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    domingo, setembro 24, 2006
    Skank - Carrossel


    E lá se vão dez anos desde "O Samba Poconé", um dos últimos discos que estabeleceram conexão simultaneamente com o público tradicional do Rock e o público de rádios populares AM/FM, que vendeu quase 2 milhões de cópias e estourou vários hits ("É Uma Partida de Futebol", "Garota Nacional" - aquela do "beat it laun baun baun", sabe? -, "Tão Seu"...), tornando o Skank conhecidíssimo como uma banda de som festeiro e irresistível. E, desde 2000, com o álbum "Maquinarama", o Skank iniciou uma espécie de "trilogia da desconstrução", abandonando os metais e efeitos eletrônicos tão característicos da fase de estouro da banda e se aprofundando em influências psicodélicas, progressivas e sessentistas, passando pelo fantástico e fundamental "Cosmotron" de 2003, um dos responsáveis de mostrar ao mundo as mudanças ocorridas no som da banda. E agora chegamos a "Carrossel" de 2006.

    A formação ainda é a mesma consagrada do Skank: Samuel Rosa na guitarra e no vocal, Henrique Portugal no teclado, Lelo Zaneti no baixo e Haroldo Ferretti na bateria. A produção ficou por conta de Chico Neves e Carlos Eduardo Miranda, este último um responsável fundamental da contratação do Skank por uma gravadora major (a SonyBMG), há 13 anos atrás. Sobre os novos sons que estão compondo, Samuel disse em entrevistas que “Não foi uma mudança pensada, proposital. As coisas foram acontecendo de forma gradual e natural. Nossas influências do psicodelismo, do Clube da Esquina, de Beatles, estão mais claras em nossa música” e que "o Skank prefere perder público por estranheza do que por desgaste".

    O álbum é iniciado com "Eu e a Felicidade", resultado de uma das muitas parcerias de Samuel com o ex-titã Nando Reis (parceria esta que já rendeu o megahit "É Uma Partida de Futebol"). A canção começa com uma deliciosa levada de violão, que intercala com a bela melodia do moog, que cresce e se retrai, revelando uma canção pulsante, em uma letra que fala do encontro do eu-lírico com a felicidade, sendo que esta veio do espaço, de uma nave de Vênus e tudo o mais. A canção ainda contém um solo pegando fogo, que é um componente responsável pelo final em grande estilo.

    "Uma Canção É Para Isso", o primeiro single, é magnífica. Um daqueles hits certeiros que só o Skank sabe compor, seja se utilizando do humor ou dos sentimentos nas letras, sendo esta, como muitas outras, de Chico Amaral, um membro honorário do Skank, que já tocou metais na banda e escreveu grande parte das letras ao longo da carreira do grupo. Um pop-perfeito, com refrão explicativo, marcantes linhas vocais, "tchururus" e um riff melódico e facilmente digerível. Samuel canta a importância da música nos dias de hoje: "Pra consertar, pra defender a cidadela/Pra celebrar, pra reunir bairro e favela", diz o refrão.

    A próxima é "Até o Amor Virar Poeira", pop até o tutano do osso, com uma pegada de guitarra que fica marcada. Apesar de todos os elementos absorvíveis, a canção ainda se mostra bastante intrigante, com paradas, retomadas e melodias vocais contrastando com a guitarra, mas nunca se estranhando. Samuel canta sobre a pessoaa que ele ama não dar muita atenção à ele, e então convida "Meu amor, vamos dar o fora/Chorar em comédias outras/Até o amor virar poeira", até a canção acabar em um final repentino.

    A primeira música que foi composta para o álbum é "O Som da Sua Voz", doce e elétrica, com belas melodias de guitarra e de teclado, e um vocal inspirado de Samuel, que cresce e retorna à doçura várias vezes, sendo a cereja do bolo dessa música cheia de melodias emocionantes e letra romântica: "Tudo está tão certo, não está?/Vem aqui mais perto, vem mostrar/Vem dizer aonde vai seu olhar", diz um dos seus últimos versos.

    "Cara Nua", música nascida da parceria de Samuel e de Humberto Effe, da banda Picassos Falsos, autor da letra, mostra uma "melancolia carnavalesca", musicada por um instrumental bem ao estilo das baladas do Skank, mas com todos os elementos que eles conseguiram absorver dos Beatles. "Quando chega o Carnaval/Mas ninguém te encontra/Pra você são só uns dias/Você quer ter a vida inteira/Com a cara toda nua/Brincar com quem quiser", diz o amargurado refrão, cheio de sentimento.

    Ouvimos agora o ingênuo rock "Mil Acasos", com um empolgante riff, uma das melhores sessões instrumentais do álbum, em uma canção que transborda positivismo; quase todos os versos falam dos "mil acasos" que levam Samuel a alguém, por algum lugar, e indicando ele algum lugar. "Quem sabe, então, por um caso/Perdido no tempo ou no espaço/Seus passos queiram se juntar aos meus", afirma o refrão, transbordando inspiração.

    "Lugar", composta por Samuel e César Maurício (ex-Virna Lisi), que começa lenta e com acordes dóceis, que fazem o suporte para o tranqüilo vocal de Samuel. A suavidade dos Beatles dá lugar ao épico refrão, que chega a lembrar o saudoso Raul Seixas, com backing vocals crescentes e um vocal nitidamente mais alto que nos versos, dizendo "Mas guarde seu nome pra mim/Seu dia eu não deixo mais ter fim/O vento arde em versos por saber/Nessa tarde o sol é só por você", mostrando um Skank mais romântico que a média. Será que foi o tal do amor que os deixou assim, tão deliciosamente pop (mais do que já eram)?

    Outra parceria com Humberto Effe, "Notícia", que começa como uma deliciosa balada, e alcançando a sua metade, vai crescendo até estourar, transformando-se em um country-rock, com uma linha de bateria marcante por pare de Haroldo. Ao quase sumir no que parece em um desligamento, a canção reaparece furiosa, para logo tornar-se melodiosa novamente. A letra fala do encontro do eu-lírico com o tempo, em uma letra bastante reflexiva, sobre experiências passadas e segundas chances. Profunda.

    O baixista Lelo compõe disco sim, disco não; ao se reunir com o skank-honorário Chico Amaral para cumprir seu papel em "Carrossel", surgiu "Garrafas", de letra sexy, dando um ar setentista, que entra em contraste com o romancismo sessentista do resto do álbum. Criativos backings vocals, guitarras elétricas surgindo a qualquer momento, intermezzos em suspenso e uma voz astral, e o contraste de sexo e romance desponta em versos como "As garrafas vazias na mão/As garotas despidas, ou não/Os bongôs marroquinos no chão".

    "Panorâmica", definida pelo mixador inglês Ben Findlay como "um encontro de The Clash e Pink Floyd", devido ao fato de guitarras lineares entrarem em um belo e sofisticado conflito com ambientes estranhos. A canção parece em certos momentos com uma famosa canção do disco "Revolver", dos Fab Four, só que com metais no lugar dos violinos (adivinha?). Cada vez mais psicodélico, Samuel canta "E no lago azul da noite imensa/Meu corpo segue vertical/Pensando em você", em um belo arranjo vocal, que dá espaço para a pegada obsessiva voltar à tona.

    Jovem-guardista e iê-iê-iê: esta é "Balada Para João e Joana", contando sobre um casal diferente, ou, como afirma a letra, "feitos um pro outro, mas por exclusão", que culmina em refrãs como "O mundo está tão mau lá fora/Onde vocês irão agora?", "Cai um temporal lá fora/Onde irão vocês agora?" e "Nada pára, nada espera/Que o destino assim quisera", acompanhados de grudentos "djô, djô". A cozinha está fortíssima nessa canção, dando espaço para um belo solo.

    "Trancoso", nascida da parceria com outro ex-titã, sendo este Arnaldo Antunes. Sofisticada, com banjo, marimba e flauta no arranjo, em uma balada emocionante, onde backing vocals por vezes dão suporte ao manso vocal de Samuel. A letra é inspirada em um lugar de mesmo nome, cheia de colar de contas e conchas, praias, sereias, romance e existencialismo.

    Uma das melhores do álbum, essa é "Antitelejornal", introduzida por um contagiante violão, que dá lugar a uma criativa cozinha, com um baixo grudento, e linhas vocais inspiradíssimas. "Hoje eu vou inventar/o antitelejornal/Pra passar só o que é belo/Pra passar o essencial", diz a letra. Ainda acrescida de um orgão, a canção vai do doce ao elétrico, com o Skank demostrando acertar em cheio.

    Introdução de piano à lá Lennon, refrão à lá Oasis... E talento pop à lá Skank. "Seus Passos" engloba três decadas em uma música só, dando resultado em uma bela balada. "Você vai dizer que não/Eu sigo seus passos/A caminho do meu coração", diz o refrão inspirado na turma dos Gallagher brothers. A banda transpira doçura, em uma música de arrancar lágrimas.

    "Um Homem Solitário" fecha o álbum, em um clima cowboy-beatnik (entendam como quiserem, vá...), na canção mais arrastada do álbum, trazendo um refrão emocionante, cuja única coisa que impede a música de ser sombria é a voz de Samuel Rosa: caso o cantor tivesse uma voz trôpega, com certeza resultaria em uma música meio mórbida. O tom épico da melodia compartilha espaço com a letra "E quando a noite vem/Trazendo a solidão/É sua senha para seguir". Imagine "Easy Rider" no Velho Oeste com trilha sonora de Nick Cave e Beatles e conseguirá levemente imaginar como a música soa.

    O Skank mostra, mais uma vez, que ser pop não é ofensa nenhuma, nem problema algum. Explica-se aí a cacetada de hits já criados pela banda, tão subestimada nos tempos de Chico Science e Nação Zumbi (na época, a favorita da gravadora, mas que fracassou com as vendas de "Da Lama Ao Caos"). Trocando os metais e os efeitos eletrônicos por Beatles e muito psicodelismo/progressivismo, o Skank vem se mostrando uma das bandas mais produtivas dos últimos seis anos aqui no Brasil. E quem sabe esteja iniciando a perda do rock brasileiro em ser pop, porém não pré-fabricado, o que a banda faz tão bem há quinze anos, do início como banda de dancehall, depois passando pelo som festeiro, e chegando ao melódico e criativo rock de hoje em dia. Concordo com Samuel: mesmo que a banda perca público, existe estranheza que vem a calhar...

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    posted by billy shears at 5:27 PM | 9 comments

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