colaboradores

BERNARDO
18 anos, RJ
+ info

NARA
16 anos, SP
+ info

LUDEN
15 anos, SP
+ info

SAM
16 anos, SP
+ info

VITOR
18 anos, RJ
+ info

LIZ
15 anos, RJ
+ info

NAT
17 anos, SP
+ info

GABO
16 anos, SP
+ info


Previous Posts

a r q u i v o s

  • Janeiro 2005
  • Fevereiro 2005
  • Março 2005
  • Abril 2005
  • Maio 2005
  • Junho 2005
  • Julho 2005
  • Setembro 2005
  • Outubro 2005
  • Novembro 2005
  • Dezembro 2005
  • Janeiro 2006
  • Fevereiro 2006
  • Março 2006
  • Abril 2006
  • Maio 2006
  • Junho 2006
  • Julho 2006
  • Agosto 2006
  • Setembro 2006
  • Outubro 2006
  • Novembro 2006
  • Dezembro 2006
  • Janeiro 2007
  • Fevereiro 2007
  • Março 2007
  • Abril 2007
  • Maio 2007
  • Junho 2007
  • Julho 2007
  • Agosto 2007
  • Setembro 2007
  • Outubro 2007
  • Novembro 2007
  • Dezembro 2007
  • Janeiro 2008
  • Fevereiro 2008
  • Março 2008
  • Abril 2008
  • Agosto 2008
  • Setembro 2008

  • L    i    n    k    s

  • Google News
  • Rock Town Downloads!
  • ~Daia.no.Sakura
  • Young Hotel Foxtrot
  • É Rock And Roll, Baby
  • Musecology
  • O Resenhista
  • Dangerous Music No Orkut

  • B    U    S    C    A


    L i n k    U s




    c r e d i t o s

    Powered by Blogger
    Design by Nara

    segunda-feira, março 27, 2006
    Bate Cabeça: Estreiando "Green Day - American Idiot"


    Zero: Vou começar dizendo o que eu venho repetindo há quase dois anos. Esse é o disco do século, meu camarada.

    Sam: Pra mim, é um dos melhores discos de Punk Rock da história, com certeza.

    Vitor: Finalmente o Green Day deixou o lado moleque de lado pra falar de coisas mais sérias, levando a risca a ideologia Punk.

    Zero: Mas isso eles já estavam fazendo no Warning... Mas como sempre tanto por fãs quanto por detratores, a banda foi e continua sendo mal interpretada.

    Sam: Sendo chamada até de emo por radicais que nem analisam as letras, prestam atenção apenas no visual da banda.

    Vitor: Elas já vinham fazendo isso no Warning, mas parece que amadureceram e deixaram de lado o que muitas bandas de suas linhagem fazem para terem sucesso: falar sobre garotas e sacanagens.


    1. American Idiot

    Vitor: Bem, a primeira faixa me parece ser um grito entalado na garganta cujo alvo principal é o povo americano que, sabendo dos feitos de seu presidente, persistiram em mantê-lo no poder.

    Sam: Eu acho que essa música foi onde o Green Day realmente queria chegar sabe...Criticar o governo atual dos EUA.

    Zero: Não só um ataque ao governo, mas a mídia e a sociedade americana também. E ainda cutucam com uma lança bem pontuda à elite branca heterossexual e protestante dos EUA no verso "Bem, talvez eu seja a América gay/Eu não faço parte de uma agenda caipira".

    Sam: É um soco na cara dos radicaizinhos que achavam que o Green Day não seguia a risca a ideologia punk. Afinal, critica o governo do próprio país, fazer um clipe e lançá-lo na TV é punk!

    Zero: Sim, sim... Criticar o governo Bush e a sociedade americana no underground é muito fácil. A maioria das bandas americanas ou canadenses preferiram apoiar as ações belicistas do presidente, vide Nickelback e 3 Doors Down. Gente como Foo Fighters, U2, R.E.M., Red Hot Chili Peppers, Madonna e o próprio Green Day infelizmente são minoria. Mas punk é rebeldia: O Green Day está no topo das paradas apresentando letras politicamente incorretas para uma sociedade decadente.

    Vitor: Eles até que deixaram de lado também o som cru e passaram pra algo mais trabalhado colocando outra guitarra.

    Zero: Mas eu me obrigo a ser chato. O único defeito - se é que possa haver defeito em um disco tão bom assim - é que em um disco conceitual ter uma faixa que não tenha nada a ver com a história fica meio esquisita... E logo a faixa título! (Risos)

    2. Jesus Of Suburbia

    Vitor: "Jesus Of Suburbia" é o que podemos chamar de trabalho em conjunto perfeitamente executado. O tanto que eles trocam de notas sem deixar a peteca cair não é mole. Foi-se aqueles tempos em que uma música do Green Day durava alguns 2 minutos. Agora eles apostaram em o que podemos chamar de concerto. Pouco mais de 9 minutos de uma música excepcional, com letra marcante e clipe categoricamente aplaudível.

    Zero: A coisa tá começando a ficar quente. É uma das duas famosas "óperas-punks" compostas pelo Green Day; o conceito que eles absorvem de discos como "Tommy" e "The Wall" se faz muito presente. Nesse ponto, dificilmente podemos chamar de punk, ainda que tenha as influências básicas do Green Day, como Ramones, Beatles e Husker Dü, acho que a banda deixa-se influenciar por ela mesma em seus trabalhos antigos, principalmente nos quesitos peso e ecletismo, utilizados respectivamente no "Insomniac" e no "Nimrod". Nove minutos com cada um dos cinco capítulos totalmente diferente um dos outros... É uma obra prima, cara.

    Vitor: Isso foi pra calar a boca de quem teima em afirmar que punk não passa de 4 acordes. Belo trabalho dos rapazes, especialmente em "Tales of Another Broken Home" em que as coisas diminuem de ritmo, nos levando a viajar em um curto espaço de tempo entre os versos de "Eu não sinto nenhuma vergonha/ Eu não vou me desculpar/ Quando não há um lugar para que você possa ir...".

    Zero: A letra me parece uma amplificação da falta de perspectivas vistas em letras de "Longview" e "Welcome To Paradise", ambas do Dookie.

    Vitor:
    Parece que as palavras de "City Of The Damned" refletem um olhar pessimista de um mundo em que a máquina imperialista norte americana liderada por George Bush nos reserva: "Cidade dos mortos/ No fim de outra rodovia perdida/ Sinais levando a lugar nenhum/ Cidade dos condenados/ Crianças perdidas com rostos sujos hoje/ Ninguém parece realmente se importar...". São os retratos do capitalismo, meu caro.

    3. Holiday

    Zero: O riff dessa música é épico que só ouvindo.

    Sam: A letra é magnífica também, dando indiretas contra a igreja e homofóbicos.

    Zero: Não só sobre igrejas e homofóbicos, mas sobre guerras também. Principalmente na primeira estrofe: "Ouça o som da chuva caindo/ Vindo feito uma chama do Armageddon/ A vergonha/ Aqueles que morreram sem um nome".

    Vitor: Sabe, o que a mensagem que a música me passou é uma coisa meio irônica cutucando com vara curta os corruptos. Isso está bem explícito no refrão, onde ele pede para ter um pouco de esperança no futuro: “Eu estou pedindo para sonhar e discordar das mentiras sujas/ Esse é o amanhecer do resto de nossas vidas...”.

    Sam: Sim, mas ele não critica APENAS corruptos como satiriza a igreja e os homofóbicos também.

    Zero: E a música, sonoramente e assim como as outras, vai aonde a banda jamais foi em discos anteriores... Acho que eles perderam o medo de criar algo grandioso achando que ia parecer pretensioso aos olhos dos demais. Esse é o momento que eles resolveram meter um soco na cara de quem achava que eles iam estourar com "Basket Case" e sumir para sempre... Não, cara, não. Eles são uma farpa gigantesca na ferida aberta e sensível dos ianques, mais conhecida como mídia americana.

    4. Boulevard Of Broken Dreams

    Sam:
    Uma das baladas do cd, muito linda e melancólica. A letra trata aparentemente de uma solidão imensa. A música já ficou meio que "estacionada" no disk mtv por várias semanas.

    Vitor: Eles até colocaram um sintetizador pra abrir essa música que soa como a continuação da anterior. Completando a afirmação do Sam, parece uma letra bem depressiva. Um Jesus of Suburbia que vaga por aí sem saber aonde ir.

    Zero: Após muito correr no final de "Jesus Of Suburbia" e "Holiday"... Mas enfim. Em toda sua tristeza, essa música também revela um quê de sombria. Se o Oasis resolvesse fazer algo com mais intensidade e melancolia, acho que soaria assim.

    Vitor: O que me deixa intrigado é o modo como os ouvintes prematuros de Green Day interpretam essa música, achando que a banda decidiu dar uma da Good Charlotte e Simple Plan. Não saber interpretar letras envolvendo toda uma semântica é bem frustrante para quem diz ser amante do Rock. Versos como "Eu sou o único/ E ando solitário/ Eu ando sozinho..." é visto por nicks de MSN e títulos de fotologs cujos donos mal sabem ligar uma música à outra. Pobres almas...

    Zero: Pois é; Isso é um reflexo do que acontecia nos anos 70, com bandas que realmente faziam a diferença sendo mal interpretadas. A crítica metia o pau no Led Zeppelin no início por eles ousarem sonoramente demais. A mídia fazia campanhas anti-Black Sabbath vendendo a imagem que era uma banda de adoradores do cramunhão, quando na verdade eles só estavam sendo sinceros demais. E por isso muita gente se dizia fã do Black Sabbath apenas para poder posar de satanistas. E hoje em dia, na era da informação rápida. muitos jovens interpretam mal a banda achando que eles viraram uma banda de rock romântico e ouvem para dar uma de gente "in" no que está havendo. Idiotice isso.

    5. Are We The Waiting

    Vitor: Opa! Uma das minhas preferidas. Baladinha calma e tocante, com aquela letra especial. Talvez um grito dos excluidos, afinal a banda grita: "Somos nós/ Somos nós a espera desconhecida?". Uma pergunta que remoe a cabeça do Jesus Of Suburbia, fazendo-o cair na real e na vida, revelando seu lado maldoso ("O Jesus do subúrbio é uma mentira...").

    Zero: A meu ver, é algo bem rock de arena, feito pro povão levantar as mãos ou acender velas enquanto Billie se entrega de espírito. A melodia é bem emotiva, e a bateria bem arrastada.

    Sam: É uma música que não lembra muito o Green Day do passado. Tem uma emoção que contagia a todos que a ouvem, principalmente no refrão com back vocals magnificos.

    6. St. Jimmy

    Zero: Hardcore furioso e pesado que muita gente com certeza não esperava isso do Green Day, e com certeza vai continuar não esperando, afinal as idéias pré-formadas os impedirão de correr atrás e ouvir a música (risos).

    Sam: Provavelmente a música mais rápida e furiosa do album! Mostrando que o Green Day não se entregou as baladinhas. A letra tratando St. Jimmy e do seu perigo a sociedade. É uma faixa excelente.

    Vitor: A música vem interligada com a anterior, dando a idéia de que, dentre os gritos dos excluídos, surge ele: St. Jimmy, furioso com tudo aquilo que viveu e sentiu. Muito boa a ligação de ambas as músicas, dando um aspecto de surpresa, como se estourasse uma bomba no meio de uma multidão.

    Zero: O que o álbum não deixa explícito é se St. Jimmy é alguma má influência externa ou então uma personalidade dura e fria que o Jesus desenvolveu nas ruas...

    Vitor: Sim, parece uma revolta interior, tanto que ele diz: "Meu nome é St. Jimmy/ E eu sou um filho da puta...".

    7. Give Me Novacaine

    Vitor: A música com a melodia mais linda do álbum. Mostra um Jesus Of Suburbia angustiado, conversando com o seu outro eu. Um momento de reflexão em meio a personalidade agressiva em que Jesus se tornou.

    Zero: As baladas do Green Day nesse álbum são únicas. Elas marcam por serem feitos com vivência... Quando eles escrevem sobre decepção amorosa, ou encontrar-se sozinho se drogando, como é o caso desta música, você sente que eles realmente passaram por isso, o vocal do Billie Joe, o solo de slide guitar também. As músicas do Coldplay, Travis, Suede e bandas assim se tornam apáticas a mim... Elas não me passam uma sensação de vivência do que a música passa!

    Sam: Realmente, quando você ouve uma coisa dessas, você percebe que outras "bandinhas" não conseguem transmitir o mesmo sentimento, mas o Green Day faz isso mesmo sendo uma banda de Punk Rock. Isso é magnifico, nunca que um "Blink 182 da vida" vai fazer isso...sem desmerecer a banda, claro.

    Zero: Isso que torna o álbum autêntico... Analisar a história do álbum e a biografia desses três caras... O Jesus pode ser qualquer um dos três. Ou os três... Mas é fácil identificar-se com esse álbum... Quem nunca foi um Jesus Of Suburbia?

    Sam: Eu...tá, mentira.

    Vitor: Essa música me faz lembrar "Rape Me", do Nirvana. É o mesmo tom angustiante que ela nos passa.

    Sam: Rape Me é um pouco mais caótica, tu não acha?

    Zero: Pois eu já fui. Já sofri por amor, já comemorei antes da hora, já fiz um monte de escolhas erradas... Só não fazia parte de uma comunidade punk ou cortei meu pulso para escrever "St. Jimmy" nas paredes (risos).

    8. She’s A Rebel

    Zero: Uma das músicas mais docéis que eu já ouvi. Ela transmite pureza e inocência no meio de um álbum tão carregado de sentimentos negativos.

    Sam:
    O mais foda dessa música é a admiração que ela parece transmitir. É incrivel.

    Vitor: Finalmente nosso personagem encontra uma cara metade, talvez com sua mesma personalidade, afinal "Ela canta a revolução/ O amanhecer de nossas vidas...".

    Zero: Se os Beatles fossem uma banda de punk rock aposto que soariam assim.

    Sam: É muito lindo o jeito que ele se refere a ela. Só imagina "Love Me Do" com uns riffs rápidos e com poucos acordes.

    9. Extraordinary Girl

    Sam: Aqui ele parece lamentar pela tristeza da garota.

    Zero: Parece falar do relacionamento entre os dois. É a faixa com mais influência dos Beatles de todo o álbum. A música tem um refrão que começa feliz e termina triste. Uma alusão a todas as felicidades e brigas por quais os relacionamentos são cercados? Do mesmo jeito, a música é um das mais românticas que eu já ouvi, especialmente se você levar em consideração o início "Ela é uma garota extraordinária em mundo ordinário".

    Sam: É a minha faixa preferida, talvez por falar de um relacionamente entre homem e mulher que aparentemente se amam.

    Vitor: Sabe, acho que ele começa a reparar mais nela e tira a conclusão de que ela é uma garota extraordinária.

    Zero: E não apenas uma simples rebelde.

    Sam: Acho que aí cai a ficha e ele pensa "Porra cara, estou amando".

    10. Letterbomb

    Sam: O começo dessa música é pra deixar qualquer um pra baixo. Aliás, quem é a guria que canta no início?

    Zero: É a Kathleen Hanna, do Bikini Kill.

    Sam: Sabia que conhecia essa voz de algum lugar! Eita banda foda!

    Vitor: Me parece ser uma voz na cabeça do Jesus/ St. Jimmy, fruto de seus pensamentos. Ele começa a refletir sobre seu lado revoltado, percebendo que essa sua personalidade não passa de um problema psicológico seu (“O St. Jimmy é uma ilusão do ódio de seu pai e o amor de sua mãe...”).

    Zero: É quando ele começa a refletir sobre a interferência do St. Jimmy. A 'whatsername' manda uma carta pra ele avisando que vai abandoná-lo. Após um momento de muita indignação, a próxima música é a tristeza.

    11. Wake Me Up When September Ends

    Vitor: Outra balada histórica da banda cujo significado é desconhecido daqueles que se dizem amantes da música. Cara, fico com tanta raiva disso...

    Sam: Até onde eu sei, a balada não tem muito a ver com a história do Jesus, ou tem?

    Zero: Na verdade, é meio misterioso o significado da música. Na letra, você percebe que pode ter algo a ver com o pai de Billie Joe. No contexto, uma reflexão de Jesus Of Suburbia após chegar ao fundo no poço. No videoclipe, uma ácida crítica às guerras que separam casais apaixonados.

    Sam: Então, eu achava que a música tinha mais a ver com o assunto das guerras, principalmente a do Iraque.

    Vitor: É algo meio interligado com os ataques de 11 de setembro. Há uma certa desconfiança de que George Bush sabia dos ataques, por isso ele diz "Me acorde quando setembro acabar...".

    Zero:
    Esse negócio de governante que não sabe de nada acontece no nosso país também...

    12. Homecoming

    Vitor: A segunda ópera-punk do American Idiot começa com um Jesus mandando sua outra personalidade pra casa do cacete. Me parece que essa personalidade tomava conta do cara quando ele começa a pensar no passado ao se deitar para dormir ("St. Jimmy é o brilho da noite..."). Como o Bernardo disse, todos nós temos um Jesus Of Suburbia e um St. Jimmy dentro de nós: quando não estamos nos lamentando de dia, estamos colocando a cabeça pra funcionar ao deitar a cabeça no travesseiro, revirando pra lá e pra cá até pegar no sono.

    Zero: A segunda obra-prima do álbum. Mais complexo que uma banda punk jamais foi. Será o Green Day inventores de um gênero feito "punk progressivo" (gargalhadas)? Admito que viajei.

    Sam: Finalmente a morte de St. Jimmy acontece e Jesus se liberta desse lado "mau" que todos nós possuímos. A música também a sua volta para casa.

    Vitor: O ritmo de "We're Coming Home Again" parece uma trilha de uma volta triunfal de uma guerra.

    Zero: A parte cantada pelo Tré é uma carta que Jesus recebe de um amigo que estava na mesma merda que ele, mas conseguiu se recuperar. É uma sucessão de climas, indo do punk rock nervoso, passando pela melancolia, da eletricidade a um ritmo marcial.

    13. Whatsername

    Vitor: A última faixa mostra um Jesus Of Suburbia lembrando dos momentos com a sua Extraordinary Girl. Ambos tomaram rumos diferentes e ele faz questão de apagar essa parte da história de sua vida ("Eu fiz questão de queimar todas as fotos/ Ela foi embora e eu tomei um caminho diferente...").

    Sam: É uma faixa um tanto triste que acaba com tudo mesmo. A garota dos sonhos do Jesus Of Suburbia some de sua vida de uma vez por todas e ele fica imaginando como estará a vida dela, se ela se casou e etc.

    Zero: Nessa faixa Jesus parece ter voltado para casa após ver como a vida fora da mesma é sofrida, bem mais sofrida que a vida que levava anteriormente. Como as decepções são bem maiores, como as mentiras doem mais... E ele perde o grande amor da vida dela. Tenho minha teoria que isso tem a ver com a sociedade americana.

    Sam: Pra mim, não tem a ver apenas com a sociedade americana, isso pode acontecer na vida de qualquer um, não?

    Vitor: Tudo nesse Cd parece ter um lado figurado. Quem sabe essa mulher não é a nação estadosunidense?

    Zero: Sim, claro, mas no contexto do álbum. Você vê que em "Jesus Of Suburbia" o personagem principal é como todo americano; acha que tudo é livre, tudo é possível, que ele é o único que tem valor. Quando ele vai se aventurar, só acontecem desgraças na vida do cara. No final, a coisa não tem mais conserto, é só arrependimento.

    Sam: Nisso você tem razão.

    Considerações Finais

    Sam: Obra prima. Dizer que é ruim é não prestar atenção no potencial do álbum ou então ser muito cabeça dura mesmo. O Green Day aqui mostrou que ainda pode fazer muita coisa boa, inovar e melhorar o som que começou com um simples Punk Rock e já "deu origem" a uma espécie de Punk Progressivo.

    Vitor: Estive por muito tempo querendo comprar esse cd desde que ouvi "American Idiot" na Rádio Rock. Muitos só conheceram o Green Day através dele e acham que a banda é limitada a esse álbum. Enganou-se aquele que pensa assim. Essa é a peça que faltava para firmar a banda no cenário. Como eu disse lá em cima eles não tinham muito crédito na praça, pois eram uma banda no estilo "American Pie", mas ninguém mais se atreve a classificá-los assim. Com esse Cd eles impuseram o respeito que mereciam.

    Zero: Ninguém nunca vai entender o que eles quiseram dizer exatamente nesse álbum, mas uma coisa é certa: é a crítica suprema à sociedade americana. As bandas underground de punk rock devem estar se moendo de inveja porque não seriam capazes de estarem no topo e criticar o governo do próprio país.

    Mas enfim... Pense em "The Dark Side Of The Moon" e "The Wall" do Pink Floyd, "Tommy" do The Who, "2112" do Rush, "OK Computer" do Radiohead, "The Fragile" do Nine Inch Nails e todas as obras rockeiras conceituais. O Green Day fez um álbum que rivaliza seriamente com todos esses.

    Enfim, é genial. Você pode não gostar da banda, pode achar que eles se venderam, ou que eles nunca foram punk rock de verdade. O Green Day nesse álbum mostra que Punk não é apenas um estilo de músicas curtas, simples e letras de conteúdo facilmente absorvido; pode-se experimentar, fazer música como forma de arte sem perder a essência de rebeldia.
    Aliás, muito mais que rebeldia pura e simples e crítica social que não resolve nada. Me taquem pedras, bigornas e facas, mas... Isso é Punk Rock. O resto é punkzinho.

    Marcadores:

    posted by Vitor at 10:01 PM | 19 comments

    sábado, março 18, 2006
    Discografia Comentada: Guns N' Roses


    Com certeza todos já ouviram ao menos uma música do Guns, seja ela uma balada de sucesso, seja ela uma música nem tão conhecida. Ou seja, todos já tiveram sua fase de “Gunner” (ou quase todos). Para os amantes da banda, Axl Rose deu uma séria mancada desfazendo o panteão que compunha o grupo, talvez por questão de destaque, talvez por rincha interna, vai saber...
    Os integrantes da formação clássica, ou seja, aqueles que faziam parte da banda entre 86 e 87, juntaram-se a partir de duas outras bandas: LA Guns e Hollywood Rose, de onde tiraram o nome do grupo que seria denominado “o mais perigoso do planeta”.
    Nos primórdios da banda, Axl contava com Izzy, na guitarra base, Tracii Guns, na guitarra solo, Rob Gardner, na batera, e o genial Duff McKagan, comandando as quatro cordas. Duas peças essenciais foram mexidas: Gardner dava lugar ao sensacional Steven Adler, enquanto Tracii abria alas para a entrada do cara que, para muitos seria a alma da banda. Um tal de Saul Hudson, mundialmente aclamado pelo seu apelido, Slash. Estava saindo do forno a banda que fez e faz história, mesmo ainda na geladeira do rock.

    Começamos em 1986, quando a banda lançava seu EP, o “Live!?*@ Like A Suicide”. Quatro músicas ao vivo, onde diversas fontes, incluindo Axl, dizem terem sido gravadas em estúdio, adicionando-se os áudios da galera na platéia vibrando ao som infernal e agressivo da banda. São 4, mas falam por muitas. Dois covers mais do que esplêndidos (“Nice Boys”, da banda Rose Tattoo, e “Mama Kin”, da trupe de Steven Tyler) dividiam o álbum com a porrada intitulada “Reckless Life” e “Move To The City”, maravilhosamente sem comentários. Esse álbum seria, mais tarde, relançado. Indispensável ouvir tais músicas, que retratam o espírito do Hard Rock do fim dos anos 80. O vocal rasgado de Axl, guitarras mais do que sujas de Slash e de Izzy, baixo bem trabalhado que só o Duff pode nos proporcionar, e a agressividade na percussão de Steven mostram que os jovens rapazes da banda não queriam apenas esbanjar rebeldia. Eles queriam os prazeres que só o rock’n’roll pode nos ofertar.

    Como revelação do fim da década, a banda assina com a Geffen Records e começa a abrir shows de bandas já renomadas, como Rolling Stones, Metallica e Aerosmith.
    Podemos classificar o próximo álbum como indispensável para aqueles amantes do Hard Rock. “Appetite For Destruction”, de 1987, não foi apenas mais um Cd de rock, onde rapazes falam suas sacanagens e experiências com drogas. Foi nada mais, nada menos do que um dos melhores álbuns da história do rock, estando na lista dos mais vendidos dos últimos tempos, aumentando sua lista de ouvintes com o passar dos anos. Uma obra prima da banda que foi censurado em alguns países por causa de sua capa, tendo, então, que ser coberto com uma outra capa, preta, com uma cruz e os rostos em forma de esqueleto de cada um deles. Riffs e refrões históricos fazem parte desse álbum que, para muitos, foi o único que prestou da banda.
    É uma porrada atrás da outra, iniciando a seqüência com a mais do que clássica “Welcome To The Jungle” até a sensual “Rocket Queen”. Hits obrigatórios do álbum são: “Mr. Brownstone”, “My Michelle”, “Think About You” (não tão conhecida, mas DEMAIS!), a lendária “Paradise City” e, é claro, o hino que identifica a banda, se duvidar, até em Marte: “Sweet Child O Mine”. Essa última, com certeza, até seus pais gostam e cantam o refrão juntamente com Mr. Rose. Foi um hit que carimbou o passaporte dos caras para o mundo da fama. Seu riff reconhecível em qualquer lugar, a qualquer hora, e obrigatório para aqueles moleques que ganharam sua primeira guitarra de aniversário, foi premiado como o melhor riff da história do Rock! Não há o que questionar se tratando de Slash e companhia. Pergunte se um dos mais de 20 milhões de fãs que compraram esse álbum estão arrependidos...

    No ano seguinte, em 1988, é lançado o “GNR Lies”, onde foi incluído as 4 faixas do EP da banda, juntamente com outras 4 faixas acústicas inéditas: a balada romântica “Patience”, muito requisitada no dia dos namorados e com um solo mais que demais de Slash, não podendo ser descartada num repertório de lual; “Used To love Her”, com uma letra trágica e um tanto quanto engraçada; Uma versão mais calma da bordoada “You’re Crazy”, do álbum anterior; e a polêmica “One In A Million”, onde Axl descreve como foi recebido em LA. Segundo os integrantes, eles gravaram muito bêbados. O álbum vendeu 8 milhões de cópias, o que mostra que foi bem aceito entre os fãs da banda. Claro que não chegou nem aos pés do lançamento anterior, mas é uma compra indispensável para um fã, afinal o EP não foi lançado em alguns países, e só no “Lies” você pode encontrar essa raridade. Só um clipe foi feito, e a escolhida foi “Patience”, que não deixa de ser uma boa pedida para aprender a tocá-la no violão.

    Depois de se firmarem no cenário mundial, a banda lança, em 91, dois álbuns simultâneos: “Use You Illusion I” e “Use Your Illusion II”. Contando, cada um, com um cover (“Live And Let Die”, de Paul McCartney, no UYI I, e “Knockin’ On Heavens Door”, de Bob Dylan, no UYI II), o primeiro vendeu 1 milhão de cópias a menos do que o segundo, cujo número atingiu 8 milhões. Os caras entram em uma super turnê de 2 anos, mostrando pelo mundo hits mais trabalhados que compõem tais discos. Algumas modificações foram feitas na banda: Adler foi expulso, pois se drogava demais, dando lugar ao baterista do The Cult, Matt Sorum, atual Velvet Revolver, que enfrentou, logo de cara, a segunda edição do festival brasileiro “Rock In Rio”, onde se apresentaram por duas noites; Izzy deixa a banda para fazer trabalho solo. Ocupando seu lugar chega Gilby Clark; Dizzy Reed assume os teclados da banda. Em 92 é gravado um show em Tóquio, que mais tarde daria origem aos DVDs “Live In Tokyo” 1 e 2.
    Vários hits desse duplo lançamento mexem com a cabeça das pessoas até hoje, seja o belíssimo clipe da belíssima música “November Rain”, seja a balada romântica “Don’t Cry”, lançada com duas letras, uma em cada álbum, seja a porrada “You Could Be Mine”, trilha sonora de “O Exterminador do Futuro II”, ou até mesmo as menos cogitadas “Right Next Door To Hell”, “Bad Obsession”, “Dust N’ Bones”, “Dead Horse” e “You Ain’t The First”, e as que originaram clipes “The Garden” e “Garden Of Eden”, do Illusion I, e as lindas “14 Years”, “Breakdown” e “So Fine”, do Illusion II. Não podemos esquecer da épica “Civil War” e dos clipes de “Yesterdays” e “Estranged”, outra música digna de um lugar especial no repertório de músicas dos fãs.

    Entre vários escândalos, como o de Izzy mijando no corredor de um avião, Axl descendo do palco para bater num cara que tirava fotos suas da platéia e os desentendimentos com o trio de Seattle num VMA, a banda lança em 93 “The Spaghetti Incident?”, composta de covers de bandas punks adoradas pelos músicos do grupo. Digamos que foi o mais fraco de todos os álbuns lançados por eles até então. Não eram sons originais dos caras, logo acarretou uma venda de 4,7 milhões de cópias. A nível de Guns N’ Roses, na época, era muito pouca coisa.
    A primeira faixa é que tem o maior, senão o único, destaque no Spaghetti: “Since I Don’t Have You”, cover da banda The Skyliners. Seu clipe, a meu ver, foi uma produção tosca que não fez jus à banda. Slash, como sempre, mandando muito bem nos riffs, conquistando cada vez mais o carinho dos fãs.
    Resumindo: o álbum é muito fraco, um “fim” catastrófico para a banda mais perigosa do planeta.

    Seis anos se passaram e nenhuma novidade foi lançada até então. Em 1999 foi lançado o álbum duplo “Live Era”, que reunia as melhores apresentações da banda entre 87 e 93, contando com a belíssima “It’s Alright”, cover do Black Sabbath. Um belo trabalho para matar a saudade da banda, que passava por crises internas. Nesse ano a banda também faria um cover da música dos Rolling Stones, “Sympathy For The Devil”, para ser trilha do filme “Entrevista com o Vampiro”. Gilby deixava a banda, por motivos que nem ele mesmo soube explicar, dando lugar ao ex-guitarrista do Nine Inch Nails, Robin Finck. Então, depois de várias intrigas, a banda perde as suas principais estrelas: Slash e Duff deixam a banda por divergências com o líder e então dono do nome ‘Guns N’ Roses’, Axl Rose. Sorum também foi chutado, ficando, assim, apenas Axl e Dizzy da formação de ouro do Guns. A nova formação gravaria a música “Oh My God” para o filme “O Fim dos Dias”, estrelado por Arnold Schwarzenegger.

    Mais 5 anos e nada de novidades. Em 2004 a gravadora e os ex-integrantes passam por uma briga judicial com o vocalista para poderem lançar um cd com os maiores hits da banda, o “Greatest Hits”, que conta com o cover dos Rolling Stones, feito para o filme. O que um dia foi a banda mais perigosa do planeta agora cheirava a uma jogada de marketing de Mr. Rose. Os ex-integrantes formam o Velvet Revolver, cujo álbum de estréia (“Contraband”) vende mais do que a coletânea gunner.


    E agora estamos em 2006, esperando que a promessa do tão aguardado “Chinese Democracy” seja cumprida. A nova banda, com Finck e o estranho, mas habilidoso Buckethead nas guitarras solo, que deixou a banda em 2004 por falta de shows, fazendo com que a banda não participasse da quarta edição do Rock In Rio, que aconteceu em Lisboa; Paul Tobias na base, que já não fazia mais parte da banda quando fizeram a espetacular apresentação nos palcos do VMA 2002, onde poucas 5 pessoas sabiam da atração secreta, dando lugar ao jovem Richard Fortus, que lembra muito o físico de Izzy Stradlin, chegando a ser confundido por muitas pessoas; Tommy Stinson no baixo; Brian Mantia na bateria, Dizzy nos teclados e Chris Pittman nos efeitos eletrônicos, faz uma apresentação triunfante para 250.000 espectadores na terceira edição do Rock In Rio. Algumas músicas novas foram tocadas no festival, como a já conhecida “Oh My God”, a auto-descritiva “Madagascar”, a mais do que linda “The Blues”, digna de estar ao lado de “November Rain”, e a faixa que dá ao nome ao álbum fantasma, “Chinese Democracy”. Outra música tinha sido exposta ao público, num show surpresa, feito em Las Vegas no Reveillon de 2000/2001, a música “Rhiad And The Bedouins”. Tais músicas me fazem crer que o tão aguardado Cd vai ser demais. Em 2005 uma faixa do Cd vaza nas rádios e logo estaria disponível pela Internet: era “IRS”, mostrando que Axl estava mais vivo do que nunca. Em 2006, mais uma música vaza, mas agora pela Internet. “Better” é uma música que acende uma chama de esperança dentro dos corações dos fãs mais fanáticos da banda.

    O depoimento do ex-guitarrista Slash sobre o lançamento do "Chinese Democracy", juntamente com a confirmação de shows em festivais na Europa nos fazem crer que em breve veremos uma Guns N’ Roses na ativa, mas agora é pra valer. Será que Mr. William Bailey conquistará seus fãs de volta? Será que existe vida no Guns N’ Roses após a saída de Slash, que para muitos era quem sustentava a banda? Será que em algum dia chegaremos a ouvir as letras cantadas por Axl no Chinese Democracy? Será que os novos integrantes conquistaram os fãs ansiosos por novidades da banda? Essas perguntas só poderão ser respondidas com o tempo e um pouco de boa vontade do nosso querido ruivão, alvo de várias piadas pela fase em que passou fora de forma e cuidando de seu corpo de 40 e poucos anos. Nós, fãs de Guns N’ Roses, vamos até o fim com a banda que nós amamos, mesmo que um dia ela nunca mais seja a mesma (já não é, mas enfim...). Enquanto isso, não custa nada matar a saudade ouvindo os Cd, vendo os DVDs, baixando shows raros pela internet ou fazendo o que for, tudo pelo Guns N’ Roses, a banda mais perigosa do planeta.

    Marcadores:

    posted by Vitor at 11:44 PM | 9 comments

    terça-feira, março 14, 2006
    Venom-Black Metal


    Costumo falar que os quatro pilares da música pesada está nas 4 bandas seguintes: Black Sabbath, Slayer, Venom e Napalm Death, e por razões muito obvias. Quem pensa que o Black Metal é de alma norueguesa está muito enganado quanto a isso, o Black Metal nasceu na Inglaterra com o Venom, com o lançamento do revolucionário "Welcome To Hell" em 1981. A Inglaterra é o berço revolucionário da música, primeiramente por ter inventado o rock com os Beatles, inventado o metal com o Black Sabbath, mas a Inglaterra também pode ser considerado o berço da música pesada, pois além do Black Metal inventado pelo Venom, lá nasceu o Grindcore, fundado pelo Napalm Death.

    O curioso é que nasceu meramente ao acaso, pode acreditar! Se você acha que o Black Metal é seguir a ideologia a risca, fazer corpsepaint, viver de cara fechada e querer matar criancinhas, está bastante enganado mesmo. Numa entrevista a Blitz, Cronos revelou que a banda não sabia que havia inventado um novo estilo, segundo ele o objetivo do Venom era ser a banda mais barulhenta do mundo e pegar o maior número de garotas possíveis (pelo menos o primeiro item, na época eles conseguiram)!

    E foi um bico na cara de qualquer um, o Venom acabava se transformando num mito real, algo de influencia para a música pesada que jamais seria esquecido com o tempo, e uma prova disso é o segundo álbum da banda, o antológico "Black Metal", que irei resenhar, com a formação do lendário Conrad "Cronos" Lant no baixo e vocais, Jeff “Mantas” Dunn nas guitarras e Tony “Abaddon” Bray na batera.

    O álbum começa com um hino do metal e do Black Metal, quanto a isso o nome da música já diz tudo: "Black Metal". A faixa abre o álbum como um disparo, um massacre de agressividade com a guitarra arranhando sua cabeça e Cronos profanando frases de apreciação ao metal e a escuridão, e a bateria bem ao estilo do Thrash Metal. Pausas na música fazem você querer profanar junto com Cronos, frases como: “Lay down your soul to the gods rock `n' roll”, que seria nada menos que “Dedique sua alma aos deuses do rock n’ roll”. Faixa totalmente empolgante e imortal!

    "To Hell And Black" dá continuidade ao Black Metal do Venom, faixa com levadas simples na bateria de Abaddon, mas pelo fato de ser até de certo modo simples, dá um charme a faixa, palhetadas frenéticas de Mantas ao fundo, dando destaque para a base do baixo e o vocal de Cronos, que com seus vocais rasgados berra outro refrão marcante, que é justamente o título da faixa “To Helll... And Blackk!”. Faixas simples e que mesmo sendo simples conseguem demonstrar o espírito do Metal e do Rock N’ Roll.

    "Buried Alive" começa com um clima bem sombrio, cuja a letra também é bem sombria com apenas a guitarra de Mantas fazendo acordes calmos e com o Cronos sussurando calmamente, até a bateria entrar mais e Cronos aumentar o tom de sua voz, assim começa a faixa que consegue manter o mesmo clima, a mesma magia, com a guitarra de Mantas fazendo solos muito bem elaborados, fazendo a faixa soar como um Heavy/Black Metal, mostrando a criatividade da banda.

    "Raise The Dead" volta com ritmo empolgante, fazendo lembrar algo como Motörhead, batidas simples na bateria de Abaddon, a guitarra dando um aspecto rock n’ roll, e Cronos cantando com seu vocal mais do que rasgado o refrão “We .... will raise the dead!”, quem é amante de um metal antigo de base de surgimento Thrash Metal, irá amar a faixa!

    "Teacher’s Peat" começa com uma guitarra um tanto hilária, para dar seqüência a palhetadas nervosas de Mantas, e na sátira frase de Cronos “Good Morning Class”, a faixa é totalmente engraçada, talvez uma das mais engraçadas que já pude ver no Metal, não a como não dar gargalhada com “Teacher caught me masturbating underneath the desk” que significa “A professora pegou me masturbando debaixo da mesa”, a faixa é muito boa, com algumas mescladas de Thrash Metal e acreditem: até algumas levadas bem blues na guitarra! A faixa para um tempo com os vocais isolados gritando, parecendo uma bagunça de sala de aula, para dar seqüência a uma porrada na orelha! Não a como não se encantar com coisas desse tipo.

    "Leave Me In Hell" dá seqüência à destruição empolgante do Venom, com riffs simples e cativantes, e de volta às letras infernais, fazendo qualquer amante da música pesada enxer os olhos. Uma leve pausa para pular, com direito a um belo solo de guitarra de Mantas, e a volta mais empolgante ainda com um Black Thrash Metal de moer os ossos, vocais rasgados nervosos ecoando na sua cabeça “Leave Me In Hell!” para sacudi-ló.

    Que riff mágico! "Sacrifice" abre com um riff fudido! A faixa é outra para se moer de bater cabeça, e mais vocais nervosos de Satan, ou melhor, Cronos, linhas de baixo bem influentes que não deixam espaços para a realizações dos mitológicos solos de Mantes, e pausando no refrão para fazer a galera cantar junto “S.A.C.R.I.F.I.C.E!!”. O Venom é de destruir!

    "Heaven’s On Fire" começa com palhetadas alucinógenas, para seguir com um riff totalmente atordoante! É para abrir o hardcore! Porrada na orelha, com uma faixa totalmente cativante e hardcorizada, ou thrash metalizada, Cronos comandando seus ouvintes para queimar os céus com seu sou totalmente pirante! Apesar da faixa não ter um refrão certo, é uma das melhores faixas do álbum, é aquela indispensável para fazer mosh.
    "Countess Bathory" vem com um andamento mais cadenciado, com palhetadas sólidas de Mantas e os bumbos duplos de Abaddon esmagando os miolos no refrão, e a fúria de Cronos berrando no refrão, e como não poderia faltar, há um destaque para o feeling em guitarra de Mantas, e com um tema lírico bem Black Metal, como virgens, castelo, inferno e trevas.

    Outro riff para alimentar a horda dos amantes de Rock N’ Roll e Metal é "Don't Burn the Witch" , com letras bem obscuras, com versos como “Jesus Christ's left hand” e que no fundo é talvez uma critica ao cristianismo cego, faixa bem ao estilo de Countess Bathory, a guitarra faz acordes não muito rápidos, mas nem por isso deixa de ser agressivos. Batera penetrante de Abaddon e os solos cheios de sentimento de Mantas te levam ao delírio.

    "At War With Satan (Preview)" chega a ser assustadora, parecendo um ritual de magia negra para fechar o álbum, mas seria uma faixa para te preparar para o próximo álbum, cujo nome é exatamente At War With Satan, seria uma prévia para você sentir o que poderia vir do Venom e sentir esse lado obscuro que iria invadí-lo muito mais intensamente num futuro próximo!

    Sinceramente, é um fenômeno o álbum, é uma punhalada em tudo, o Black Metal teria nascido desta obra prima do Venom, o antológico álbum Black Metal, que é um álbum relativamente simples, soando como um Thrash Metal com pitadas Heavy e muita paulada, sem blast-beats, mas que mesmo assim entrou para a história da música, junto com álbuns inventores de estilos e de bandas legendárias como "Scum" do Napalm Death, "Black Sabbath" do Black Sabbath, "Kill’Em All" do Metallica, "Show No Mercy" do Slayer e alguns outros que quanto mais anos se passam, mas são inesquecíveis e sempre serviram de influencia para todo um estilo, e no caso do Venom, influenciou não só o Black Metal, mas o Thrash Metal e o Death Metal.

    Pena que o Black Metal hoje está se tornando uma piada, com essas merdas de Black Metal Sinfônico (como eles inventaram uma merda tão grande?), Black Metal Nazista (olha que coisa idiota), pouquíssimas bandas se salvam no estilo, e é uma pena que tenha acontecido isso, em pensar que na época era um estilo que encantava tanto, e que sem dúvida, se o Black Metal estivesse mantido o espírito que o Venom tinha, com certeza seria mágico.

    E encerro com a clássica frase: “Lay down your soul to the gods rock `n' roll, Black Metalll!”

    Marcadores:

    posted by Dark at 10:13 PM | 9 comments

    sábado, março 11, 2006
    Blá Blá Blá Underground: Girls Just Wanna Have Thrash!


    Desde que Janis Joplin começou a berrar no microfone, o 'estilo das guitarras' deixou de ser propriedade exclusivamente masculina. De Janis, Heart e Fletwood Mac ontem chegando à nomes como Arch Enemy, Otep e Heaven Falls hoje, passando por Babes In Toyland, Bikini Kill e Kittie - e também, como esquecer da cena gótica e melódica com muitas garotas entrando em suas fileiras? Após as mulheres começarem a arriscar no Heavy Metal mais tradicional, agora uma nova tendência que vem surgindo é a invasão da música mais extrema por forças femininas. A banda carioca de Thrash Metal Scatha, formada por Rebecca Schwab (vocal), Julia Pombo (guitarra e voz), Paula Leão (guitarra), Cíntia Ventania (baixo e voz) e Cynthia Yuen (bateria) revela-se bastante promissora, mostrando bastante influências de Metallica, Slayer e Pantera, mostrando que Thrash não é coisa só de homem, qualquer um pode fazer se souber o que está fazendo - e pelo direcionamento de suas músicas, as garotas tem tudo para dar certo. Acompanhe as respostas da guitarrista Julia Pombo em entrevista feita pelo Dangerous Music.

    Dangerous Music: Em primeiro lugar: a idéia inicial era ter uma banda formada apenas por mulheres?

    Julia Pombo: Sim! Inovar é sempre legal.

    Dangerous Music: Vocês acham que podem sofrer algum preconceito vindo da ala masculina? Por que, convenhamos, o que estamos habituados a ver é mulheres tomando conta apenas do vocal.

    Julia Pombo: Não só achamos como já sofremos. Sempre antes do show escutammos pessoal falando "Que mané Scatha! Mulher não sabe tocar", e os mesmos vem, após dos shows, nos parabenizar.

    Dangerous Music: Concordo, o som é realmente de cair o queixo! Eu sinceramente não esperava algo tão agressivo assim. Você concorda que as músicas tem momentos inspirados no Slayer fase 'trinca de ouro' com algo da fase mais agressiva do Pantera?

    Julia Pombo: Com certeza! Slayer e Pantera são uma das bandas que mais escutamos, que mais nos influenciou e nos levou pra esse lado Thrash!

    Dangerous Music: Inclusive, falando sobre o Pantera, de fato eu achei as linhas vocais de Rebecca Schwab bem inspiradas no Phil Anselmo, com vocais ora limpos e ora rasgados. Por acaso ela é uma fã do Phil ou só canta como o estilo adotado pela banda pede?

    Julia Pombo: Bom, para falar a verdade ela tem maior influência do James Hetfield do Metallica. E as partes rasgadas, constratando com as limpas, na Breaking Proves, Foram feitas por mim e pela baixista Cíntia.

    Dangerous Music: Ah sim. E agora, a pergunta vai para a lírica da banda. As raivosas letras da banda parecem ser de conteúdo bem pessoal. Quem toma conta de escrever o que Rebbeca tem que cantar?

    Julia Pombo: A nossa baixista Cìntia! Em seus momentos de raiva e nervosismos, se acalma passando tudo pro papel (risos).

    Dangerous Music: E pelo jeito, a raiva dela faz bem à sonoridade da banda (risos). A banda já chamou a atenção de alguma gravadora?

    Julia Pombo: Não, ainda não. Porém, a música "Breaking Proves" foi para a coletânea de um evento em Rio Claro - SP o "Festival de Rock Feminino", no qual, fomos chamadas para tocar e não pudemos participar por problemas pessoais de algumas integrantes.

    Dangerous Music: E a resposta do público? Tem sido positiva de uma forma geral?

    Julia Pombo: Até então estamos tendo ótimas respostas! Pessoal elogiando, agitando nos shows, baixando as músicas, comprando camisas! Nada mais gratificante do que ver seu trabalho sendo reconhecido pelo público.

    Dangerous Music: E a agenda de shows? Anda muito lotada?

    Julia Pombo: Estávamos tentando manter pelo menos um show por mês.
    Mas já tivemos dois shows cancelados. Tocar no Rio de Janeiro tá ficando cada vez mais difícil. Casas de shows em péssimo estado, organizadores que só pensam no dinheiro e por aí vai.

    Dangerous Music: De fato, eu acho, essa falta de apoio dificulta bastante o desenvolvimento de uma cena carioca forte e representativa. Digo isso porque o Rock sulista se tornou tão famoso, consagrado e elogiado porque lá o apoio dado às bandas é considerável. Tirando isso, quais são os projetos da banda para um futuro próximo?

    Julia Pombo: Exato, no Rio as bandas cover são mais privilegiadas, e algums bandas muito boas e com músicas próprias, ficam no anonimato.

    Queremos até final do ano ter uma média de 10 música e gravar um cd-demo ao algo do tipo. Fazer show, conquistar nosso espaço, e mostrar que mulher também sabe banguear! (risos)

    Dangerous Music: O direito de bangear está aberto à todos que quiserem chacoalhar o coco! (risos) Bem, agora o espaço é seu para mandar algum recado ou o que der na telha.

    Julia Pombo: Queria agradecer primeiramente ao pessoal da Dangerous Music pela paciência e pela entrevista, são movimentos como o de vocês que ajudam o Underground Carioca não morrer.
    E todo o pessoal que vem dando apoio a Scatha, seja indo aos shows, escutando as músicas, deixando scrap no orkut e tópicos na comunidade, e até comentando no fotolog. Nossa melhor satisfação, depois de tocar, é ver uma resposta positiva do pessoal =).

    Keep Thrashing!


    Os discos que Julia Pombo está escutando ultimamente:
    Carcass - Heartwork
    Pantera - Cowboys From Hell
    Metallica - Black Album
    Death - Individual Thought Patterns
    Slayer - Todos
    Anthrax - The Greater of Two Evils

    ----------------------------------------------------------

    Ei, psit! Ficou interessado na banda?
    Entra nesses links então, and ENJOY!
    http://www.scatha.democlub.com/
    www.scatha.cjb.net
    http://www.fotolog.com/scatha
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1180746

    Marcadores:

    posted by billy shears at 10:24 AM | 8 comments

    quarta-feira, março 08, 2006
    Velvet Revolver - Contraband

    O Velvet Revolver é uma banda que já nasceu grande. Digo, não tinha como algo dar errado para a banda: o guitarrista Slash, o baterista Matt Sorum e o baixista Duff McKagan tinham integrado o Guns N’ Roses, uma das bandas mais famosas e lembradas da história; o outro guitarrista Dave Kushner havia feito parte do Suicidal Tendencies, uma banda que entrou para a história ao misturar Hardcore e Heavy Metal, atraindo a atenção de um monte de gente de preto a pular ao som agressivo e ríspido; o vocalista Scott Weiland integrou a banda alternativa/grunge Stone Temple Pilots, responsável por discos clássicos como “Core” e “Nº 4” e sucessos como “Plush”, “Creep” (nada a ver com Radiohead), “Sex Type Thing” entre outras.

    O STP certamente fará uma bruta falta, mas esse não é o assunto de hoje. O Velvet Revolver teve uma gestação difícil: seu embrião surgiu quando os ex-gunners tocaram em um tributo ao saudoso Randy Castillo, baterista que é lembrado por tocar com a lenda Ozzy Osbourne e que, infelizmente, morreu em decorrência do câncer. Após isso, começam a experimentar vários vocalistas, sendo os mais conhecidos entre eles Sebastian Bach (ex-Skid Row) e Mike Patton (ex-Faith No More). O curioso é o anúncio que eles publicaram, querendo um vocalista que tivesse traços de Alice Cooper/Steven Tyler e um pouco de Paul McCartney e Jonh Lennon.

    A busca termina com Scott Weiland. Dave Kushner entra na banda porque já tinha tocado com Duff no grupo Loaded. Antes de se chamarem Velvet Revolver, eles passaram por The Project e Reloaded e a primeira gravação realizada é o cover de “Money” do Pink Floyd. Porém, o álbum demorou a ser concluído devido Scott ser preso duas vezes por envolvimento com alcoól e drogas. Mesmo assim, aos trancos e barrancos, o Velvet Revolver conseguiu dar algum resultado e lançar o aguardado álbum de estréia: Contraband!

    O disco soa como uma amálgama dos riffs melódicos do Guns, das bases e passagens pesadas do STP e com uma pegada meio punk, meio heavy do Suicidal Tendencies. O resultado final chega ao ouvido humano como canções de rock cruas e pegajosas, conquistando o ouvinte ou não logo na primeira ouvida.

    Todas essas minhas afirmações vêm logo na primeira faixa, “Sucker Train Blues”, que começa com um clima um tanto quanto caótico que abre espaço para um riff inflamando e vocais animalescos de Scott. Uma música agitadíssima, com uma letra malandra: “E quando eu quiser/Eu te encontrarei/E quando eu quiser/Eu te cegarei”, diz o grudento refrão, com ótimos backing vocals por parte de Duff. E, para complementar, um dos solos mais furiosos já gravados por Slash. Isso que é começar a carreira com os dois pés arrombando a porta!

    Ainda mais feroz e com uma veia mais punk ainda que a anterior, surge “Do It For The Kids”, só que com passagens mais melódicas, mas nem por isso a música perde a ferocidade, aliás, acaba dando um ótimo contraste. A letra parece tratar de um fugitivo (talvez um retrato da vida do próprio Scott com as autoridades, quem sabe?). Uma das mais pesadas e selvagens do álbum. Tente não pular ouvindo isso!

    Big Machine”, porque não afirmar, é uma das melhores do álbum. Um baixo bem balançado de Duff abre espaço para um dos refrões mais marcantes do álbum, que estoura em guitarras pesadas e ferozes. A letra é bastante politizada, com o refrão “É uma máquina grande/Nós todos somos escravos/Para uma máquina grande”. A bateria de Sorum está explodindo e maltratando o tímpano humano nesse verdadeiro petardo. Tente não ficar cantando com acompanhamento ou sem o refrão dessa música após ouvi-la. Não vou nem gastar meu português descrevendo o que DEVE ser ouvido!

    O riff pesadíssimo de “Illegal I Song” faz você pensar que se trata de um Heavy Metal dos mais pesados. E não pensa errado. Os vocais ora berrados, ora cuspidos, ora sussurrados, a bateria metralhada e as bases intensas e graves feitos o inferno tornam essa a música mais pancadona da bolacha. A letra autobiográfica, sobre quebrar a cara e sempre se levantar sem a ajuda de ninguém, só ajuda. Enfim, são quatro minutos e dezessete segundos daa mais pura pauleira. Se você tem apreço por porradaria em estado bruto e primal, essa música é mais do que recomendável!

    Mais bordoada. “Spectacle” é a da vez. Bases densas que deixam você com medo de ser atropelado por elas, vocais secos, e uma cozinha que mais parece uma pedra de uma tonelada pulando, tudo isso compõe essa pérola Hard-Punk. A letra é vingativa e violenta, fazendo jus à sonoridade. Slash dá um show no solo. Aliás, que mal me pergunte: qual o solo que esse cara compõe que não é digno de nota? Vai compor (e tocar) bem assim lá na...

    Finalmente, depois de tanta tempestade, vem a calmaria. “Falling To Pieces” é uma emotiva balada bem ao estilo Guns N’ Roses, tanto em matéria de melodia das guitarras, quanto nas linhas vocais, quanto no refrão. Você só não acha que é uma música do Guns por causa do vocal de Scott e as guitarras um pouco mais pesadas. A letra é exatamente o que o título sugere: a vida do “eu” da música caindo aos pedaços.
    Pode chamar de balada previsível, sim senhor, mas composta com muita inspiração. Slash se debulha ao clima da música ao compor um solo de mestre.

    Você achou que finalmente ia poder relaxar? Enganou-se, meu companheiro. “Headspace” é um Hard Rock com pegada punk que só vendo. Os versos nos remetem ao Stone Temple Pilots, mas ainda no estilo desenvolvido nessa nova banda. A letra fala sobre libertar do que faz mal (“Por favor/Deixe-me ser/Sem mais perguntas/Você é o câncer/Você é a sanguessuga”). Notam-se ligeira rouquidão alguns momentos na voz de Scott. Outro que merece destaque é Matt Sorum, um verdadeiro ogro na bateria.

    Cacete, quanta porrada seguida da outra! “Superhuman” é suja, pesada, quase Heavy, um verdadeiro petardo. A letra é bem junkie, demonstrando o relacionamento com uma mulher e com substâncias ilícitas. O riff chega a ser bem esquizóide, mas não estraga. Ah sim: Aqui se ouve um solo, simplesmente, do cacete! Tudo nesse álbum cheira à inspiração. Uma das melhores performances vocais de Scott, o cara literalmente se esgoela!

    Set Me Free” tem um dos melhores riffs do álbum e uma das melhores linhas de bateria também, chamando os ouvintes à agitação. A voz de Scott está ora mais grave, ora mais rasgada, conseguindo um desempenho ótimo, nessa canção com a dupla de guitarras pegando fogo. Tente não bradar o refrão furiosamente, assim como faz Scott. Versando sobre, obviamente, libertação, de qualquer modo. A música foi trilha sonora do filme “Hulk”. Analisando bem a história do filme, a música caiu como uma luva, tanto em termos de música (violenta feito o Hulk) quanto em termos de letra (querendo ser libertar de qualquer jeito assim como o... vocês sabem) ! A primeira música que chegou aos ouvidos do público, e que deu uma pista muito positiva do que estava por vir!

    A balada “You Got No Right” quebra o clima porradeiro, mas novamente sobre indignação, mas dessa vez por causa de decepção amorosa. O clima acústico reparte espaço com um refrão onde as guitarras entram elétricas, mas tudo ainda feito artisticamente, muito bonito. Não chega a ser uma das melhores do disco, mas o álbum certamente não teria a mesma graça se essa música não estivesse no repertório. Slash, o monstro, nos entrega de mão cheia um solo cheio de feeling. Coisa de encher os olhos.

    Slither” é outra das minhas preferidas. Uma música com um riff cativante e agressivo, bases quase arrastadas e vocais sexys e animalescos. A energia em estado bruto passado por essa música é algo inexplicável e hipnótico, ela é agressiva ao mesmo tempo tem um clima especialmente indecente. Acredito que o próprio clipe passe essa idéia. A letra também é selvagem o suficiente, tratando sobre transformação e se libertar de controle. Tanto sonora como liricamente, uma pérola.

    Seguindo, “Dirty Little Thing”. Uma rifferama hard deliciosa, vocais muito bem postos, cozinha inspirada. Uma das mais rápidas, intensas e pesadas do álbum. O “junkiezismo” volta à letra, contando sobre os efeitos que as substâncias tiveram. Uma música à altura da banda: hard, pesada, suja, crua, com um solo capaz de causar um ataque cardíaco de tão feroz. Uma pérola suja.

    Fechando o álbum, temos a terceira balada, “Loving The Alien”. A pessoa se sente mudada e esquisita, e nunca tinha percebido como a vida fora da Terra era adorável. Deixando a viagem de lado, é a faixa mais bonita do álbum, sem agressividade ou densidade nenhuma, mas sim muita emotividade e sentimento. As combinações das linhas vocais de Scott no refrão junto ao solo de Slash, com certeza farão o ouvinte derrubar algumas lágrimas de emoção. Uma obra de arte.

    Na versão internacional do disco, há um cover ao vivo de “Bodies”, da famigerada lenda Sex Pistols, que na roupagem Velvet Revolver virou um Hard Rock, porém sem perder a garra e revolta punk, tanto nos vocais “sangue nos olhos” de Scott quanto nas guitarras endiabradas, quanto na cozinha destrutiva. Um cover que ficou bem a cara da banda, porém sem macular o que é clássico.

    Enfim, isso é um álbum de Rock And Roll puro, misturando Hard Rock, Heavy Metal, Punk Rock numa atmosfera suja, crua, ríspida e agressiva, melódica quando necessária, mas nunca perdendo a garra. A banda já tinha muitas referências mesmo antes de começar, mas mesmo assim eles podiam acabar estragando tudo, mas não, se mostraram capazes, inspirados e fizeram um álbum que representa muito bem o nível dos caras como músicos. Um dos melhores discos que escutei nos últimos tempos, e falo isso sem medo de errar ou ser repreendido. Uma passada no Brasil não seria nada má, não concordam? Enfim, coisa de gente grande... Rock pra quem gosta de Rock!

    Marcadores:

    posted by billy shears at 2:51 PM | 7 comments

    sexta-feira, março 03, 2006
    Metallica-Metallica



    Álbum marcante. É como podemos definir o “Black Album” do Metallica. Mas aí ta, você pergunta “Senhor resenhista, porque o álbum é marcante?”. Ok, primeiro que na época que ele foi lançado, o Metallica já havia ousado com o “...And Justice For All” que vendeu como água, de repente eles lançam algo mais ousado ainda, que atingiria o público mais ainda e faria a banda ser mais conhecida do que nunca! E foi o que aconteceu, era Metallica aqui, Metallica ali, você conhecia Metallica mesmo sem saber o que era o maldito Thrash Metal, porque até aí, o Metallica nem era o Thrash Metal mais básico, já tinha evoluído mais do que o resto das bandas da Bay Area, Alemanha e o cacete. Segundo que a turnê desse álbum foi gigantesca, durando mais ou menos quatro anos. Finalmente, o terceiro e ultimo motivo: Os fãs dos trabalhos antigos do Metallica ficaram putos, afinal, onde estava a agressividade do “Kill ‘Em All”, “Master Of Puppets” e etc?
    Ou seja, “Black Album” é tipo um divisor de águas para o Metallica e para o Metal em geral. Aqui você pode esperar de tudo, menos clichezinhos metálicos, como letras sobre uma guerra da Noruega que ninguém nunca ouviu falar e proteger o nome do Metal, o álbum trata primeiramente do ser humano e seus mais variados sentimentos, desde tristeza, solidão, raiva e etc.
    Na época, a banda era composta por James Hetfield nos vocais e na guitarra, Kirk Hammet também na guitarra, Lars Ulrich na bateria e Jason Newsted no baixo.
    Vamos à resenha, porra!

    De inicio já vem uma das canções mais belas e famosas do Metallica. É “Enter Sandman”, um hino, uma lenda de música que tem até clipe e tudo mais! Riff lento e memorável que todos nós, fãs de Metallica ou não conhecemos. E então Hetfield mal começa a cantar pra já dar espaço ao refrão totalmente grudante e super conhecido. Logo após o solo(e que solo!) vozes começam a falar, dando um ar que chega a ser até macabro. Depois disso, James começa a cantar novamente aumentando o tom até finalizar a música. É mágico, cara.

    Sad But True” começa como um alerta, como se houvesse algo pesado e monstruoso chegando, é uma das melhores letras do Metallica com certeza.
    É o bom e velho Thrash Metal só que com uma “melodia-não-cansativa”. Aqui, Hetfield canta com um sentimento de ódio que qualquer um consegue notar, como se conversasse com uma parte dele que era desconhecida até então. Nessa “descoberta”, a música não ameniza nem um instante se quer, é fantástica.

    Que porra é essa?! Isso aqui te faz tremer! É “Holier Than Thou”, um soco no estomago de hipócritas cretinos, santinhos fingidos, dando uma boa lição, humilhando e cuspindo em cima. O riff e o ritmo da bateria te hipnotizam de tão frenético. O solo é muito lindo também, dando espaço até para um “mini-solo” de baixo.

    Agora, vem uma das baladas que todos conhecem, mesmo não sabendo nem o que é Metallica. “Unforgiven” abre calma e melancólica, só aí já dá uma agonia, uma tristeza repentina. Hetfield canta de um modo muito triste, melancólico. A letra parece tratar da vida, ou do isolamento causado por outras pessoas mais especificamente. É uma música muito bela, uma das obras de arte do Metallica.

    Wherever I May Roam” tem um inicio que lembra muito música árabe até as coisas ficarem mais pesadas e os riffs dispararem com tudo. A letra dessa faixa parece tratar de um “nômade” dos tempos modernos, ou um vagabundo que vive viajando totalmente solitário. É uma música muito boa, não fica pra trás comparada as outras.

    Don’t Tread On Me” começa com bateria e guitarras a todo vapor e com o refrão já sendo cantado de imediato. O solo dessa música é fantástico, você nota de cara que o Kirk demonstra um feeling do caralho! É uma música linda, não no sentido de bonitinho, se é que me entende.

    A música agora é “Through The Never”. Chega a lembrar o Thrash Metal clássico da Bay Área, conseqüentemente, lembra o Metallica “antigo” que é cheio de fãs devotados e tal.
    A música é pesadíssima, com riffs arrastados e um tanto quanto lentos. A letra é muito, como posso dizer, cheia de interpretações, principalmente por ser um tanto confusa e nem todos conseguirem entende-la.

    A melhor música do cd sem dúvida alguma, a melhor balada do Metallica, uma das melhores músicas já feitas, uma pérola do Metal e do Rock em geral.
    Nothing Else Matters” todos conhecemos, amamos e cantamos juntos, ficamos até melancólicos ao cantar junto com James. A letra é linda, forte, deixando as coisas à mostra, confessando. É surpreendente o sentimento que a música passa, tudo nela é incrível, tanto a banda quanto à orquestra que monta o fundo. É uma das poucas músicas que nós podemos chamar de perfeitas sem hesitar ou duvidar.

    Outra que começa botando pra quebrar. “Of Wolf And Man” é uma das letras mais legais do Metallica, trata da mudança de forma do homem para um lobo ou então um lobisomem, mas pode ser interpretada de outra maneira também, como o seu interior se liberando e te mostrando algo que você nem imaginava que existia dentro de si. Claro que a primeira interpretação é a mais certa pela letra óbvia. Enfim, a música é excelente, principalmente pelo refrão grudento.

    Um baixo anuncia a chegada de “The God That Failed”. A música tem um clima de ódio e indignação, muito legal. A letra é sobre uma experiência que Hetfield passou. Sua mãe estava muito doente, mas podia ser salva com o tratamento correto, ela preferiu acreditar em Deus e achou que a sua fé a salvaria da morte, coisa que infelizmente não aconteceu.

    Outra música que se inicia com o baixo de Jason que dá logo espaço para um riff pesado e arrastado que começa a aumentar a rapidez em pouco tempo. É “My Friend Of Misery”, uma das faixas que eu mais gosto do álbum. Na letra, Hetfield parece aconselhar uma pessoa que carrega tudo em suas costas, dizendo que no fim, ele poderá acabar na miséria.
    A música tem um momento de calmaria que segue com um solo muito bom.

    Para fechar com uma chave de ouro reluzente, surge “The Struggle Within” com a bateria a todo vapor, como se anunciasse a entrada da música. É uma música bem rápida, exceto no refrão que além de dar uma amenizada, fica mais vagarosa. O solo é a melhor parte! Variando daquele speed que todos conhecem pra algo do Metal mais clássico.
    Faixa certa para terminar o cd, excelente como todas as outras.

    O “Black Album” é uma obra prima na história da música, um álbum com letras magníficas, melodias excelentes e um sentimento enorme.
    É um soco na cara de pessoas que acham que as bandas não podem ousar e mudar, se não, viram lixo, e um presente para os amantes da boa música.
    É, sem dúvidas, um álbum que vai ficar gravado na minha vida como um dos melhores que eu já escutei e resenhei.
    É Metallica e Metallica é foda, entendeu?

    Ah sim, um obrigado especial aos meus colegas do blog que tiveram a paciência de me esperar meses para fazer uma resenha. (:

    Marcadores:

    posted by Sam at 11:55 PM | 6 comments

    quinta-feira, março 02, 2006
    Kreator-Endless Pain

    Saudações a todos!Pacientes leitores e contribuidores do Blog.É a minha primeira resenha,de uma banda que eu gosto muito,e acredito que a maioria dos fãs de Thrash Metal também.

    Esse primeiro (e fantástico,diga-se de passagem) cd do Kreator,chega quebrando,rasgando,arrombando tudo (tudo o que você possa imaginar).É aquele Thrash puro,sujo,selvagem..Ou "música de gente que não toma banho" como diz o meu amigo.Pra botar qualquer emo fresco pra chorar no colo da mamãe.

    A primeira faixa,"Endless Pain",já faz juz ao nome sendo uma dor infinita nos ouvidos de quem não gosta de música pesada,crua e direta,uma música indispensável para os fãs do estilo.

    "Total Death" tem um refrão contagiante,sendo que parece que os gritos germânicos do vocal se acentuam de faixa em faixa,cada vez mais cruéis e selvagens.

    "Storm of The Beast" tem uma bateria de deixar qualquer Headbanger LOUCO,não é daquelas estouradas em bumbo duplo,mas é "lindo".

    "Tormentor" é pesada,tem uma letra agressiva e um refrão inesquecível,outro ponto pra essa obra prima do Kreator.

    "Son of Evil":O "Fio do Mau",É outra faixa de riffs agressivos,curta e direta,mas que movimenta uma montanha de Bangers.

    "Flag of Hate" é um tapa na cara de muitos nazistinhas de apartamento,outra com um refrão grudento...Suja e pesada ,marcando mais um ponto pros cabeludos alemães.

    "Cry War" tem um refrão viciante,em meio aos gritos e urros do vocal,com mais e mais riffs assassinos.

    "Bonebreaker" me leva a questionar se o Kreator é Thrash ou Death Metal,de tão agressiva que é.

    "Living In Fear" segue a fórmula do resto do cd, e dispensa comentários.

    "Dying Victims" é um pouco diferente das outras faixas,por ter uma introdução mais "bonitinha".

    ...Esse cd é com certeza um dos melhores do Kreator,vale cada centavo...Não reparem nos meus comentários curtos sobre cada faixa,elas são muito parecidas entre si,busquei mostrar o ponto marcante de cada uma.

    Uma coisa é certa: esse cd devia ser a melhor arma contra qualquer fã de Twisted Sister!

    Abraços!

    Marcadores:

    posted by Loveless at 2:22 PM | 7 comments

    quarta-feira, março 01, 2006
    Ramones - Loco Live



    Década de 70. Festivais de “paz e amor” rolando, seguidos da morte dos três J’s mais influentes do rock. Enquanto isso, em New York City, N.Y.C., alguns jovens se juntavam para devolver ao rock sua essência agressiva e rebelde, sem muitas firulas nas canções, já que as melodias apresentavam solos intermináveis, o que revoltava o jovem Johnny, que não conseguia tocá-las em sua guitarra. Juntamente com seu colega e baterista Joey, decidem devolver ao rock o que estava lhe faltando. Dee Dee chegaria em seguida, assumindo o voz e dando vida a uma das bandas (senão a mais) influentes do cenário punk mundial: The Ramones. Todos os membros adotariam esse sobrenome, de ali por diante.

    Ser uma Ramone era simples: pernas abertas, numa posição de ataque, calças justas e rasgadas, jaqueta de couro e uma agressividade básica ao tocar seus instrumentos. Dee Dee assume o baixo, dando o lugar para o péssimo baterista Joey nos vocais, que daria espaço para o empresário Tommy assumir as baquetas. Johnny continuava na guitarra, dando início a uma das lendas do rock.

    Praticamente todas as bandas, de diversos estilos conhecidas hoje, foram influenciadas pelos Ramones, desde Red Hot Chili Peppers até Marilyn Manson. Seu principal hit é tido como o hino do punk rock: não há um roqueiro que não o conheça. A facilidade de aprender seus acordes é o que leva aos iniciantes no mundo musical ficarem fascinados com suas canções, fazendo com que comprem sua primeira guitarra e, obrigatoriamente, aprendam a tocar pelo menos uma delas.

    Várias trocas foram feitas na banda até o seu fim: Tommy deu lugar a Mark (aliás, um puta baterista, diga-se de passagem), que deu lugar a Richie, mas logo estava de volta. Dee Dee deu lugar ao jovem C Jay, que, segundo Joey “deu um novo gás a banda”. C Jay estreou no show que deu origem ao álbum dessa resenha. Loco Live é um excelente álbum para quem está começando a conhecer a banda. Com suas 33 faixas, o álbum mostra toda a agressividade do verdadeiro punk rock novaiorquino, mostrando que a expressão “Ramones” deixe de ser um substantivo para se transformar em verbo. Vamos começar? ONE, TWO, THREE, FOUR!

    O álbum começa com uma introdução bem faroeste. “The Good, The Bad And The Ugly” é intercalada com os gritos eufóricos dos espectadores, entoando o grito de guerra da banda em alto e bom som. E logo são pegos de surpresa ao ver a banda disparar um jam fulminante em “Durando 95”. Marky esbanja habilidade na batera, seguido por Johnny e C Jay. Podemos ver que a banda não veio para brincar.

    Impossível ficar parado, assim como é inevitável não gritar junto com Joey: “Lobotomy! Lobotomy! Lobotomy! Lobotomy!”. Já de cara vamos nos defrontar com “Teenage Lobotomy”, o que não deixa de ser uma boa desculpa para deixar seu rádio no último volume até o fim. Marky faz uma bela introdução, seguido pelas cordas furiosas de C Jay e Johnny. “DDT did a job on me/ Now I’m a real sickie/ Guess I’ll have to break the news/ That I got no mind to lose” explica a essência punk das canções dos Ramones. Falar podreiras é comum para bandas de street punk como os Ramones. As estrofes são repetidas incansavelmente durante os pouco mais de 1 min e 30 seg. de música, mas quem liga?

    Não perca o fôlego, ainda estamos na quarta música. “Psycho Therapy” chega com a mesma agressividade da música anterior. O álbum é uma seqüência de fazer suar a camisa de tanto sacudir o esqueleto, ou simplesmente “Ramonear”. Joey vem afirmando ser esquizofrênico e que vai matar alguém. “I’m a kid in the nuthouse/ I’m a kid in the psycho zone/ Psycho therapy/ I’m gonna burglarize your home” deixa claro o conteúdo “podre” que só uma música de puro punk rock pode ter.

    Certamente, como já havia dito lá em cima, esse é o hino do punk. Qual apaixonado por rock nunca berrou: “Hey, ho! Let’s go!”? Toda banda iniciante, principalmente no estilo, tem em seu repertório “Blitzkrieg Bop”. O público enlouquecido na platéia confirma minhas palavras ao entoar o grito como se estivessem adorando um deus (o que não deixa de ser verdade). Essa música por si só tem a alma da banda. Impossível não acompanhar tal música sem aquela rodinha básica na multidão. Não nos cansamos de repetir junto com Joey Ramone: “They're forming in straight line/ They’s going through a tight wind/ The kids are losing their mind/ The blitzkrieg bop!”, juntamente, é claro, com o grito de guerra do punk rock.

    As baquetas de Marky entram em ação para dar início a mais um hit empolgante da banda, com mais um grito de guerra prestigiado pelos amantes do quarteto. “Do You Remember Rock N Roll Radio?” vem alertando aos seus ouvintes que precisaríamos de mudanças para que o rock não virasse coisa do passado [“We need chage/ We need it fast/ Before rock’s just part of the past...], o que me leva a crer que os Ramones eram videntes.

    I Believe In Miracles” é uma das baladas Ramônicas que eu mais aprecio. A letra da música é muito boa, relatando um desabafo de seu autor. O refrão fácil nos faz refletir sobre nossos conceitos, nos bombardeando com perguntas sobre o por quê de o mundo ser desse jeito: “I believe in miracles/ I believe in a better world/ For me and you.”. Os instrumentos não soam muito agressivos aqui, mas e daí? A letra é mais um momento de reflexão, numa opinião particular. O Pearl Jam mandou muito bem fazendo cover dela no seu show em São Paulo, mas não se compara à emoção transmitida através da voz de Joey Ramone.

    Joey convoca C Jay a fazer a contagem para começar a dançante “Gimme Gimme Shock Treatment”. Mais uma vez a agressividade das baquetas de Marky mistura-se às furiosas paletadas de Johnny e C Jay, mais a voz rasgada de Jpey. Seu refrão, fácil e grudento, pede um tratamento de choque [Gimme, gimme shock treatment!], transparecendo a agonia de um punk enlouquecido que escutou um conselho de seu amigo.

    Marky termina a música anterior emendando com a introdução, juntamente com a chamada de Joey, dessa próxima canção: “Rock N Roll High School” intitula um filme estrelado pelos próprios músicos. A letra relata muito bem o repúdio deles pela escola, onde Joey afirma: “I just wanna have some kicks/ I just wanna get some chicks...”, pouco se lixando para os professores e para o diretor. Como todo punk, eles só querem “fun, fun”.

    Outro hino da banda, onde, se não me engano, Johnny pede para que o coloquem numa cadeira de rodas e o levem para um show. “I Wanna Be Sedated” nasceu de uma internação em que o guitarrista ficou numa cama de hospital, já não se agüentando de estar ali [Nothing to do/ Nowhere to go, oh/ I wanna be sedated...]. É uma parada obrigatória para quem começa a ouvir o som dos caras. Sua pegada empolgante e divertida, com certeza, não deixa ninguém parado onde quer que esteja.

    Uma das minhas preferidas. “The KKK Took My Baby Away” é uma ótima balada, com uma letra “desesperada”, contando o sumiço da mulher amada, culpando o Ku Klux Klan por tal fato. Johnny administra muito bem a introdução, juntamente com Marky, enquanto C Jay acompanha Joey no backin’ vocal do refrão chiclete: “The KKK took my baby away/ They took her away/ Away from me...”. Aquele que nunca dançou ao som de Ramones que atire a primeira pedra.

    Um riff despachado por Johnny inicia mais uma balada da banda: “I Wanna Live”. Outro desabafo estampado na letra, principalmente no refrão, que diz: “I give what I’ve got to give/ I give what I need to live/ I give what I’ve got to give/ It’s important if I want to live/ I wanna live/ I want to live my life...”. A música pode ser mais calma do que as anteriores, mas não deixa esfriar aquele que ainda não parou de se mexer descontroladamente.

    A empolgação retorna com “Bonzo Goes To Bitburg”. Johnny chama a banda com uma introdução na guitarra. Marky corresponde com uma bela introdução na bateria, juntando-se a eles C Jay e, logo depois, Joey. Uma letra politizada é cantada, reclamando das autoridades de terno e gravata. C Jay participa dos backin’ vocals que antecedem o pós-refrão[“(Oh no no no) My brain is hanging upside down/ (Oh no no no) I need something to slow me down”], que nos dá uma idéia de que o autor precisa de algo que o faça se acalmar diante a tantos problemas políticos.

    Too Tough To Die” soa mais como uma tiração de sarro. A afirmação “Halo around my head/ I’m too tough to die” transmite uma idéia de que só os mais fortes sobrevivem. A junção dos instrumentos com o refrão nos faz querer chacoalhar mais e mais, rodando a cabeça e mexendo o corpo da forma que nos convém.

    Minha preferida é a próxima. Não pare! “Sheena Is A Punk Rocker” está aí para garantir mais e mais agitação. A letra nos mostra a diversão da garotada em Nova Iorque, que adora sair pela noite e agitar. “But she just couldn’t stay/ She had to break away” nos relata que a menina não quer ficar de fora da diversão. Os acordes soam muito bem, dispensando comentários para a bateria de Marky Ramone. Joey administra muito bem o vocal com ótimos improvisos, agitando a já agitada canção.

    Não. Não há tempo para respirar e nem beber uma pouco d’água, pois “Rockaway Beach” está por vir. Eles querem muito mais diversão, indo pegar uma carona para a praia: “It’s not hard/ Not far to reach/ We can hitch a ride to rockaway beach”. E dá-lhe paletadas em conjunto com baquetadas. Isso é Ramones!

    Um clássico está prestes a ser disparado. Joey pergunta: “Anybody here seens Stephen King’s Pet Sematary?”. Logo após a resposta do público, C Jay faz a contagem, num ritmo mais lento do que nas vezes anteriores. Começa, então, “Pet Sematary”, balada clássica, que leva o nome do filme de Stephen King. É uma música lenta comparada às anteriores, mas em hipótese alguma subestime o hit. Uma letra sombria e assustadora, mas interessante. Nem pense em diminuir o volume do seu rádio.

    Don’t Bust My Chops” vem com uma melodia calma, mas não menos empolgante. Joey explode com palavras nesses versos “I’m sick and tired of you calling me names/ I'm sick and tired of your childish games...”, deixando, bem claro, sua indignação quanto a sua parceira. “Don’t bust my chops/ Baby, don’t bust my chops...”. A banda conduz muito bem o ritmo “lento” da faixa.

    Voltamos à empolgação. “Palisades Park” começa com um belo trabalho dos pratos de Marky. Uma canção animada até na letra, um tanto quanto emotiva. “You’ll never know how good it just can feel/ ‘Til it stops at the top of the ferris wheel/ I fell in love, down at the Palisades Park.” Dançante do começo ao fim. Um belo trabalho harmônico entre a banda quando acontece uma pequena parada no refrão.

    Joey convoca o pessoal a cantar com ele em “Mama’s Boy”. Mais uma introdução perfeita da banda, com destaque para a bateria de Marky. Digamos que nessa faixa você possa ir beber um pouco de água, mas só um pouco para não perder tempo e nem ficar mal na hora de voltar a se sacolejar. Destaque para o refrão “Mama, Mama, Mama, Mama, Mama’s boy!”, que fica gravado na cabeça por um bom tempo.

    Depois de descansar, se prepare pra voltar a se agitar. Johnny puxa a introdução de “Animal Boy”, música que é uma boa desculpa para abrir aquela rodinha com o pessoal. A letra é um pouco agressiva, mas ele afirma não ser um bruto: “I don’t have a monkey’s brain/ I’m not an animal...”. Nós acreditamos em você, Joey.

    C Jay decide soltar a voz em “Wart Hog”. Agressividade até na letra, é outra pedida para pogar. “Sick, sick, sick/ It’s the price I pay/ It’s a sick world/ What can I say?” nos passa a mensagem de que o autor estava passando um momento difícil, provavelmente por conseqüência de uso de drogas e muita farra [“Drugs and bitches and junkies and fags...”], afinal eles são punks.

    Animação é o que podemos esperar nessa próxima música. “Well everybody’s heard about the bird...” é a chamada de Joey Ramone para “Surfin’ Bird”, um dos melhores covers que eles fizeram e que, realmente, não nos deixa ficar parados. “Don’t you know about the bird/ Well, everybody knows that the bird is the word...” é um refrão que não cansamos de repetir, além dos sons que Joey faz após a parada que a banda faz.

    Johnny, juntamente com Marky, fazem a introdução de “Cretin Hop”. O baterista mantém seus contra-tempos furiosos enquanto as cordas de C Jay e de Johnny se mantém agressivas, acompanhadas pela voz de Joey. A letra expressa a vontade de dançar uma dança cretina, completando com os seguintes versos: “One, two, three, four/ Cretins wanna hop some more/ Four, five, six, seven/ All good cretins go to heaven”. Dancemos a dança dos cretinos, então.

    I Don’t Wanna Walk Around With You” é rápida e repetitiva. O nome da música é repetida até o seu fim, mas não tem importância: o negócio é relaxar e gozar. Depois de tantas afirmações, uma pergunta para intercalar [“So why you wanna walk around with me?”]. O negócio é fazer aquela rodinha esperta ao som dos caras.

    Today Your Love, Tomorrow The World” começa, também, com a explosão da harmonia entre os instrumentos da banda. Digamos que haja um jogo de informações nessa letra, que diz: “I’m a nazi schatze/ You know I fight for fatherland...”, com o título da música, muito ambicioso, por sinal. Afinal de contas, o mundo também era objeto de desejo no Terceiro Reich, não é?

    Outra música com outro famoso grito de guerra da banda. “Gabba, Gabba, we accept you/ We accept you/ One of us!”. Começa “Pinhead”, onde podemos encontrar uma introdução bem legal na bateria, e acordes bem trabalhados. É legal acompanhar Joey em “D-U-M-B/ Everyone’s accusing me!” e melhor ainda no grito final: “GABBA, GABBA, HEY! GABBA, GABBA, HEY!”

    Somebody Put Something In My Drink” é disparada logo em seguida. Uma viagem causada por algo estranho em uma bebida [“Blurred vision and dirty thoughts/ Feel out of place/ Very distraught/ Feel something coming on...”] O refrão é fácil de assimilar e não se surpreenda ao pegar-se cantando “Somebody/ Put something/ Somebody put something in my drink...”.

    Beat On The Brat” cheira a apologia à violência já no começo: “Beat on the brat/ Beat on the brat/ Beat on the brat with a baseball bat/ Oh yeah, Oh yeah/Oh oh...”. Talvez o autor tenho tido suas razões para fazer tal afirmação, pois diz: “What can you do?/ What can you do?/ With a brat like that always on your back/ What can you do?”. Talvez ele tenha tido o infortúnio de ter sido chateado por um pivete qualquer e nos mostra nessa faixa super legal.

    Essa, com certeza, merece uma rodinha. “Judy Is A Punk” é bem divertida, como não poderia deixar de ser. Mas por que ‘Judy is a punk’ se ele mesmo diz que, quem na verdade é uma punk é a Jackie e Judy é uma anã? Vá entender...Enfim, a música é bem agitada, do início ao fim. Mais um porradão disparado pelo quarteto de Nova Iorque. O autor fica indignado quando diz: “They both went down to Berlin/ Joined the Ice Capades/ And I don’t...”. Quem é mais punk: Judy (Jackie, no caso) ou Sheena?

    Chinese Rock” conta que o cara está vivendo em uma casa caindo aos pedaços [“The plaster’s fallin’ off the wall/...I should’ve been rich...”] É uma boa música, longe de ser descartável, mas passa despercebida no álbum.

    A animação é retomada em “Love Kills”, na voz de C Jay Ramone. A letra é de impacto, contando a história de um casal viciado em drogas. A música ainda alerta sobre o uso de drogas [“Drugs don’t ever pay/ You really did it your way...”]. Muito boa, por sinal. Não é uma das faixas principais, mas vale a pena ouvi-la, mesmo porque passa uma mensagem legal.

    Johnny apresenta o riff da última música do álbum: “Ignorance Is Bliss”. Uma faixa digna para acabar um Cd do caralho. Letra foda e ritmo foda, terminando a sessão de rodinhas durante essas 33 faixas. “What’s happening to our society?/ Desintegration of humanity/ Destruction of the environment...” é o que sempre nos questionamos. Um final “ramônico” para os amantes de rock e, principalmente, de qualquer forma de vida.

    E assim terminamos. Sabemos que os Ramones vêm morrendo, um a um: Joey morreu em 2001, vítima de um câncer linfático que o acompanhava por anos. Em 2002 morre de overdose Dee Dee e, recentemente, em 2004, Johnny nos deixa, devido a um câncer na próstata. Mesmo assim, a cada ano que se passa, mais e mais pessoas começam a amá-los, pois é impossível deixar de gostar dos Ramones.

    Deixo aqui meus agradecimentos aos Ramones por terem existido e contribuído para o rock mundial. Ninguém se vai se ainda houver alguém que esteja aqui para lembrá-lo. Nunca teremos vergonha de entoar, em alto e bom som: HEY, HO! LET’S GO!

    Marcadores:

    posted by Vitor at 11:15 PM | 10 comments

    _______________________________