeiros acordes da faixa mais polêmica de todo o disco...

    Conrado: A Day In The Life”. A música mais singular do álbum, com certeza. Muitos a consideram a melhor dos Beatles, e muitos a consideram a melhor desse álbum (eu particularmente acho que ela divide esse posto com Mr. Kite). Mas alheio às considerações, é uma das músicas feitas com o maior cuidado pelos Fab, com uma instrumentação magnífica, realizada por uma orquestra completa, mais os arranjos do 5º Beatle, mr. George Martin. Toda essa cautelosa instrumentação combinada com uma das melhores letras de John Lennon(mais duas estrofes de Paul, que se encaixam perfeitamente), com um tema puramente cotidiano, três notícias de jornal, que ele mesmo havia lido no dia em que compôs. Aparentemente algo "simples", mas que explora, junto com o espectador, todo um consciente humano, com sons dos mais inusitados, que fazem interpretar tudo o que ocorre numa mente humana numa simples manhã útil, lendo o jornal enquanto toma o café para ir pro trabalho. Um grande momento da música(dois, na verdade) são os dois "orgasmos sonoros", como John mesmo chamou, antecipado pela frase "I'd love to turn you on". Simplesmente um toque de gênio.

    Zero: Depois desse álbum, a banda só ficou inspirada a romper cada vez mais barreiras. Dentre outros lançamentos, podemos destacar facilmente o "The Beatles" (ou "White Album") e o "Abbey Road", que demonstravam uma banda no auge de sua maturidade musical e no ápice de sua genialidade.

    Mas, inexplicavelmente, "Sgt. Peppers" é o que mais se destaca em toda discografia dos Beatles. É difícil resumir tudo que o álbum representa nas veias da música e na vida de todos que tiveram seu coração e ouvidos desbloquados, modificados e alterados. Resumidamente, é o que podemos falar de Sgt. Peppers. Completamente, é impossível. Você terá de ver por si só.

    Conrado: "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" é o álbum mais importante da história da música (embora o melhor pra mim seja o "Abbey Road", nada supera esse disco), influenciou TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO que surgiu depois disso e se auto-intitulou "Rock and Roll", além de ter influenciado mais uma infinidade de estilos, cravando a sua marca pra sempre na história. As gerações futuras certamente não acreditarão que tal perfeição foi criada por seres humanos de carne e osso. Mas para os que viveram e presenciaram, serve para que percebam que a arte não tem limites, nunca.

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    posted by billy shears at 12:37 AM | 19 comments

    sábado, maio 06, 2006
    The Killers - Hot Fuss


    Uma onda indie atinge o cenário musical do novo milênio. Bandas do estilo pipocam aqui e ali, lançando seus clipes com ritmos empolgantes na MTV. É o caso dos ingleses do Bloc Party e dos americanos do Strokes. No Brasil se destacam bandas como Cansei de Ser Sexy e Cachorro Grande, juntando vários fãs com suas músicas. Eis que surge nos Estados Unidos uma banda nesses moldes, com forte influência de bandas inglesas.

    Formada em 2002, a banda The Killers lança seu álbum de estréia em 2004 pela Island Records, gravadora independente inglesa, a mesma do Keane. Os caras de Los Angeles, então, conseguiram a tão sonhada fama, tanto que seu primeiro Cd vendeu mais de 1.5 milhão só nos EUA. Na Inglaterra eles já mandavam ver pelos pubs e barzinhos.

    Com influências principalmente do Oasis, a banda é composta por 4 rapazes com sede de música. São eles: Brandon Flowers, responsável pelos teclados, sintetizadores e vocal. David Keuning, guitarrista, uniu-se a Flowers e então contrataram Ronnie Vannucci na bateria e Mark Stoermer, baixista. Junto, o quarteto compõe músicas empolgantes e com letras sobre relacionamentos envolvendo traições, morte, Aids e assassinos. Um belo trabalho de equipe resumido no álbum da resenha, “Hot Fuss”, com suas 11 músicas e emoções à parte.

    Primeira música, então vamos lá. Já começamos com efeitos eletrônicos e umas hélices de helicóptero no fundo. É “Jenny Was a Friend Of Mine”, que, na verdade, é uma mistureba de sons: um baixo muito bem destacado e muito bem trabalho; guitarra ao fundo, suja e embalada; bateria dançante; efeitos eletrônicos empolgantes; voz ora calma, ora gritada. Os versos da música refletem um cara cansado em afirmar que não tinha matado sua própria amiga, dizendo no refrão: “Não tinha motivo para esse crime/ Jenny era minha amiga...”. Ele dá outras afirmativas como “Eu não posso aceitar isso/ Eu juro que disse a verdade para vocês...” e “Eu jurei que nunca deixaria ela ir...”, voltando ao refrão. Música com ar de abertura, muito bem feito.

    Mais empolgação por vir e então partimos para a introdução doce e suave de “Mr. Brightside”. É automático o que os seus braços fazem para aumentar o volume e ouvir Brandon cantar “Estou saindo de minha gaiola/ E estou indo muito bem...”. Depois disso é só começar a pular. Tente não cantar com ele o refrão “Ciúmes/ Transformando santos em oceanos/ Nadando por doentes canções de ninar/ Sufocando em seus álibis...” e não pular, embalado pelas notas disparadas pelo resto da banda. O clipe também é de uma produção fantástica. A letra retrata um cara vendo sua garota o traindo (“Mas ela está tocando o peito dele/ Agora ele está tirando o vestido dela...”) e diz “Eu apenas não posso olhar/ Isto está me matando/ E tomando o controle...”. Bela pedida para animar festas essa música.

    A terceira faixa é mais uma baladinha gostosa de se ouvir. “Smile Like You Mean It” fala de uma nostalgia amorosa, algo como se alguém estivesse lembrando de sua (seu) primeira (o) namorada (o). Com uma distorção diferente, David acompanha o teclado de Flowers, enquanto o baixo está bem destacado e a bateria embalando a canção. É bem nostálgica a música, tanto que ele diz “E alguém está chamando pelo meu nome/ No fundo de um restaurante/ E alguém está brincando/ Na casa em que eu cresci...”. No começo da canção, Brandon canta uns versos como se algum adulto os estivessem proferindo para um jovem (“Guarde suas expressões/ Você sabe que só tem uma/ Mude seu jeito enquanto você é jovem/ Garoto, um dia você será um homem/ Ah, garota, ele te ajudará a entender...”), dando emoção à música.

    Somebody Told Me” vem com uma explosão de instrumentos para ser o principal hit da banda. Empolgada do começo ao fim, a música fala sobre um cara tentando conquistar uma mulher. Ele logo diz no refrão: “Alguém me disse/ Que você teve um namorado/ Que parecia com uma namorada/ Que eu tive em fevereiro do ano passado...”. Ele vê que a coisa não vai ser fácil e fala “O paraíso não está perto em um lugar assim/ Eu digo que o paraíso não está perto em um lugar assim...”. Os arranjos feitos pelo baixo e pela bateria são demais, sem contar os efeitos eletrônicos. Não é a toa que bandas como The Bravery tentam ser que nem os Killers. A fórmula perfeita para se estar nas paradas por muito tempo.

    Chegamos em uma música em que a introdução parece nos levar àquelas músicas embaladas por pianinhos e guitarra sem distorção. “All These Things That I’ve Done” passa longe disso. Ta certo que é uma baladinha, mas é legal de se ouvir e cantar junto com o coral de igreja gospel americana os versos “Eu tenho alma/ Mas eu não sou um soldado...”. O clipe é bacana também, onde várias pessoas vão se juntando a banda por onde eles passam. A letra passa uma mensagem de auto ajuda, terminando com versos legais: “Pra estes homens/ Mentiras são pequenos e velhos pecados/ Enquanto todos estão perdidos/ A batalha é vencida...”.

    Guitarra suja abrindo a próxima música, “Andy, You’re a Star”. O cara passa um conselho para o tal do Andy para que ele não se perca com a mulherada (“No carro com uma garota/ Prometa-me que ela não é o seu mundo...”) pois “Andy, você é uma estrela”. O cara manda bem nos campos e seu amigo não o quer ver como um perdedor. Backin’ vocal perfeito no refrão e no final temos a guitarra da introdução. Gostei da música.

    Nos deparamos com uma introdução a lá Daft Punk em “On Top”. Uma das minhas preferidas no cd. O refrão é contagiante e ele diz “No fundo, uhum/ Eu não posso rachar/ Estamos no topo/ É só uma dança e uma agitação, uhum/ Eu não posso fingir/ Estamos no topo...”. Algo sobre uma rave, onde os personagens dançam a noite inteira, perdendo a linha (“O dia está acabando/ E nós ainda estamos aqui/ Seu corpo está agitado/ E está claro...”). Os arranjos de bateria são legais, juntamente com o efeito eletrônico que rola ao fundo. Parada obrigatória no Cd.

    Mais uma vez a guitarra nos convida para uma música. A da vez é a baladinha “Change Your Mind”, com os instrumentos envolventes. Destaque para o baixo, que não é igual o das outras bandas: no The Killers o baixo é perfeitamente audível e bem trabalhado. O cara quer uma chance com a mulher e diz “Então se a resposta é não/ Será que posso mudar sua opinião?”. Letra e melodia simpáticas. Gostei.

    Mais uma introdução eletrônica e os tambores da bateria soando para abrir “Believe Me Natalie”. Uma letra muito bonita, onde ele pede para que Natalie o ouça com atenção e esqueça o que os outros dizem (“Acredite Natalie, ouça-me/ Esta é a última chance/ Para achar o go-go/ Esqueça o que eles disseram em Soho...”). Os caras mandam muito bem nessa baladinha. Não deixe de ouvi-lá até o fim.

    Partimos para a agitação de “Midnight Show”, música que lembra muito os hits dos irlandeses do Franz Ferdinand. A bateria de Ronnie nos embala com seu contra-tempo dançante. Efeitos eletrônicos ao fundo, como não poderia deixar de ser, e Brandon canta uns versos sobre um cara tentando conquistar uma garota levando-a a um show. Elogios rolam e ele até diz “Você está com uma saia incrivelmente curta/ Eu quero melhorar, melhorar, yeah yeah...”. É legal acompanhá-lo quando grita “I drive faster, boooooy...”, seguido de uma voz calma que diz “If you can keep a secret...”. Muito legal essa música. Ótima para ouvir nas alturas.

    Efeitos eletrônicos abrem a última faixa do Cd, calma e de refrão fácil de assimilar. “Everything Will Be Alright” fecha o álbum cheia de efeitos eletrônicos e uma letra sobre um relacionamento conturbado, onde o cara diz “E bonequinha/ Eu sempre falei sério/ Você não precisa se comprometer...”. O refrão diz que tudo vai ficar bem e é repetitivo. Keuning dispara um solo com uma distorção bem aguda enquanto a canção se apronta para terminar. Quebra legal o ritmo “let’s dance” do cd. Gostei muito dela não, mas há quem goste.

    Misturar rock’n’roll com algumas doses de eletrônico não há nada demais, a não ser que você exagere e acabe como um Limp Bizkit da vida. Os caras do The Killers mandaram muito bem no seu álbum de estréia e em uma hora muito boa, quando o indie pop/rock está em alta. Talvez seja essa a tendência para os rumos que vão tomar o rock no novo milênio, já que muitas bandas tentam fazer você digerir um som nada agradável e comparável com o estilo. Passamos da era do New Metal depressivo de Linkin Park e Evanescence para entrarmos na alegria e empolgação de bandas que estão trazendo de volta o swing do bom e velho rock’n’roll.

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    posted by Vitor at 11:12 AM | 7 comments

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