colaboradores

BERNARDO
18 anos, RJ
+ info

NARA
16 anos, SP
+ info

LUDEN
15 anos, SP
+ info

SAM
16 anos, SP
+ info

VITOR
18 anos, RJ
+ info

LIZ
15 anos, RJ
+ info

NAT
17 anos, SP
+ info

GABO
16 anos, SP
+ info


Previous Posts

a r q u i v o s

  • Janeiro 2005
  • Fevereiro 2005
  • Março 2005
  • Abril 2005
  • Maio 2005
  • Junho 2005
  • Julho 2005
  • Setembro 2005
  • Outubro 2005
  • Novembro 2005
  • Dezembro 2005
  • Janeiro 2006
  • Fevereiro 2006
  • Março 2006
  • Abril 2006
  • Maio 2006
  • Junho 2006
  • Julho 2006
  • Agosto 2006
  • Setembro 2006
  • Outubro 2006
  • Novembro 2006
  • Dezembro 2006
  • Janeiro 2007
  • Fevereiro 2007
  • Março 2007
  • Abril 2007
  • Maio 2007
  • Junho 2007
  • Julho 2007
  • Agosto 2007
  • Setembro 2007
  • Outubro 2007
  • Novembro 2007
  • Dezembro 2007
  • Janeiro 2008
  • Fevereiro 2008
  • Março 2008
  • Abril 2008
  • Agosto 2008
  • Setembro 2008

  • L    i    n    k    s

  • Google News
  • Rock Town Downloads!
  • ~Daia.no.Sakura
  • Young Hotel Foxtrot
  • É Rock And Roll, Baby
  • Musecology
  • O Resenhista
  • Dangerous Music No Orkut

  • B    U    S    C    A


    L i n k    U s




    c r e d i t o s

    Powered by Blogger
    Design by Nara

    segunda-feira, fevereiro 27, 2006
    Blink 182 - Dude Ranch

    Podemos dizer que 1996 foi o ano em que o Blink 182 começou a traçar seu caminho para o sucesso. Dois anos antes a banda começava a trilhá-lo, lançando seu primeiro cd independente, o Buddah, no mesmo tempo em que morria Kurt Cobain, no auge de sua banda, e também no mesmo período em que o pop-punk (ou “punk pirulito”) estava começando a ganhar espaço com o lançamento do álbum "Dookie", do Green Day. O punk já fugia de sua ideologia, mas seu ritmo rápido era adotado pela banda californiana em questão. Em 1995 a banda lançaria seu segundo álbum, "Cheshire Cat", e começava a ganhar mais espaço no cenário punk rock/ hard core, sendo a grande atração dos festivais de verão norte-americano, a Warped Tour, juntamente com outras bandas de seu estilo.

    1996 foi realmente o ano em que o estopim da banda foi aceso. Era lançado o Dude Ranch com um selo não mais independente. O trio de San Diego Tom DeLonge (guitarra/vocal), Mark Hoppus (baixo/vocal) e Scott Raynor (bateria) decolaria para o sucesso de ali por diante já com um clipe na MTV 2, da música “Josie”, seguido pelo vídeo clipe do hit “Dammit”. Scott Raynor deve estar lamentando até hoje ter deixado a banda por não despontarem definitivamente para o estrelato.

    A moda entre bandas do estilo do Blink 182 é falar sobre os relacionamentos amorosos, desilusões, farras e bebedeiras de adolescentes. Prova disso se encontra na primeira faixa do álbum, “Pathetic”. A música começa com um disparo de enlouquecer, juntando a pegada na bateria de Scott, o riff de Tom e o baixo de Mark. O guitarrista e o baixista dividem os versos da música entre si, citando a letra que fala sobre um garoto que brigou com a namorada e ficou sabendo que ela o chamou de patético. O pré-refrão fica na cabeça, mas não tão quanto o refrão, quando ambos dizem “Don’t pull me down/ this is where I belong/ I think I’m different/ This is where I belong”, sucedidos do riff inicial da música. Boa pedida para aqueles adoradores de pôgo.

    Ser engraçadinho também conta. “Voyeur” não me deixa mentir. A bateria faz a introdução e DeLong entra cantando com uma distorção suja na guitarra. Ora, o que esperar de jovens que tocam em bandas de pop-punk? Letras engraçadas. A letra retrata a rotina de um garoto que espia sua vizinha trocando de roupa e sabe toda o dia-a-dia dela. “Right after supper/ her brother shower’s twice a week/ He kicks my ass so much/ that fucking white inbred” é o que ele relata sobre o irmão de sua vizinha. Não podemos esquecer do solo de Mark Hoppus no fim da música, mostrando que ele não é apenas mais um rostinho bonitinho na banda.

    Todo fã de Blink 182 conhece muito bem o riff da próxima música. “Dammit”, com certeza, é um dos melhores hits da banda. Cantada por Mark, a música deixa seu riff estampado na mente de quem a escuta. O clipe realmente é hilário, mostrando o desespero do baixista ao ver sua ex-namorada com o atual namorado no cinema. Ele faz de tudo para chamar sua atenção, diferente da música, onde ele diz: “And I will smile/ And you’ll wave/ we’ll pretend it’s ok/ The charade/ It won’t last/ When he’s gone I won’t come back”, descartando-a definitivamente. Segue o refrão, também grudento, terminando a música com o riff empolgante.

    Mais uma introdução empolgante abrindo a próxima música: “Boring”. Após Tom despachar o riff, entra a bateria rápida de Scott, não deixando o baixo de Hoppus, distorcido, para trás. No refrão ele deixa claro que não dará mais sua confiança para tal garota, cantando: “No trust/ All I got is lies/ Boring/ Alright”. Depois de cantar o refrão pela segunda vez, o ritmo dos instrumentos diminui, voltando para a agressividade do começo. Como não poderia deixar, uma gracinha estava prestes a vir: sons de uma pessoa mandando beijo, seguido de um relincho, terminam a música.

    Comparada com as quatro músicas anteriores, “Dick Lips” é mais calma. Como afirma Tom DeLonge no cd ao vivo: “Essa música é sobre quando eu bebi muito e fui expulso do colegial...”, a música é um pedido de desculpas aos seus pais por ter feito isso. A introdução é calma, guitarra limpa tornando-se distorcida logo após a virada da bateria, mas sem alterar o ritmo. Ele próprio assume que errou quando diz: “Nothing to lose/ A boy who went out when he finished all his chores/ Nothing to do/ They can’t trust me/ Because I blew it once before”, terminando a música logo em seguida.

    Waggy” começa, também, com um riff legal, mas não tão empolgante como o da terceira música. Digamos que essa música está no mesmo nível do que a anterior, diferenciando-se apenas pelo toque emo que carrega em sua letra, levando-a a ser uma baladinha. Mais uma vez Mark Hoppus solta a voz, enquanto os outros dois comandam muito bem seus respectivos instrumentos. “It’s never over ‘till it’s done/ And I don’t think that you’re the one” é repetido seguidamente no fim da música, cantado em parceria pelos dois vocalistas.

    A próxima música parece que iria dar continuidade ao ritmo de baladas no cd, mas se engana quem pensou isso. Como diz o ditado: “As aparências enganam” e é verdade. “Enthused” começa com um belo trabalho entre as quebradas da bateria e da guitarra. Logo após alguns segundos de introdução, começa o ritmo empolgante num estilo hard core californiano nato. Mark Hoppus participa muito bem dos backin’ vocals, sem deixar a peteca cair, no baixo. A música retrata uma acusação sobre uma garota que, segundo Tom DeLonge é “preguiçosa e relaxada”. O refrão está aí para afirmar: “She doesn’t care at all/ She doesn’t care at all/ She doesn’t care about those times we never shared at all”. Não fica muito longe de ser um dos melhores hits do álbum.

    Uma introdução calma e sem distorção dá início à “Untitled”, levando a crer que essa música também seria uma baladinha romântica. Não se iluda com esses rapazes. Após terminar a segunda estrofe, Tom DeLonge puxa a banda para tocar mais agressivamente puxando os acordes com uma guitarra já distorcida, enquanto Scott marca o tempo com seus contra-tempos. Pronto. Então DeLong começa a cantar: “But what do I get 'cause I just seem to lose/ You make me regret those times I spent with you...”. Mais uma vez não poderia faltar as gracinhas: gritinhos histéricos terminam a faixa emotiva.

    Sem dúvida essa é uma das melhores faixas do álbum. “Apple Shampoo” começa com uma conjunção de pratos, guitarra e baixo, seguidos pela voz de Mark Hoppus e um belo trabalho em um baixo distorcido. Como a maioria das músicas do Blink, essa deixa transparente a essência emotiva. A música soa mais como um desabafo, principalmente quando ele diz: “She’s so important/ And I’m so retarded/ And now I realize/ I should have kissed you in LA...”. É um dos principais hits do Cd e tem uma pegada digna para quem adora abrir uma roda de pôgo. Ta aí uma música que deveria ganhar um vídeo clipe.

    Mais uma vez Mark Hoppus vem puxando uma canção no álbum, acompanhado dos backin’ vocals graves de Tom DeLonge. A bateria de Scott Raynor lembra muito as técnicas de Travis Barker, o que não o deixa muito atrás deste. Em “Emo” está claro, até no nome, a letra emotiva. A introdução é com uma guitarra distorcida, mas abafada. Mark canta pontos negativos no atual namorado de sua inspiradora quando diz: “And I don’t care/ He is such a dick/ He treats you like a stupid whore...”. A música é muito boa. Uma ótima preparação para um dos senão o principal hit do Cd.

    Josie” foi escrita por Mark Hoppus para sua namorada na época. Quem não quer ter uma ‘Josie’ para si? O ritmo rápido abre a música, junto da afirmação de Hoppus ao dizer que sua namorada o leva para casa quando ele está muito bêbado para dirigir. É uma das músicas do Blink que não te deixa ficar parado e é inevitável rolar um pôgo ao som dela. Tom faz uma pequena ponta na música recitada por Mark, que no clipe faz de tudo para impressionar uma garota no colegial, chegando a ser levado para o hospital depois de se dar mal numa pista de corridas com obstáculos. Ele reconhece o valor de sua namorada, tanto que diz: “She’s so smart and independent/ I don’t think she needs me...”. É uma faixa obrigatória de ser ouvida no Dude Ranch.

    A próxima música retrata a paixão do autor pela Princesa Leia, de Star Wars. “A New Hope”, também cantada por Mark Hoppus, tem uma introdução empolgante. Pena que a faixa não ganhou muito destaque, pois não fica de fora de ser uma das melhores faixas do álbum. Nela está estampado o espírito engraçado do trio ao relatar um amor utópico entre uma pessoa de carne e osso por um personagem de filme: “Every night I fall asleep with you/ And I wake up alone...”. O refrão gruda na cabeça como chiclete e a canção cai muito bem em doses altas com alto teor de último volume.

    Mais uma vez o teor engraçado da banda é exposto em “Degenerate”. A cozinha faz a introdução, bem calma, contando com a participação tímida da guitarra dedilhada de Tom. O ritmo vai calmo até chegar ao refrão, onde afirmam serem degenerados mesmo: “Don't like hesh/ don't like rap/ kicked ol' Sally cause she's fat/ I'm a jerk/ I'm a punk/ Took a shower cause I stunk/ Smoked a bong/ killed a cat/ had my nuts/ attacked by rats/ Dad got nude/ I wore a thong/ For a hobby/ I make bombs”. Quando você pensa que a música acabou, você se engana, pois o refrão é repetido de novo para, aí sim, dar fim a essa faixa hilária. O que se pode esperar de um trio de garotos adolescentes?

    O ritmo divertido se repete quando Tom DeLong puxa a introdução de “Lemmings”. Mark Hoppus volta a nos mostrar sua voz, acompanhando pelo riff da introdução ao fundo. É impossível ficar parado nessa música. A animação se mostra até mesmo na voz de Hoppus ao cantar o refrão: “Is it too much to ask for the things to work out this time/ I'm only asking for what is mine/ It wanted everything/ I got it now I'm gonna throw it away/ I'll throw it away yeah”. É empolgação do começo ao fim. A banda poderia voltar à ativa com esse espírito empolgante que deixou a desejar em seu último Cd.

    Finalmente, a última música. “I’m Sorry” fecha esse maravilhoso álbum com um começo digno de balada romântica, que logo é deixado de lado, dando lugar ao hard core. A música passa um ar de despedida até na letra, que se mostra como um consolo para a pessoa que inspirou o autor. O ponto que chama atenção e dá essa característica melancólica na música é esse: “And I know you’re down/ I’ll see you around/ And I know it hurts/ But you’re just getting older...”. Mark Hoppus, além de esbanjar habilidade com um baixo distorcido, participa da música recitando o nome da música 16 vezes quando a canção se encaminha para o fim. Como não poderia terminar sem um toque “Blink 182”, a faixa termina com um diálogo entre um homem e seu cão, que acaba por lamber a água da privada onde o rapaz acabara de urinar.

    O Blink 182 terminou. Alguns torcem por um eventual retorno (assim como eu), mas queremos um Blink dos tempos do "Cheshire Cat" e, principalmente, do "Dude Ranch". Seu último álbum em estúdio, Blink 182, deixou muito a desejar, fugindo muito (diga-se totalmente) do seu estilo hard core brincalhão. Vamos torcer para que isso aconteça, mesmo sendo uma possibilidade muito remota.

    Curiosidades: Esse foi o último álbum com Scott Raynor nas baquetas da banda, dando lugar a Travis Barker, assumindo a posição nas gravações do álbum seguinte, "Enema Of The State".

    Marcadores:

    posted by Vitor at 11:51 PM | 7 comments


    Titãs - Cabeça Dinossauro


    Às vezes me revolto um pouquinho lendo sobre o Rock nacional, porque parece que há uma focalização um tanto quanto exagerada aos considerados gênios do Rock pátrio, ou seja, Raul Seixas, Renato Russo e Cazuza. Calma, não estou desmerecendo esses três caras que com certeza foram alguns dos nomes mais importantes para provar que o pessoal do Brasil tinha Rock And Roll pulsando nas veias. Mas eu acho que nós também temos Titãs, Ultraje A Rigor, Camisa de Vênus, Engenheiros do Hawaii, Ira!, Mutantes, Secos & Molhados, Barão Vermelho (sem Cazuza) e tantos outros. Sim, tratados sobre o Rock Nacional tratam sobre todos esses nomes sim, mas você sempre vai perceber um espaço de comentários maior ao Raul, à Legião e ao Cazuza. Bem, eu também não seria tão imparcial ao escrever assim sobre o B-Rock...

    Fiz essa introdução necessária para chamar a sua atenção e voltar seus olhos para a banda de Rock nacional mais representativa e importante no momento (afinal, abrir para os Rolling Stones, não é todo mundo que tem essa responsa, não?) , os Titãs e o seu maior clássico, o "Cabeça Dinossauro".

    "Cabeça Dinossauro" é um daqueles raros momentos do Rock. Para entender o álbum melhor, é melhor situar o leitor na situação dos Titãs na época. Em 1986 o Plano Cruzado acabava de ser instalado, que reduzia bastante o preço dos discos e qualquer banda que fizesse algo mediano venderia horrores. Os Titãs, que estrearam com a fama de bons moços, o genro que toda sogra queria ter, jogavam essa fama no lixo quando o (na época) vocalista Arnaldo Antunes e o guitarrista Toni Belloto foram presos por se envolver com heroína.

    Lembra o que eu disse sobre o Plano Cruzado? A prisão dos dois serviu de pretexto para que os Titãs, que na época procuravam algum determinado tipo de som para fazer, encontraram então o que queriam: revolta. E assim, no estúdio Nas Nuvens do Rio de Janeiro, um novo disco surgia...

    "Cabeça Dinossauro", de 1986, é sem dúvida o mais primal, selvagem, brutal e pesado disco da história do Rock brasileiro. Seu peso não advém de distorções gravíssimas de guitarras ou bateria hipersônica; soa como uma captação do que o ser humano pode produzir de mais pré-histórico em forma de música moderna, e com uma lírica áspera e violenta feita a sonoridade: os Titãs atacavam abertamente pilares considerados sagrados pela sociedade, como a Igreja, o Estado, a Segurança Pública, a família, o sistema bancário... A destruição que o homem causa ao seu próprio planeta também era atacada abertamente, em uma crítica que soa terrivelmente atual até hoje, em todas as suas músicas. Nenhuma perdeu o valor de crítica.

    Nando Reis (Baixo/Voz), Paulo Miklos (Baixo/Voz), Charles Gavin (Bateria/Percussão), Arnaldo Antunes (Voz), Branco Mello (Voz), Toni Bellotto (Guitarra) e Sérgio Britto (Teclado/Voz) não estavam de brincadeira. O falecido Marcelo Fromer estreava nesse disco participando das guitarras em "Igreja" e participando da composição de "Homem Primata". O ex-baixista dos Mutantes e superprodutor onipresente Liminha foi responsável pela produção do disco junto a Vitor Farias e Pena Schmidt, e foi responsável também pela direção artística e musical.

    Você também deve ter reparado na capa, não? A "Expressão de Um Homem Urrando" era um desenho de Leonardo da Vinci, que está em exposição no Museu do Louvre, e que digamos, é a sinopse visual perfeita do que o disco é aos nossos ouvidos...

    Imagine estar em frente a uma caverna, ainda na Idade da Pedra, e de repente, uma guitarra ressoando como um urro de um Australopiteco e uma bateria espancada com força e em ritmo tribal, ajudada pela percussão de Liminha... Assim que soa a faixa título "Cabeça Dinossauro". Branco Mello soa sáurico em seus vocais, gritando palavras como "Cabeça Dinossauro", "Pança de Mamute" e "Espírito de Porco". É uma música única, que ninguém nunca fez igual, nem o Sepultura, que é chegado em um som tribal. A parte percussiva solo no meio da música foi adaptado do "Cerimonial Para Afugentar Maus Espíritos", dos Índios do Xingu. Enfim, dispensa comentários, uma música genial, sem a mínima pretensão de soar original e revolucionária, e sim, recordar a vida de nossos antepassados a alguns mil anos atrás...

    "AA UU" tem bases meio new wave, mas Sérgio Britto sendo acompanhado dos outros vocais, parece uma reunião de macacos ensadecidos, gritando ferozmente o nome da música. A letra demonstra que eles estavam cansados da rotina proporcionada por um sistema sufocador, em versos como "Estou ficando louco de tanto pensar/Estou ficando louco de tanto gritar" e "Estou ficando cego de tanto enxergar/Estou ficando surdo de tanto escutar". Um dos maiores clássicos do álbum, uma porrada sem tirar nem pôr, e que ao vivo fica infernalmente pesada!

    O primeiro pilar da sociedade atacado por essa trupe titânica (perdão o trocadilho) vem em "Igreja", rápida e furiosa, mas ainda assim com bastante melodia em suas bases, nitidamente influenciadas pelo Punk Rock. Nando Reis, com uma voz bem diferente da habitual, está furiosíssimo, um animal, proferindo versos como "Eu não gosto de terço/Eu não gosto do Berço/De Jesus De Belém" e "Eu não gosto do papa/Eu não creio na graça/Do milagre de Deus". Um protesto contra as religiões elitistas e manipuladoras, verdadeiramente porradeiro, com um baixo bem presente e uma bateria vigorosa.

    Entra então o maior clássico do álbum: "Polícia", com vocais de Sérgio Britto. Um hardcore pedreira, que ao vivo fica muito mais feroz, se é que isso é possível. A letra denuncia abusos de autoridade feitos pelas forças policiais, que culminam no gritado refrão "Polícia para quem precisa/Polícia para quem precisa de polícia". Em certas turnês dos Titãs, Sérgio chegava a cantar essa música com vocal gutural, provando que se os Titãs já sabem compor verdadeiras porradas em estúdio, ao vivo tais porradas viram metralhadoras giratórias, dada a violência com a qual são executadas... Enfim... Não vou gastar meu português... A sinergia de "Polícia" é captada de primeira para qualquer um que tenha rebeldia e incoformismo correndo nas veias.

    "Estado Violência" é, digamos, uma das mais elaboradas do álbum, com composição de Charles Gavin e voz de Paulo Miklos. Uma bateria bem marcante e um baixo contagiante introduzem essa canção, que se na sonoridade quebra um pouco o ritmo, tem uma das letras mais ásperas do álbum com versos como "Estado violência/Estado hipocrisia/A lei que não é minha/A lei que eu não queria" (...) "Atrás de portas frias/O homem está só" (...) "Homem em silêncio/Homem na prisão/Homem no escuro/Futuro da nação!", retratando todo o movimento pró-censura e pró-ditadura apoiada por muitos na época, e ainda terrivelmente atual, retratando a cultura violenta, alienadora e enlouquecedora a qual somos submetidos.

    Você pensou que ia ter espaço para relaxar e vem uma porrada dessas... "A Face do Destruidor" é a música mais primal e pré-histórica do álbum ao lado da faixa título, 34 segundos de uma guitarra desordenada, uma bateria descontrolada e Paulo Miklos berrando a plenos pulmões a destruição causada pelo homem, de forma apocalíptica: "O destruidor não pode mais destruir porque o construtor não constrói (...) A face do destruidor!"

    A próxima porrada leva o óbvio nome de... "Porrada"! Outra pérola da fúria dos rapazes do Titãs, com uma veia punk fincada em um rock visceral, onde Arnaldo Antunes começa elogiando o sistema de ensino, o sistema judiciário, as pessoas ricas, o Estado, o Exército, o sistema bancário... Até que a banda toda grita contra todos esses que propõem uma sociedade conformista: "Porrada/Nos caras que não fazem nada!". Um verdadeiro murro no conformismo, complementado por um belo solo cheio de energia. Em uma palavra: foda!

    "Tô Cansado", onde figuram pela primeira vez os teclado do Sérgio Britto, com vocais de Branco Mello, onde a banda demosntra estar cansada de tudo, o 'eu' da música não quer mais saber de si mesmo, de coisas comuns, de coisas raras, do moralismo amoral da sociedade, cansado de tanto levar ferro no cobre por parte dos governantes. A bateria de Charles Gavin é outro destaque, um dos melhores bateras do Rock brasileiro.

    Outro clássico da banda, essa é "Bichos Escrotos", com vocais podres e, porque não, escrotos de Paulo Miklos, convocando todos os bichos considerados nojentos feito baratas, ratos e pulgas, para perturbar a vida do 'civilizado' homem moderno. Uma das mais brutais do álbum e particularmente nojenta, com versos como "Oncinha pintada/Zebrinha listrada/Coelhinho peludo/Vão se foder!/Porque aqui na face da Terra só bicho escroto é que vai ter!". Analogicamente, retrata a destruição que o homem causa a si próprio, destruindo tudo que é belo e deixando tudo... escroto.

    "Família" é a mais leve do álbum, e com uma das letras mais irônicas de todo o álbum. A bateria tem um andamento meio brasileiro, meio Reggae, com guitarras e teclados no mesmo estilo. O vocal dessa faixa é Nando Reis. Com bastante ironia no tom de sua voz, demonstrando o cotidiano de uma família genérica: paranóica, neurótica, viciada em televisão, com filhos rebeldes confrontando pais moralistas, e que no final, mesmo com todos brigando com todos, cometem a hipocrisia de... almoçar juntos! "Família, família/Almoça junto todo dia/Nunca perde essa mania" soa cáustica na voz animada e sarcástica de Nando Reis. Música muito boa e que dá uma original e surpreendente quebrada de clima no disco!

    Uma das minhas favoritas... "Homem Primata"! Um rock-punk da melhor qualidade, com uma letra cheia de ironia, Sérgio Britto está um verdadeiro animal nos vocais, falando sobre o 'eu' da música descobrir a destruição causada pelo homem a seu próprio planeta e a si mesmo. Versos polêmicos como "Desde os primórdios/Até hoje em dia/O homem ainda faz/O que o macaco fazia" e "Eu aprendi/A vida é um jogo/Cada um por si/E Deus contra todos/Você vai morrer e não vai pro céu/É bom aprender... A vida é cruel!", criticando as pessoas que não vivem o hoje, vivem apenas em função de um amanhã glorioso. Ainda há uma bem-humorada parte cantada em inglês, satirizando o domínio norte-americano na nossa cultura... Tudo isso sempre desemboca no simples mas ao mesmo tempo profundo e inteligente refrão "Homem Primata/Capitalismo Selvagem"... Já falei muito sobre essa música, para entender a magnitude dela, só escutando, meu camarada.

    "Dívidas", outra vez em uma levada meio reggae/ska, meio rock, é uma crítica ao capitalismo e ao sistema bancário. Um retrato do trabalhador brasileiro na época: "Meu salário/Desvalorizou (...) Senhores, senhores, senhores/Tenham pena de mim!". Branco Mello está bem agradável nos vocais, mostrando indignação sem abandonar sua melodia vocal característica.

    Encerrando o discão, temos "O Quê", composta e cantada por Arnaldo Antunes, com arranjos da banda e de Liminha, e com efeitos eletrônicos por parte de DMX. Uma música com um ritmo dançante e com Antunes cantando ritmado, quase como um robô-rei gritando aos seus súditos o que pode e o que não pode: "Que não é o que não pode ser/Não é o que não pode ser/ Que não é". Incrível como soa cáustica até os dias de hoje essa música, mesmo que não se compreenda a letra de primeira.

    Como dito lá em cima, um dos raros momentos na história da música: uma banda inspirada, composições excelentes, com uma crítica social realmente de valor ao sistema da época de 1980 e que continua atual até os dias de hoje. Entre a acessibildade (Blitz, Dr. Silvana, Inimigos do Rei) e a genialidade (Legião Urbana, Cazuza, Raul Seixas), os Titãs resolveram não ficar com nenhum dos dois e gravar algo genial de forma diferente. Um disco perfeito mesmo, obrigatório na coleção de qualquer amante do Rock And Roll.

    "A música "Bichos Escrotos" tem a radiodifusão e execução pública proibidas em virtude de ter sido vetada pelo Departamento de Censura e Diversões Públicas da S.R. do D.P.F."
    -Nota que, apesar de ser posta lá de obrigatória, acabou soando como o Estado se autocriticando... Né mesmo?

    Marcadores:

    posted by billy shears at 9:36 AM | 9 comments

    sábado, fevereiro 18, 2006
    Slayer-Divine Intervention


    Acho que nem será necessário meu comentário inicial sobre o Slayer, porque eu já falei tudo sobre o que a banda representa e significa no mundo nas ultimas resenhas que eu havia feito sobre a banda. Todos sabem que é uma das bandas junto com Black Sabbath e Venom a ter um certo interesse, ou por questões de bater de frente com uma sociedade hipócrita e com valores totalmente sem sentido ou por uma apreciação fascinante em enxergar um lado diferente da vida e abraçar o lado mais obscuro de poder enxergar o mundo.

    Dave Lombardo, baterista, acabou saindo do Slayer na época por desentendimentos e outras coisas que com certeza não é problema nosso e com certeza sempre acontecem essas coisas, principalmente se estão a tanto tempo juntos, às vezes alguém precisa de um tempo (isso parece filosofia amorosa, mas pode ter certeza que é verdade). A dúvida era: quem assumiria as baquetas de uma das bandas mais intrigantes e extremas do mundo? Os guitarristas Kerry King e Jeff Hanneman juntamente com Tom Araya, colocaram na banda alguém já conhecido no Thrash Metal, o ex-Forbidden, Paul Bostaph.

    Tá certo, um novo baterista, mas o que eles iriam aprontar depois de um trabalho histórico e excelente como o "Seasons In The Abyss"? Com um ano de atraso (sim, o álbum era para ser lançado em 1993, mas só foi lançado em 1994) o "Divine Intervention" fez questão de causar mais polêmica ainda em torno do Slayer, e vou explicar melhor o por que disso.

    Primeiramente pelo encarte. Só o encarte já dá arrepios e faz qualquer bandinha infantil de Black Metal ficar tremendo nas calças! Uma capa que indica um lado de terror, mas ao mesmo tempo intrigante, uma espécie de fascinação macabra. Mas o ponto principal da polêmica levantada é o encarte aberto trazendo várias reportagens e fotos: “Music + Violence”, “Music To Kill Cops By?”, “The widow of a man murdered by three skinheads over lyrics by the rock”. Isso mesmo! O fato de a música influenciar nos atos de violência, e o Slayer assim como várias bandas de rock e metal são acusadas de influenciar esses atos. Outro fato de muita polêmica é o Slayer mostrar no encarte a devoção que seus fãs tem pela banda, mostrando um braço de um fã que cortou SLAYER no próprio braço, provavelmente deve ser a banda que tenha os fãs mais devotados e consiga deixar todos eles insanos.

    Mas por que o "Divine Intervention"? Porque talvez seja o álbum mais aterrorizante e macabro que eu pude escutar, tanto liricamente como sonoricamente. Imagine você lendo uma das obras do mestre do terror Stephen King e escutando o "Divine Intervention", cujo último tem um tema cheio de insanidade: Assassinato. Escutando o álbum, você tem a mesma sensação que o menino Danny no Hotel Overlook, de O Iluminado, a sensação de medo, mas ao mesmo tempo de curiosidade e fascinação, cuja ultima de difícil explicação, e até a palavra REDRUM ecoando na cabeça, mas a diferença é que na cabeça de Danny era ao contrário, já na nossa é MURDER!

    Mas como o assunto não é livro, ou filme e que eu enrolei bastante para tentar passar uma noção para vocês do que é o álbum, vamos a resenha!

    O álbum já começa com uma seqüência matadora de Paul Bostaph na bateria, esmagando sua cabeça com o bumbo duplo e já dizendo de cara: “Não estou aqui por acaso”, a faixa "Killing Fields" começa com toda uma expectativa para o que virá pela frente, com riffs bem esmagadores e permanentes, com velocidade moderada, dando destaque para as viradas de Paul Bostaph, a faixa segue num ritmo bem moderado, até explodir numa fúria de riffs e bateria acelerada e Tom Araya cantando com todo o ódio “A choice is made of free will, just like the choice to kill”. A letra é sobre o que se passa na cabeça de um assassino e frases como a acima cuja significa “Uma escolha é feita de vontade própria, como a escolha de matar”.

    Segunda faixa, " Sex. Murder. Art." começa uma destruição de um riff de abrir qualquer roda de hardcore, e uma velocidade descontrolada das guitarras de Kerry King e Jeff Hanneman juntamente com Paul Bostaph e seu repertório rico de viradas e bumbo duplo, faixa curta, mas uma das mais matadoras do álbum, e uma das letras mais críticas da banda, que fala sobre os estupradores cuja o refrão é berrado brilhantemente por Araya: “You're nothing/ An object of animation/ A subjective mannequin/ Beaten into submission/ Raping again and again” que significa: “Você não é nada/ Um objeto de animação/ Um manequim subjetivo/ Gasto dentro da submissão/ Estuprando de novo e de novo”.

    "Fictional Reality" começa com uma guitarra brutal e depois quem manda é o groove, com um bumbo duplo de Paul comandando a música e riffs fixos de Kerry King e Jeff Hanneman, e no meio da faixa, Paul faz um clima parecido do começo de Criminally Insane (faixa do álbum Reign In Blood) dando destaque as guitarras, faixa bem trabalhada, com solos muito legais. E uma letra que joga duro com uma crítica nada indireta ao governo como o começo em: “Crisis feeds the lunacy/ All fear the new machine/ Consumed democracy/ Returns a socialist regime” que quer dizer: “Crise que alimenta a loucura/ Todo o medo, a nova máquina/ Democracia consumida/ Volta a um regime socialista” e no refrão: “Treachery, misery, violence, insanity/ Scavengers closing in/ Covering the truth again/ Castrate society/ Fictional reality” que diz: “Traição, miséria, violência, insanidade/ Os limpadores se aproximam/ Cobrindo a verdade de novo/ Castre a sociedade/ Realidade fictícia”.

    "Dittohead" é uma das faixas mais insanas e matadoras que eu já pude ouvir de alguma banda. Furiosa, impiedosa, tanto os instrumentos como o vocal é extremamente acelerado, aquela faixa que dá vontade de você socar todos os políticos corruptos e todos os hipócritas, em geral socar todo mundo que quer te ver na desgraça, socar até professores (hehehe). Uma das faixas que mais transmite energia e devoção pela banda, que dá vontade de fazer alguma loucura, nem que seja sair correndo pelado na rua gritando Slayer! A letra expõe muito um fato de se libertar do governo usando a agressão, e olha que a faixa consegue muito bem passar o sentimento da letra.

    "Divine Intervention" é uma faixa bem trabalhada, não muito rápida e com grande destaque em Tom Araya que passa quase a faixa toda berrando no estopim da voz, fora a batera de Paul Bostaph bem presente, com aquela pegada animal, e um solo muito bom. É curioso num momento da faixa aparecem várias vozes fazendo apelações, é um pouco melancólica a faixa, e pelo que interpretei, diz sobre alguém que foi condenado sem piedade e não consegue olhar para face de Deus e apenas sente dor.

    "Circle Of Beliefs" volta com a mais velocidade, batera moendo no inicio novamente e variando de momentos grooves com momentos velozes e raivosos, o destaque fica pelo refrão que torna a música um prato irresistível, faixa de quebrar os ossos do pescoço de tanto bater cabeça, uma das melhores faixas do álbum! A letra é sobre “círculo de crenças”, cujo ciclo chega a um ponto que a única solução é a morte, pois a loucura é algo que está intenso, permanente.

    A faixa 7 também há bons momentos de velocidade e groove, e com um riff bem cavalo e umas viradas criativas a faixa começa bem cadenciada no vocal e é outra faixa com um refrão bem marcante, ela vai variando bem e chega um tempo que ela vai esmagando sua cabeça com os riffs e batidas aceleradas na maior parte do tempo. "SS-3" tem todo um contexo, muitos dizem que essa música justifica os boatos do Slayer ser nazista, mas é tudo uma ladainha sem fim, não acredite nessas bobagens que muitas pessoas falam por aí, o Slayer não tem nada de nazista. A letra fala sobre as cruzadas e o absolutismo, envolvendo sangue, assassinato, repressão, e uma justificativa bem notória pelo título do álbum: Divine Intervention (muita imaginação das pessoas, viu).

    "Serenity In Murder" começa assassina com um riff impiedoso, como uma metralhadora, fazendo qualquer um querer abrir uma roda de hardcore na pesada, e segue com um vocal diferente de Tom Araya, uma fala que parece aterrorizante e ao mesmo tempo melancólica, a sensação é a mesma do título da faixa, que significa serenidade no assassinato, e isso fica tão notável principalmente pela serenidade do vocal em algumas horas. Uma das faixas mais surpreendentes, por toda a atmosfera que ela cria em torno da letra e do tema, que fala sobre um assassino frio, que não sente nada ao tirar a vida de uma pessoa.

    A faixa "213", digamos que é uma faixa muito sombria e que passa uma alterna em momentos de sensação de fúria e outros de solidão, e essa solidão, esse vazio e essas sensações um tanto estanhas e diferentes está muito bem expresso na faixa, pois a momentos bem cadenciados e outros bem furiosos, e você também consegue reparar esses momentos alternados no vocal de Tom Araya, que é bem expressivo, que até conta algumas vezes com segundas vozes dele mesmo.

    Última faixa pra levar qualquer um à nocaute! "Mind Control" é brutal e extremamente esmagadora, neste exato momento estou com uma vontade de sair quebrando meu quarto inteiro, nada como uma faixa destas para fechar um álbum do Slayer! Kerry Kin e Jeff Hanneman são imbatíveis no entrosamento, na velocidade e nos riffs do Thrash Metal, um das duplas mais afiadas da história, e Paul Bostaph veio mostrar que não tinha sido chamado à toa para fazer um álbum com o Slayer, e um vocalista que só com os olhos consegue levar uma platéia ao delírio em um show, com uma cozinha destas, quem não se renderia? A faixa fala sobre o controle da mente, a manipulação, o medo ecoando nas mentes.

    Enfim todos sabem que o Slayer é uma das maiores bandas que se eternizaram defendendo uma proposta e um ideal, e que serviu de muita influências para muitas bandas e até para a vida das pessoas, muitas pessoas acreditam em vários deuses e buscam ídolos para se inspirarem, no meu caso e de várias outras pessoas o Slayer é uma grande lição de superação, uma justificativa para a vida, que é lutar pelo o que acredita. Podem falar, xingar, mas eles fizeram história, assim como os Beatles, porque assim como eles, o Slayer tinha um ideal e até hoje luta por ele.E fiquem de olho, Dave Lombardo voltou, e o Slayer vai gravar o próximo álbum com o tema: “Os ataques terroristas na visão dos terroristas”, como sempre polêmico, assim como a banda sempre foi: intrigante e de certo modo fascinante. E fiquem de olho, talvez Slayer vem esse ano em uma turnê pelo Brasil, e muitos fãs devotados vão poder conferir uma das bandas mais empolgantes e energizadas ao vivo!

    Marcadores:

    posted by Dark at 5:14 PM | 8 comments

    sábado, fevereiro 04, 2006
    Smashing Pumpkins - Machina|The Machines Of God


    Dizem por aí que cada década do Rock tem um artista que a define por completo. Elvis nos anos 50, Beatles nos anos 60, Led Zeppelin nos anos 70, U2 nos anos 80 (claro que não por uma questão de preferência minha - são o que os outros dizem, antes que alguém venha me dar uma pedrada)... E nos anos 90? Seria óbvio falar no nome do Nirvana... Mas aí vêm à sua cabeça nome de outros artistas muito imporantes para o período, como Radiohead, Pantera, Marilyn Manson, Faith No More e os Smashing Pumpkins. Então, enquanto essa pergunta não é respondida, vamos ficar com essa resenha.

    "Smashing Pumpkins? Quem são esses caras?" Em Chicago, um tal de Billy Corgan, um cara que desempenhava na escola as funções de crítico musical para o jornal estudantil, aluno exemplar de médias altas para o professor, arruaceiro para os colegas e 'um cara estranho, que fala estranho, se veste estranho e ouve coisas estranhas' para o resto. O próprio Corgan declarou mais tarde que odiava tudo aquilo e nunca suportou o 'clima de inveja e avareza' presente no colégio. Iniciado nas artes da guitarra aos 14 anos, impressionado por nomes como Black Sabbath (um de seus grupos preferidos), Cheap Trick, David Bowie, Judas Priest, Jimi Hendrix e Beatles (bem... difícil seria alguém não ser influenciado por Beatles. Quer dizer... Existe alguém não influenciado pelos caras? Hohoho, que utopia...).

    Quandro graduou na escola, resolveu que ia tocar música. O cara já tinha uma banda chamada The Marked (nome recebido devido a um sinal de nascença que possui nas mãos) e parou de jogar basquete no time da região. Um companheiro de sua banda na época falou que ele não se concentrava em nada, apenas em tocar e compor. Quando a banda acabou, Billy voltou para Chicago e foi trabalhar em uma loja de discos, onde começou a ouvir mais artistas de diferentes estilos, como os protopunks Stooges, aos jazzistas Miles Davis e Jonh Coltrane. A década de 80 ia acabando, e Corgan conheceu James Iha na loja onde trabalhava.

    Então, no bar Avalon, Billy começou a discutir com uma garota loira sobre a qualidade de uma banda que tocara lá, que atendia pelo nome de Dan Reed Network. Durante a troca de farpas, a garota declarou-se baixista. O nome dela? D'arcy. Billy Corgan trocou telefones com ela para fazer um teste para ver se D'arcy talvez entrasse na banda.

    Quando precisaram de um baterista de verdade, eles contrataram um cara que era baterista de jazz e estava sem grupo: Jimmy Chamberlin. O esforço da banda resultou em uma abertura para o Jane's Addiction.

    Daí em diante, todos nós conhecemos: "Gish" e "Siamese Dream" preparam o terreno para a obra-prima resultante da genialidade de Billy - ou no mínimo compulsão obssessiva por perfeição de Corgan - o tal "Mellon Collie And The Infinite Sadness", que tem o singelo título de disco duplo mais vendido da história.

    Dois anos depois do "Mellon", foi lançado "Adore", um disco sutil e triste, quase sem nenhum peso e com a eletrônica permeando muitas músicas do disco - não que eles já não tivessem usado tal recurso no "Mellon Collie...", mas agora esse lado da banda transparecia muito mais. Sem Jimmy Chamberlin, que foi afastado da banda devido a problemas com drogas, e com a morte do tecladista Jonathan Melvoin decorrente de uma overdose de heroína, sem contar as constantes discussões de D'arcy com Billy Corgan, tudo parecia acabado para os Pumpkins. Há os que diziam que a banda ia acabar, devido à decepção sonora que "Adore" tinha sido aos fãs radicais.

    Então eles lançaram "MachinaThe Machines Of God". Um disco que reafirmava que os Pumpkins continuavam mais vivos do que nunca, talvez conseguindo um equilíbrio perfeito entre as guitarras pesadas de "Mellon Collie" e a delicadeza de "Adore". O disco estréia direto na terceira posição da Billboard Top 200. D'Arcy sai da banda ao final das gravações do álbum (que passa a excursionar com Melissa Auf Der Maur, ex-baixista do Hole). Disco este que acabou sendo o último da banda, que acabou ao final da "The Sacred And Profane Tour".

    Trazendo o peso de "Mellon Collie" de volta, temos a porrada "The Everlasting Gaze", com riffs e bases pesadíssimas e com a banda tocando à toda, e Billy cantando alto e com ênfase: "Você sabe que eu não estou morto/Sabe que eu/Você sabe que eu não estou morto". Uma porrada na cara de quem achava que os Pumpknis havia acabado em "Adore" e não podiam compôr mais nada à altura do que fizeram antes. Ledo engano! Repartindo momentos mais pesados e agressivos e outros quase melódicos, essa grande canção se tornou um clássico imediato entre os fãs - ou ao menos uma das preferidas.

    "Raindrops+Sunshowers" é intensidade pura, com o baixo de D'Arcy ressonando na sua cabeça, guitarras ora mais climáticas, ora mais pesadas e Corgan cantando sobre um relacionamento dificultado por alguma barreira. "A chuva cai em todo mundo/A mesma velha chuva/E eu estou apenas tentando/Andar contigo/ Por entre os pingos". Billy demonstra ser um ótimo vocalista (se é que ainda restavam dúvidas disso), mostrando uma linha vocal cantanda exemplarmente. Uma das mais intensas do álbum.

    Entra a apaixonada "Stand Inside Your Love", com guitarras melódicas e um vocal meio meláncolico, meio romântico de Corgan. "E pela última vez/Você é tudo que eu quero/E desejei/Você é tudo que é sonho". Até quando fica mais pesada, a música continua belíssima, carregada de sentimento, tanto na emocionada voz de Corgan quanto nas inspiradas guitarras dele e de James Iha. "Quem não gostaria de ser quem você ama?/ Quem não seria fiel ao seu amor?".

    "I Of The Mourning", com lindas guitarras, um baixo bem ouvível e uma bateria vigorosa, dando lugar para a voz de Billy. Uma letra que descreve um sentimento de estar perdido, vagando por aí e um solo lindo e distorcido ao mesmo tempo, deixam a música perfeita. Foda!

    Invocando mais uma vez uma delicadeza 'Adoreana', temos "The Sacred And Profane", com as melhores linhas vocais de todo o álbum, e guitarras distantes fazendo belas melodias para deixar a música com um clima único. "Você é parte de mim agora/E se eu falhar/Você é parte de mim agora/Dentro do sol/Você é parte de mim agora". Novamente a compulsão amorosa é tratada de forma exemplar.

    "Try Try Try", com belas guitarras e um vocal consistente de Corgan, com uma das melhores letras do álbum, com um refrão cheio de esperança. "Tente se segurar/À este coração/Um pouco mais tempo/Tente se segurar/À este amor intensamente". Talvez o melhor refrão do álbum.

    Quebrando o clima baladeiro, entra o petardo "Heavy Metal Machine", que poderia estar em qualquer disco de metal industrial, com seu riff meio Black Sabbath, um pouco Rob Zombie ou Ministry (vai saber). Uma canção de afirmação, com Corgan cantando sem explodir "Se eu estivesse vivo/Se eu fosse de verdade/Você sobreviveria?/O que você sentiria?" até a ironia da estrofe "Se eu estivesse morto/ Os meus discos venderiam?/Dava até pra fazer uma previsão/Daria simplesmente na mesma?". Uma porrada arrastada para ninguém botar defeito.

    Abandonando o peso da anterior, vem a super melódica "This Time". Corgan fala com os fãs "Dessa vez eu preciso saber/Realmente preciso que me digam/Se acabou/Depende de vocês/Pois as coisas que querem manter/Estão despedaçadas". Um clima de coisas caindo e se despedaçando permea a música, um perfeito reflexo do que acontecia na época com os Pumpkins.

    "The Imploding Voice" volta com guitarras pesadas e distorcidas, e com Corgan cantando com uma voz bem alta "A sua paixão deve ser sempre verdadeira/A sua paixão deve ser sempre você". Em muitas partes Corgan chega a levantar sua voz mais ainda, dando a impressão de que ele vai gritar. A canção ainda tem intervenções eletrônicas perceptíveis, que dão um certo charme à música.

    "Glass And The Ghost Children" começa com uma bateria quase tribal, um baixo calmo e as guitarras lentas e distorcidas, que por vezes tornam-se agudíssimas. Billy canta calmo e doce desde o início da canção até a quase explosão nos versos "Eu quero viver/Não quero morrer/Eu quero viver/Eu quero tentar, numa letra gigantesca, que parece ser feita de várias reflexões. Os momentos guitarreiros são ótimos, viajantes até.

    Um pouco pesada e um pouco melódica, essa é "Wound". O tema romance aparece novamente "É uma parte de mim/Parte eterna/Pela forma sublime/E o sol poente". O sentimento de Corgan na canção não é coisa desse mundo, deixando a música com uma intensidade e uma delicadeza que são totalmente paradoxais mas que conseguem coexistir com precisão.

    A indignada "The Crying Tree Of Mercury" é sustentada por lindas e distantes melodias de guitarra e uma marcação constante de bateria. "Este amor vai durar o quanto durar/Realmente não há desculpa/Eu fiz tudo isso por você", canta Corgan, apesar de ainda manter os vocais melódicos, mostra-se uma nítida indignação na sua voz que quase enrouquece por vezes.

    "With Every Light" mantém um pouco do tema da anterior, embalada por belas melodias e Corgan cantando "Distância de todos os problemas que você criou/Acabou a espera por outro dia/Acabou". A voz do cara representa uma das melhores coicsas da música, uma das melhores linhas vocais que ele já fez para os Smashing, totalmente doce e emocionada.

    "Blues Skies Bring Tears" reparte peso e melodia exemplarmente, com guitarras distorcidas até o fim. Um ataque ao "rockstar way of life" se faz presente na canção: "Leve adiante os filmes mudos/Exalte o crime noturno/Oxigene as tietes suicidas/Bajulantes nos seus minutos de fama". O eu lírico da canção parece buscar uma razão para sua existência, mas parece não a encontrar: "É sobre tempo/É sobre se manter próximo/ Céus azuis trazem lágrimas". Uma canção arrastada e climática, com os peculiares e viajantes vocais de Corgan tornando-a perfeitas.

    Vem o encerramento "Age Of Innocence", com palhetadas calmas da guitarra, e uma bateria quase em ritmo de relógio. A letra parece retratar a nossa juventude dos dias de hoje, que busca liberdade à qualquer custo, se confirmando no refrão "Desolação sim, Hesitação nunca", talvez mostrando sobre não dar bola para muita coisa, mas nunca exitando no que faz. Algumas das melhores melodias de guitarra permeiam a música.

    Qual o veredicto final? É um álbum muito itenso, bastante carregado, arrastado e pesado, típico de uma banda em final de carreira, mas fechando a carreira com chave de ouro, com excelentes letras e vocais únicos. Uma banda criativa, diferente, que decerto não haverá outra igual.

    A música de Corgan faz muita falta... Não digo que ele não fez nada depois - como o Zwan e sua carreira solo, mas sua música nos Smashing Pumpkin sim. Um dos grupos mais representativos da história da música. Com certeza a voz diferenciada de Corgan, os riffs pesados/melódicos de Iha, a garra de baixista de D'Arcy e o jeito vigoroso de tocar bateria de Chamberlin nunca serão esquecidos por seus fãs. E nem todas as peculiaridades de Billy, claro...

    Marcadores:

    posted by billy shears at 12:35 PM | 6 comments

    _______________________________