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    domingo, novembro 27, 2005
    The Used-In Love And Death


    Faz tempo que eu não apareço por aqui, agora que apareci, provavelmente vou ser recebido com pedras, pois a resenha que eu vou fazer é do novo cd de uma banda que quase todos odeiam. O The Used é uma banda típica de emocore com uns toques de screamo em algumas músicas, a banda é da cidade de Utah nos EUA.
    Como a moda do emocore anda se espalhando pelo Brasil, provavelmente o The Used vai aparecer na MTV como fez o My Chemical Romance, mas acho que isso não é coisa pra se preocupar, afinal, isso só ajuda.
    A banda é composta por Jeph Howard no baixo, Quinn Allman na guitarra, Branden Steineckert na bateria e Robert McCracken no vocal.

    A primeira faixa do álbum é Take It Away que começa com uma introdução bem curta pra depois já aparecerem as guitarras e a bateria fodendo tudo com uns gritos do Bert, que depois volta ao vocal limpo. O que mais chama atenção na faixa é com certeza o refrão que gruda mesmo, é viciante, varia no vocal limpo e depois passa pra uma voz um tanto gritada. A música é um dos hits do álbum, com single e tudo mais, é uma das melhores do cd também!

    I Caught Fire é uma das músicas mais meladas do The Used, não que isso deixe a faixa chata ou ruim, longe disso. É viciante como a maioria do cd, principalmente no refrão, onde o vocal é totalmente limpo. A letra é uma das que eu mais gosto, toda romântica e melosa, porém, foda! É uma das melhores também, só tem um ponto negativo, não há gritos.

    A terceira faixa, chamada Let It Bleed começa muito legal, com uma melodia contagiante e tudo mais. O refrão da música chega a cansar às vezes, fazendo você pular a música. Aqui há uma parte que é só gritada, melhora bastante a faixa. Não é a melhor faixa do cd, está longe de ser, mas pra quem é fã da banda, ou apenas gosta mesmo, a música é divertida sim.

    E então temos um dos hits do álbum que já tem até clipe, All That I’ve Got é a mais viciante do cd todo, a mais legal mesmo, alem do refrão marcante, a voz do Bert é o que mais encanta, parece uma mistura de felicidade com serenidade, sem apelar pra gritos muito forçados e quase sem peso nenhum. É realmente muito fodida essa faixa, vai te fazer ficar voltando o cd direto!

    Outra faixa com um começo todo alegre, é a Cut Up Angels, tem uma letra bem interessante, mas a melhor parte da música toda é a melodia toda contagiante e felizinha que te deixa pra cima. O refrão nessa música parece não ser algo muito padronizado, pois vai variando em algumas partes, mudando um pouco a letra, outra coisa interessante é que parece ter um piano baixinho ao fundo, é uma das melhores faixas do cd.

    Listening não chama tanta atenção, mas é boa também, tem um clima mais pesado que as demais que eram todas leves. O refrão e algumas horas em que o Bert rasga a voz são as melhores partes da música. Tem um jeito meio “doentio” com alguns ruídos ao fundo e tudo mais, bem legal a faixa.

    Pelo comecinho você vê que já vem uma música calma, pra relaxar mesmo, Yesterday Feelings é uma ótima música, uma coisa meio acústica, que deixa de ser emocore e tal. O vocal aqui não altera nenhuma vez, fica sempre limpo, mas isso só melhora a música, o refrão dela que poderia ser um pouco melhor, porque enjoa um pouco e tal, mas nada que chegue a ser um ponto muito negativo.

    Light With A Sharpened Edge lembra demais tema de filmes românticos pra “teens”, tanto pelo refrão, melodia, ritmo e tudo mais, mas mesmo assim é muito boa e dá vontade de ouvir. O que mais chama atenção é a melodia e o refrão, sei lá, parece que se encaixam muito perfeitamente, aí dá nisso, uma música boa, calminha e tal.

    Ahhhhhhh, essa música,"Sound Effects And Overdramatics". não dá nem pra descrever, é simplesmente FODA, o começo com as guitarras pesadas, lembrando Metal(sim, Metal!), e depois voltando a calmaria com o clima pesado e vocais limpos para depois passar para berros totalmente fodas! O refrão gritado “KILL! SMILE! Cut it out for me this time!”. Desculpem a empolgação, mas essa é uma das músicas que eu mais gosto da banda.

    Depois dessa “brutalidade”(bom, pra banda de emocore, isso foi brutalidade) vem a música mais calma, mais melada e etc. Hard To Say começa com violãozinho e tudo mais. É um tanto triste e tal, trata de saudade, de sentir falta e tudo mais, mas é boa pra quando você está “mal” ou então precisando “daquela” pessoa.

    Lunacy Fringe é muito divertidinha, tem uma das melodias mais legais que eu já ouvi, a letra também é bem fácil de decorar(haha). O refrão contagia mesmo aqui, alem de ser uma das partes mais “bonitinhas” da música, é viciante. Chega até a lembrar aquela música do Good Charlotte que tá bombando na MTV(Chronicles Of Life And Death)

    I’m A Fake é a ultima faixa do álbum. Começa com Bert falando várias coisas e fica nisso por quase um minuto, onde ele fala alguns palavrões, e então vem a guitarra e a bateria e aí a música começa. De inicio ele varia de alguns gritos fracos para o vocal limpo. O fraco da música pra mim é o refrão, a não ser os gritos ao fundo “i’m a fake, i’m a fake!”. Mas mesmo assim a música não chega a ser ruim.

    Se você gosta de emocore, você gostará do álbum, te garanto. O The Used não é o que podemos chamar de “banda original”, afinal, surgiu com várias outras da mesma vertente, com o som semelhante, mas ainda assim é uma ótima banda, com bons instrumentistas e um vocal foda. No In Love And Death há uma faixa bonus de Under Pressure ao vivo do Queen gravada pelo My Chemical Romance e pelo The Used. O álbum é fantástico, vale a pena comprar e conferir por si mesmo.

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    posted by Sam at 7:39 PM | 8 comments


    Slipknot-Slipknot

    Uma das bandas mais polêmicas e comentadas dos últimos tempos fazia nesse disco sua apresentação em maior projeção para o mundo como "os mascarados de Des Moines". Claro que estamos falando do Slipknot, um dos grupos menos convencionais desde Marilyn Manson e Faith No More.

    Com a formação de Corey Taylor nos vocais, Joey Jordison na bateria, James Root e Mick Thomson nas guitarras, Shawn Crahan e Chris Fehn na percussão, Paul Gray no baixo, Sid Wilson como DJ e Craig Jones no sampler, o Slipknot pode ser tudo, menos uma banda dentro dos padrões. A grande quantidade de integrantes,o fato de todos usarem máscaras em clipes,shows e entrevistas,trajarem uniformes iguais e preferindo se chamar por números (de 0 a 8), a forma de como nomeiam seus fãs ("Maggots", um tipo de verme parasita) e outras coisas mais são alguns dos itens que fazem a banda ser o fenômeno que é.

    A musicalidade e a lírica da banda sempre chocou os mais conservadores, misturando variados estilos como Death e Thrash Metal, Hip Hop e Hardcore para dar mais sabor às letras extremamente autobiográficas da banda, que rodam em torno de temas muito depressivos, mais especificamente, misantropia. Um ódio e desprezo extremados pela humanidade em geral podem ser notados aqui. Um adendo: Mesmo James Root já fazendo parte da formação desse disco, foi o ex-guitarrista Josh Brainard que cuidou das guitarras junto à Mick nesse álbum, com exceção da bônus "Purity", essa tocada por Root mesmo.

    Tudo começa com "742617000027", uma introdução com ruídos pertubadores e uma voz estranha, quase esquizofrênica, começar a repetir sem parar "Tudo o que eu penso é insano", de forma perturbadora. Essa auto-degradação dura 36 segundos.

    Após a exótica introdução realmente começa o álbum, com a pesadíssima "(sic)" (um trocadilho com "Sick", ou seja, "doente"), que é extremamente rápida e destruidora, com uma base realmente cativante e a percussão e a bateria na velocidade da luz. Corey clama por vingança: "Foda-se essa merda/Eu estou de saco cheio/Você vai cair, isso é uma guerra", em uma letra explosiva e raivosa. Corey parece gemer de dor em seu final. "Eu apenas comecei/Já era tempo/Tenho que garantir o que é meu/Você não pode me matar porque eu já estou dentro de você".

    A segunda porrada é "Eyeless", que começa com um riff repetitivo, para então serem introduzidas bases rapidíssimas e uma bateria mais insana. Corey lamenta na letra, "Insano, eu sou o único filho da puta com cérebro?/Estou ouvindo vozes mas elas só reclamam/Quantas vezes você já quis matar/Tudo e todos, diz que vai fazê-lo mas nunca vai", diz ele à beira de explodir. A crítica negativa metafórica à alienação da massa em geral já se vê nesse álbum: "Você não pode ver a Califórnia sem os olhos de Marlon Brando". Se entregando à raiva, Corey berra "Olhe no meu novo olho/Olhe no meu novo olho/Olhe no meu novo olho, filho da puta". Uma ótima mistura entre metal extremo e tendências alternativas de música pesada, alternando vocais guturais e limpos com precisão.

    Então temos o maior hit do disco, "Wait And Bleed", a primeira música que muitos fãs do Slipknot escutaram (inclusive este que vos fala). Corey começa cantando com voz limpa, até a banda entrar em um peso ensurdecedor e fascinante. Como parecem sugerir com as máscaras, eles realmente são "monstros". Com os intrumentos. "Eu senti o ódio tomar conta de mim/Ajoelho e limpo a pedra das folhas/Eu passei por onde você não pode ver/Dentro da minha concha, eu espero e sangro", diz o refrão cantado com voz limpa. A letra parece uma tentativa frustrada e desesperada de tentar se livrar do ódio, mesmo não conseguindo ou não querendo isso de verdade. É realmente um dos clássicos da banda de Iowa.

    "Surfacing" é outro hino do álbum, uma literal desgraça sonora. As guitarras começam soando alto e parando, até a música começar definitivamente. Um hino da misantropia. Corey se esgoela nessa música, talvez sejam estas suas vocalizações guturais mais furiosas. "Foda-se tudo,Foda-se esse mundo/Foda-se tudo que você defenda/Não pertença, não exista/Não dê a mínima/Nunca me julgue". Dá para sentir todo o ódio dessa música estourando no cérebro.

    Outro hino da banda (é, realmente fica difícil acreditar em três hits na sequência) surge em "Spit It Out", que começa com um riff instigante e com os vocais mais hip-hop de todo o álbum, mas que não estraga a canção, apenas a complementa-e como! A canção é exótica e insana como todas as outras, e a musicalidade do refrão é incrível. A letra novamente fala sobre vingança contra alguém que te causou muito mal. "Desembucha! Tudo o que você quer é me derrubar/Tudo que eu quero é acabar com você!", canta Corey no refrão, divindo as variações de seu vocal com competência.

    "Tattered And Torn" é a mais exótica de todo o álbum. Tem um clima tribal que contracena com melodias esquizofrênicas e insanas, e com alguns momentos de maior peso. A letra fala sobre se livrar de algo que o faz mal. A voz gutural de Corey repete várias vezes "Esfarrapado e rasgado, esfarrapado e rasgado"... O verso "Rasgando-me das coisas que me fazem machucar" dá a oportunidade surgir o momento mais pesado do álbum, onde Corey grita repetidamente a última frase.

    "Me Inside" demora alguns segundos para começar, mas assim que entra, ouve-se Joey metralhando a bateria, e um dos riffs mais pesados do álbum tomarem o lugar do álbum, com Corey gritando "Por dentro, por dentro, por dentro...". Nos versos, a música fica mais leve, ainda que com barulhos pertubadores e Corey chorando as mágoas de sua vida nos versos. Corey grita compulsivo no refrão "Rasgando-me por dentro". Quase no final da música, Taylor canta com linhas vocais limpas, quase melódicas, até repentinamente a canção acabar.

    "Liberate" começa com um riff meio repetitivo e com Joey espancando os pratos. Corey grita intensamente durante a música "Liberar,minha loucura/Um de mim, todos vocês". A letra avisa para se manter longe, ou então as consequências podem ser sérias, ele não está mais de brincadeira. "O que é vital, nem sempre é humano" (...) "Salvo, você é tão escravo, eu não espero um" (...) "Eu não posso ser parte de um sistema como esse" são alguns dos versos mais críticos. Corey grita de forma desesperadora, podendo amedrontar os mais sensíveis.

    Um começo soturno, quase parando, inicia "Prothestics", que trata de um amor obssessivo, cantado sobre uma melodia às vezes sumida, às vezes doentia. Os vocais de Corey são sussurrados em seu início, para logo irem crescer até chegar na parte onde Corey começa a fazer um vocal gutural. "Maldição, eu sabia que isso era um erro". "O que está diferente, caralho? Não acredito que estou fazendo isso". As bases da parte mais pesada da música me deixam em dúvida sobre rotular essa música como Thrash Metal ou não. Para os padrões do Slipknot, o início dessa música realmente pode ser considerado um dos momentos mais 'cadenciados' da banda, o que não tem nada a ver com seu pesadíssimo e gritado final.

    Outra que promove a auto-degradação é "No Life", com Corey cantando linhas vocais de Hip-Hop sem ser com vocal gutural ou vocal mais melódico. A voz dele chega até a ficar meio diferente durante toda a música. Destaque para as guitarras, fazendo bases muito boas e instigantes. A letra fala de coisas como vingança, paranóia e medo. Corey avisa que não vai aturar isso. "Pois isto não é vida, isto não é vida/(Eu tenho de escapar)/Não é vida,isto não é vida/(Você não pode me culpar).

    "Diluted" já entra com um riff arrombando a porta e é a música que trata mais diretamente sobre humilhação pessoal: "Eu sou frio, eu sou feio/Estou sempre confuso com tudo/Posso encarar milhares de rostos/Mas todo sorriso esconde uma mentira na cara dura". Alternando momentos insanos e momentos pesadíssimos, a música detona a falsidade das pessoas e se arrepende de ações passadas.

    Um ruído penetra insistente no seu ouvido até que a estranha "Only One" entra violentando tudo e indo para vocais hip-hop. A música fica excelente por causa do seu contraste, já que a parte em que Corey canta hip hop e a parte em que canta gutural não são muito similares. A letra é extremamente raivosa, afirmando que seu inimigo é um verme e que o "eu" da canção é superior. "Alguém explique isso/Você não liga porque não existe/Que porra é essa, outra piada?/Calculando...Somente um de nós sai vivo."

    "Scissors" começa lenta com barulhos repetidos até barulhos quase sumidos da guitarra e da parte eletrônica da banda surgirem. É a música mais arrastada e doentia de todo o álbum, com Corey, apesar de cantar limpo em alguns versos, canta guturalmente ou sussurrando na maioria do tempo. A letra é meio chocante, digamos assim, "gore", mas ao mesmo tempo depressiva, com Corey desejando se esvair logo de um corpo errado, sujo e apodrecido.

    Dependendo da versão que você tiver, "Scissors" virá com uma faixa escondida, de nome "Eeyore", curta, até,mas com momentos pesados e gritados, a banda executando seus intrumentos com precisão e velocidade, com Corey avisando a quem sempre o humilhou que agora será seu carrasco.

    O álbum tem numerosas versões, em vários países, com várias faixas bônus diferentes dependendo de onde foi lançado. Pelo menos a versão brasileira tem a bônus "Get This", as demos "Interloper" e "Despise", um remix de "Spit It Out" e outro de "Wait And Bleed" e para fechar se faz presente uma versão ao vivo de "Surfacing", essa com "Eeyore" no final.

    Enfim, para um público mais ampliado, diga-se de passagem que foi uma ótima estréia, apresentando músicas violentas, diretas, bem-resolvidas e, acima de tudo, cativantes e originais, o necessário para se fazer respeitado (ou ao menos reconhecido) no cenário musical de hoje, tão estagnado que cada vez mais precisa de bandas como o Slipknot.

    O Slipknot é uma das mais promisorras bandas que já surgiram, e que realmente está fazendo coisas grandiosas e realmente dignas de serem ouvidas. "Iowa" é um dos discos definitivos para a atual geração de jovens. E este primeiro já começa demonstrando que a banda sempre quis derrubar barreiras consideradas intrasponíveis e dando uma aula de como fazer Metal extremo, diferente, original e interessante. Não só recomendável como obrigatório.

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    posted by billy shears at 12:09 AM | 7 comments

    domingo, novembro 20, 2005
    Obituary-Frozen In Time


    Finalmente a volta de uma das bandas mais marcantes do Death Metal, estamos falando logicamente do Obituary.

    O Executioner, que mais tarde mudaria o nome para Obituary formado hoje por Trevor Peres e Allen West nas guitarras, Donald Tardy na batera, John Tardy nos vocais e Frank Watkins no baixo, nasceu na grande cena de Death Metal que explodiu na Flórida ao final da década de 80 e começo da década de 90, junto com Obituary surgiram bandas como Morbid Angel e Cannibal Corpse, assim disseminando o estilo, e a cena na Flórida foi sem dúvida a cena mais importante para o surgimento e crescimento do Death Metal.

    Com influências de Celtic Frost, Venom, Slayer e Possessed, fazendo um death metal puro e direto, abordando temas como vida, morte, e no começo até gore, a banda ganhou repercussão após o segundo trabalho, o Cause Of Death, considerado por muitos como um dos maiores clássicos do Death Metal, mas o álbum em que marcou o auge do Obituary foi o terceiro trabalho, o The End Complete que vendeu 100.000 copias nos EUA, e 4 milhões pelo mundo, assim transformando o Obituary em uma das maiores bandas do estilo.

    Os anos se passaram e o Obituary continuou lançando bons álbuns, mas a banda interrompeu suas atividades em 1997, e passaram-se 7 anos e parecia que era mesmo o fim de uma das bandas mais tradicionais de Death Metal. Mas quebrou a cara quem achava impossível a volta do Obituary, pois este ano a banda voltou com toda a força e fúria, já participando de um dos maiores festivais de metal do mundo, o Wacken Open Air, juntamente com um novo álbum, intitulado como Frozen In Time (O título é bem apropriado para a volta deles, significa “congelado no tempo” que pode se referir que eles continuam fiéis ao Death Metal), álbum que irei resenhá-lo agora.

    O álbum começa com Redneck Stomp, a faixa é uma introdução instrumental, dando uma idéia do que virá pela frente, Trevor Peres fazendo riffs bem elaborados e uma das melhores distorções na guitarra que o Obituary já utilizou, bateria de certo modo até cadenciada, mas com grande evidência nos bumbos duplos, e o baixo acompanhando bem os bumbos de Donald. Algumas paradinhas em certos trechos da faixa dão um charme a mais para a introdução.

    A segunda faixa já começa com a destruição, On The Flood tem uma pegada notória de Hardcore nos riffs, John abre com um vocal marcante que todos conhecem de longa data, seu vocal parece ecoar na faixa, Trevor Peres com riffs acelerados, e uma batera com grande pegada Thrash Metal e acelerando em alguns momentos, em outros cadenciando um pouco, o solo rápido e bem distorcido das guitarras, enfim um prato cheio para a bateção de cabeça.

    Agora uma das melhores faixas do álbum sem dúvida, Insane é uma das faixas mais animais do Obituary, começa com um riff pra nocautear qualquer um, um petardo, talvez o melhor riff do álbum. E a metralhadora é a batera, Donald te massacra com os indomáveis bumbos duplos, sem falar em John que berra na sua cabeça “Insaneeeeeeeeeee”, fazendo você delirar com a fúria de um dos reis do Death Metal. Uma das faixas mais destruidoras que já ouvi, e como característica marcante do Obituary ela fica arrastada um pouco para depois voltar arregaçando tudo. Faixa para se matar de balançar os miolos!

    Blindsided começa com um riff arrastado, sem influência Hardcore desta vez, o instrumental acompanha a intensidade do vocal de John, a faixa é muito legal, a batera de Donald é criativa e executa ótimas viradas e os berros de John no refrão acompanham os pratos de Donald, os riffs no refrão são cheios de paradinha fazendo também a faixa ficar interessante.

    Back Inside começa com um riff muito bom, e como em Insane, os pedais duplos de Donald acompanham os riffs como uma avalanche, as guitarras fazem riffs massacrantes e rápidos, onde no final parece um ataque supersônico, a batera começa a amacetar sua cabeça e John parece gritar “Back Insideeee” dentro de uma gruta, a faixa é a mais curta do álbum, mas uma das mais legais, e vamos para o bate cabeça!

    Mindset é bem no estilo de Blindsided, death bem arrastado e com um clima meio mórbido, ela segue com grande trabalho instrumental, principalmente as guitarras que variam muito, mas cadenciadas e com um peso todo, as linhas de baixo de Frank acompanhando as batidas da batera, e John cantando com uma força descomunal, passando todo sentimento de fúria, talvez a faixa mais sombria do álbum.

    Outra faixa com influência de Hardcore é Stamp Alone, essa aí é para abrir roda de mosh, tem a guitarra base rapidíssima e a solo fazendo solos curtos no começo da música, riff moedor e batera rápida são as características principais da faixa, e é uma faixa bem diversificada contando com diversos solos curtos e as paradinha onde você só ouve a guitarra roer sua cabeça e o vocal de John berrar com todo ódio. Ótima faixa.

    Caramba, que riff é esse? Que começo de faixa é esse? O Trevor Perez quer me matar com esses riffs destruidores, esse é um dos melhores riffs do álbum e seguindo esse riff, Donald socando a batera com força, depois desse começo, ela segue arrastada com John cantando com tudo e depois volta para a destruição, com direito a pedal duplo de Donald e riff esmagador de Trevor Perez, quebra o pescoço de tanto balançar a cabeça, que faixa excelente!

    Sinceramente é brincadeira o que Donald Tardy faz nos bumbos, ele é muito criativo e rápido, Denied tem como referencial os bumbos duplos descendo a lenha e as palhetadas rápidas da dupla Trevor e Allen, ela também cadencia em alguns pontos e na faixa há talvez o melhor solo rápido do álbum. O legal também fica quando John canta, sua própria voz faz a segunda voz.

    Ultima faixa, Lockjaw é a faixa mais longa, e ela começa baixa e vai aumentando, ela começa com uma batida muito legal, e uma bateria que faz lembrar Troops Of Doom do Sepultura no começo, depois segue com um riff muito bom cadenciado, depois parte para a aniquilação quando o vocal de John entra, vira o caos em forma de música, bateria insana e guitarras fritando a alma, você tem vontade de quebrar tudo, socar tudo, e depois disso a faixa volta a cadenciar com um ótimo riff, até encerrar. Uma faixa de encher os olhos e de fechar com chave de ouro a volta do Obituary!

    Um álbum criativo, um álbum diversificado, sem deixar de ser fiel ao estilo, me desculpem o termo, mas o álbum é fudido, e um dos melhores álbuns de Death Metal de 2005. Foi dificil consegui-lo e fazer a resenha, pois o álbum ainda não foi lançado no Brasil, mas se tratando de uma das melhores bandas de Death Metal, qualquer esforço é válido. Um álbum que eu recomendaria do Obituary seria, para falar a verdade todos são excelentes, mas especialmente o Cause Of Death cujo planejo fazer uma resenha em breve. Um volta em grande estilo do Obituary e quem sabe podemos conferir uma turnê deles pelo Brasil? Seria uma viagem ao inferno!

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    posted by Dark at 6:18 PM | 8 comments

    quinta-feira, novembro 17, 2005
    Black Sabbath - Volume 4


    Poucas bandas na história conseguem a proeza de lançar cinco ou seis álbuns seguidos acima da média; Beatles,Led Zeppelin,Pink Floyd...Um grupo seleto que é contado nos dedos. Black Sabbath é uma dessas bandas que conseguiu realizar tal feito. Mas, para todos os efeitos, o álbum resenhado aqui mudou minha vida totalmente. Nem "Black Sabbath", "Paranoid" ou "Children Of The Grave", entre outras músicas dos três primeiros álbuns tinham me preparado para o que eu ia ouvir em um cd que eu comprei quando ganhei dinheiro de aniversário. Pueril isso, até, mas significativo para mim.

    Vamos começar falando da capa. A capa evoca o que era um show do Black Sabbath-simples e direto, assutador e fascinante. A capa é estupidamente simples, não chega nem perto das complicações filosóficas que as capas dos álbuns do Pink Floyd geravam, nem é uma obra de arte como capas do Led Zeppelin e Deep Purple. Mas, diante de tal condensação de emoções em uma só figura, paira no ar uma pergunta: "precisa de mais?"

    Três discos lançados, e a mídia pouco se importava com os quatro mórbidos de Birmingham. Aliás, enquanto os álbuns da maioria das bandas clássicas lançados nesse período eram exaltados, o Black Sabbath recebia uma avalanche de críticas pela mídia especializada. Diziam que "Black Sabbath é música de ogros" e "Os riffs compostos por Tony Iommi parecem coisa de débil mental". Volume 4 foi um dos maiores "cala a boca" já vistos na história da música.

    Ozzy havia progredido no vocal-não desafinava tanto, cantava mais forte e mais alto e além do mais, já tinha sua voz eterna e única no Heavy Metal e na música em geral. Aquela voz que vai continuar eterna por todo o sempre, aquela que você reconhece de imediato.

    Tony Iommi lavava a fama e a alma. Criou solos elaborados, absurdos e viajantes, e desenvolveu riffs mórbidos, pesados e assustadores, aprimorando ainda mais o que fora feito nos álbuns anteriores, com evidente influência de rock progressivo.

    Geezer Butler. Um monstro no baixo, com seus dedos magoados e calejados enchendo o seu cérebro de sons graves delirantes, que, junto com Iommi e Ward, desenvolviam uma sonoridade que ia além do blues pesado executado pelas bandas da época.

    Bill Ward, o ogro na bateria. Tocando alto e forte feito Jonh Bonham, criativo e preciso feito Ian Paice. Viradas, levadas e passagens únicas e de tirar o fôlego. Não há como não ficar perplexo ouvindo esse monstro espancando a batera.

    Outra coisa: o Black Sabbath resolveu se livrar da imagem de "banda satanista". Eles eram uma banda disposta a falar muitas verdades que precisavam ser ouvidas. Daí a sonoridade mórbida, eis o por que de eles terem sofrido tanta censura. Em "Volume 4" o Black Sabbath ia fundo em temas como depressão, solidão, utopias frustradas e coisas assim. Não que eles nunca tivessem feito isso antes; é só ver as letras de "War Pigs", "Children Of The Grave", "Solitude" e "Into The Void", cheias de críticas ácidas à sociedade, misturadas com um enorme desânimo de viver neste mundo.

    Pois bem. Eu levo um soco no estômago toda vez que ouço a introdução de "Wheels Of Confusion". Um riff psicodélico, viajante e impressionante. "Há muito tempo, eu viajei pela minha mente, através de uma terra de contos de fadas, Perdido na felicidade eu não conhecia medos, Inocência e amor era tudo que eu conhecia, Era uma ilusão?". O riff não é coisa desse mundo, falando sério. Ele te leva a uma séria infinita de climas caóticos, mórbidos e belos. Sem contar as várias reviravoltas na música, onde Bill aproveita para espancar a bateria, uma levada que gruda no cérebro. O momento pré-solo te deixa nas nuvens, com a guitarra parecendo se distanciar, para repentinamente, pesar assustadoramente e Ozzy cantar desesperado. O último verso é extremamente negativista: "O mundo vai continuar girando quando você se for". A música pára. Para então, entrar "The Straightener", uma passagem instrumental onde ocorre a passagem de teclados e o Anthony Frank Iommi detonar um dos melhores solos de todos os tempos. Uma coisa fora de série.

    Entra logo o riff agitado, balançado, quase hard, com uma cozinha deliciosamente grooveada. Essa é "Tomorrows Dream", uma música que você gira a cabeça, pula, grita... E delira ainda mais. A música tem paradas repentinas muito bem sacadas. Ozzy canta no refrão, levando o ouvinte ao delírio: "Quando tristeza enche meus dias/É hora de se mandar/E então os sonhos do amanhã/Tornam-se realidade para mim". Uma série ininterrupta de levadas e passagens de bateria e guitarra repartem espaço na música. De deixar boquiaberto.

    Piano e voz em "Changes". Uma balada dócil, com um Ozzy triste, cantando sobre uma companheira que partiu. A letra surgiu de uma parte improvisada que a banda tocava nas versões ao vivo de "Wicked World", música do primeiro álbum, cujo início de "Sometimes I'm Happy/Sometimes I'm Sad" foi transformado em "I feel unhappy... I feel so sad". Um desiludido Ozzy lamenta sobre o amor perdido e diz estar passando por mudanças. Tristes mudanças. O piano da versão original não foi creditado a ninguém, então não se sabia se quem tocou esse instrumento na música foi Iommi ou o próprio Ozzy, até que revelaram o nome de Don Airey, amigo de longa data da banda (e responsável pelos teclados de "Mr. Crowley", um hit da carreira solo de Ozzy).

    Uma das passagens intrumentais mais geniais e viajantes leva o nome de "FX", um trabalho da banda em cima de ruídos de guitarra e percussão. Sim, você pode até estranhar em um primeiro momento, mas após algumas poucas vezes, esse singelo momento vai te levar ao êxtase. Lembra um coração batendo, ou uma bomba dando seus avisos para explodir.

    "Supernaut" é a bomba explodida em questão. Um começo singelo na bateria abre logo para um riff arrasador, que faria todos os cemitérios do mundo acordarem para bater cabeça. Novamente, momentos guitarreiros e uma bateria criativa e empolagante com bumbos e pratos estourando no seu cérebro acertam em cheio. Outro solo de deixar boquiaberto é executado. Algo fora de série, que mais da metade das bandas do mundo não sonham nem em realizar. A letra fala sobre a utopia de todo homem ("Eu quero alcançar longe/E tocar o céu"), mas momentos revoltados causados pela frustração megalomaníaca ("Não obtive nenhuma religião/Não preciso de amigos/Obtive tudo que eu quero e não preciso fingir"). Ah, sim; No meio da música Bill Ward tem um momento só seu na bateria, que arregaça tudo, com certo suingue latino (sério!) e mostra com quantas baquetas se faz um baterista de verdade.

    Cara-de-pau e irônica, essa é a mais que clássica "Snowblind", com um riff viajante e um andamento arrrastado e delirante, com a letra falando sobre o uso de cocaína, só que usado como uma grande provocação a uma sociedade moralista. Ozzy sussurrando "cocaine" depois de cantar a primeira estrofe é místico, um momento único, inexplicável. E outro solo de matar a pau está presente. A música tem um momento mais pesado, onde as bases pesam, a bateria começa a ser espancada (aparententemente com os pratos sendo golpeados por martelos) e Ozzy berra "Você pensa que eu não sei o que estou fazendo?/Não me fale que está me fazendo mal/Você é o que é realmente um perdedor/Isto é onde sinto que eu pertenço". Detalhe: "Snowblind" ia ser o nome original do álbum. Foi demais pra gravadora: a mídia não ia suportar uma banda que, além da fama de sexistas e satanistas, serem também viciados. Para provocar, encontra-se uma frase bem singela no encarte: "We wish to thank the great COKE-cola company of Los Angeles" ("Nós gostaríamos de agradecer a grande companhia de COCA-cola de Los Angeles").

    O riff de "Cornucopia" não só mostra que o Black Sabbath é o pai do Heavy Metal, é influência direta no doom/gothic e black metal. Após esse assustador e arregaçante começo, a música ganha velocidade, com um baixo bem audível e uma bateria de pirar. A música parece falar na credulidade das outras pessoas e no fato de eles não serem bem-vistos e não se importarem com isso. O vocal de Ozzy está levemente mais forte e alto nessa faixa, o que fornece um toque mágico e único. "Você vai ficar louco/Eu estou tentando salvar seu cérebro!"

    A instrumental "Laguna Sunrise", feita por Iommi ao observar da janela do castelo (sim, um castelo) de onde o álbum foi gravado o nascer-do-sol, é uma das músicas mais belas já feitas. Cordas tocadas docilmente criam um clima de fazer chorar de emoção. Algo fora do comum. Poucas pessoas tem a mesma sensibilidade para criar algo similar a isso. Um clima poético, belo, místico.

    "St. Vitus Dance" talvez seja a mais alegre de um álbum tão deprimido e mórbido. Pra variar, sim, só pra variar, todos os intrumentos estão incrivelmente coesos, a música é guiada por riffs e bases fenomenais, Geezer te enforca com os sons graves, Bill enche o seu ouvido de baquetadas. A sensação é mesmo de estar moído. A música aparentemente fala sobre uma paixão que provoca sofrimento em uma pessoa, com Ozzy cantando uma letra que praticamente é uma auto-ajuda, mas de concisão realista.

    Uma porrada nos tímpanos, um jab no queixo, o que você quiser. "Under The Sun" é tudo isso e um pouco mais. Um riff infernal, grave, o mais pesado do álbum, que logo entra para uma parte intensa e frenética, com uma letra disparando contra tudo que acusam o Black Sabbath, uma letra genial: "Bem eu não preciso de fanáticos de Jesus pra me dizer sobre tudo isso/Nenhum mago das trevas para tirar minha alma/Não acredite na violência, eu nunca acreditei na sua paz/Eu abri a porta; minha mente se libertou". Outros versos também são um soco na cara: "As pessoas escondem a sua verdadeira imagem/Ficam correndo em corridas de ratos/A missa é realizada uma vez por semana/Em um mundo que faça você acreditar". A música repentinamente entra em um andamento mais rápido ainda, delirante, tente ao menos não bater o pé ouvindo essa música, já que eu balanço até a alma ouvindo essa música. O solo mais rápido, novamente de tirar o fôlego, chega a assustar de tão maravilhoso que é. Antes da música terminar com melodias mórbidas e ao mesmo tempo belas de guitarra, Ozzy dá um conselho de ouro: "Apenas acredite em si mesmo,/você sabe que não deveria ter que fingir/Não deixe que pessoas vazias tentem interferir no seu caminho/Apenas viva sua vida e deixe todos para trás ".

    O que ouvimos em "Volume 4" é simplesmente um dos maiores álbuns de todos os tempos, nível este que poucas bandas e artistas conseguem competir. Para quem acha que todas as músicas de Heavy Metal sempre foram e sempre serão repetitivas, a banda primordial do Heavy Metal mostra inteligência em alta e excelente musicalidade saindo em torrentes pelas caixas de som. Não é nenhum exagero considerá-lo genial. Libertador, inovador, visionário e influente. Uma daquelas bandas sem precedentes na história.

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    posted by billy shears at 10:19 PM | 10 comments

    sexta-feira, novembro 04, 2005
    Alice In Chains-Dirt


    Uma banda como poucas, é o que pode ser dito do Alice In Chains. A banda já é única quando tentam rotulá-la. Por ela estourar na década de 90, e usarem um visual largado e ter sua música envolta em uma angustiante aura depressiva, era chamada de grunge. Os problemas começam reparando na sonoridade da banda, nitidamente influenciada por Black Sabbath e outras bandas de heavy metal e hard rock. Depois, leva-se em consideração que, tirando o fato que eles gravaram um EP com alguns integrantes do Soundgarden e Mudhoney (de nome "Sap"), pouco era a relação do Alice com as bandas grunge. Na maior parte de sua carreira, o Alice In Chains excursionou com bandas do porte de Slayer,Megadeth,Anthrax,Ozzy Osbourne,Kiss,Van Halen e Iggy Pop.

    Os vocais depressivos e as letras mórbidas de Layne Staley, a guitarra distorcida e carregada de Jerry Cantrell, e a mastodôntica cozinha do baixista Mike Starr e do batera Sean Kinney são os pais de "Dirt", que há mais uma década é um dos álbuns mais sombrios sonoramente e pesados tematicamente. Ele consegue sim manter esse posto desde 92, com gente de peso na competição, como "Angel Dust", do Faith No More, "The Downard Spiral" do Nine Inch Nails e "Antichrist Superstar" do Marilyn Manson.

    A destruição do próprio ego já começa no soco na cara "Them Bones", com um riff inicial de matar de susto os fragéis do coração. Logo entram os vocais arrastados de Layne, proferindo versos como "Eu me sinto tão só/Acabarei numa grande pilha dos ossos deles" e "Pesadelo se torna realidade/Eu me deito, morto,sob o céu vermelho". Já não basta todo o peso, a música ainda é complementada por um solo metalizado de Jerry. É de se elogiar também a pegada da bateria de Sean Kinney, dá para sentir os bumbos explodindo dentro do seu cérebro.

    "Dam That River" tem um riff quase hard, assim como suas linhas vocais. "Você é uma serpente que eu pisaria/A única coisa que eu não abraçaria"..."Você mija sobre minha vela/Provando que você é uma farsa" canta um animalesco Layne. Um solo que lembra bastante metal tradicional é disparado dos dedos de Cantrell. As vocalizações no refrão grudam na cabeça: "Oh, você não pode represar aquele rio/E ele me banhou para bem longe". A música acaba repentinamente.

    Entra a arrastada, com um riff mezzzo Iommi, mezzo Jerry Cantrell mesmo, "Rain When I Die". O baixo é bem audível no início da música, com uma letra totalmente desesperançosa, autodestrutiva e arrependida. "Eu sou um enigma tão forte/Você não pode me quebrar"..."Ela chamou meu nome?/Acho que choverá/Quando eu morrer". A música é forte e arrastada, feito um verdadeiro mastodonte. Ainda assim, Jerry consegue encaixar belas melodias no meio da música.

    Tente não entortar pescoço e mente ouvindo "Sickman". Neurose, depressão e um peso insuportável em alguns momentos, uma melancolia terrível em outros, permeiam a música, com um riff rápido e que ecoa em todos os ouvidos por onde entra. Uma canção sem nenhuma esperança, que vai de uma parte rápida e destrutiva a uma parte melancólica e triste mais de uma vez. "Que diabos eu sou?/Leproso por dentro/Por dentro da parede da paz/Sujo e doente"..."Homem doente, homem doente".

    "Rooster" foi feita por Cantrell em homenagem ao seu pai, que lutou no Vietnã. É o maior hit do disco. O próprio clipe é uma crítica nada sutil às guerras em geral. A letra relata os horrores que um soldado enfrenta na guerra, como perder amigos próximos, se drogar e perder a esperança em Deus. Em seus versos a música é arrastada, melancólica e leve; Que reveza com um refrão infernal e monolítico, extremamente sinistro.

    Falando sobre o vício em drogas, temos "Junkhead", essa novamente com um riff da escola Tony Iommi. A música é bem arrastada, com Layne assumindo ser um drogado na letra, mas ao mesmo tempo deixando no ar uma mensagem sub-entendida: "eu sou viciado em drogas, mas você é viciado em alguma coisa igualmente ruim". A letra parece assumir, também, que eles se drogam para escapar da norma hipócrita da sociedade, e seu sistema elitista. O solo é uma coisa de mestre. Viajante e primoroso, apesar de curto. Sim, realmente elogio muito Cantrell; considero ele um dos melhores guitarristas que já pisaram no nosso mundo.

    "Dirt", a faixa título, é um tanto exótica, com um arranjo e linhas vocais meio em que um clima místico, quase oriental. A letra é extremamente suicida: "eu quero que você me mate/e me enterre,pois não quero mais viver"..."quem não se preocupa/é quem não deveria/Eu tentei me esconder/Daquilo que não é bom pra mim". Não é a melhor faixa do álbum, mas seguramente cumpre com honra o título que recebe de faixa título. É destacável as melodias de Cantrell, bem sacadas nessa canção.

    Com linhas vocais bem exóticas, como se Layne estivesse tremendo enquanto cantasse, somado com um riff metade hard, metade heavy de Jerry, junto com a pegada sempre elogiável da cozinha, essa é "GodSmack". "O que você tem feito em nome de Deus?/Pregue seu braço para uma diversão de verdade"..."Por isso sua doença pesa uma tonelada/E o nome de Deus é um beijo para alguns", dizem alguns dos versos mais fortes da música. Novamente, Cantrell presenteia com um curto e destruidor solo. Mais pra frente, a música vai ganhando peso e velocidade, até acabar repentinamente.

    Continuando a escorregar no tobogã de autodestruição, temos "Hate To Feel", que começa com um riff calmo e vocais perdidos, mas que repentinamente se concentram em uma canção pesada com consistentes linhas vocais. Layne descreve que vê um monte de verdades, mas que odeia vê-las e senti-las. "O espelho na parede mostrará a você/O que você tem medo de ver". Mais pro final, Layne também se assume como parte integrante da merda ambulante que está a vida da sociedade em geral ("Oh céus, hora de encarar/Exatamente o que sou").

    "Angry Chair" é iniciada pela bateria de Sean Kinney espancando lentamente os seus tímpanos, para entrar uma melodia de guitarra bela e triste, junto a um baixo que parece te enforcar. Quando você já tem essa sensação, os versos em que a música pesa tem uma bateria socada. Tudo o que era belo, acabou ("A nuvem rosa se transformou em cinza"..."Solidão não é uma fase/O campo da dor é onde eu pasto"). Um solo animal de Jerry vêm a tona, tomando conta de tudo, para repentinamente dar espaço para Layne voltar a cantar (ou seria lamentar?). A música é magnífica. Ouvindo-a, você percebe uma coisa: perto do Alice In Chains, essas bandas pseudo-góticas de hoje em dia parecem música infantil.

    Uma das baladas mais tristes já compostas, "Down In A Hole", que não explode em nenhum momento, é apenas a lamentação de se afundar cada vez mais em um poço sem fundo. "Dentro de um buraco/E eu não sei se posso ser salvo/Veja meu coração/Eu o decorei como um túmulo/(...)/Olhe pra mim agora,/um homem que não se deixará viver". A música até pesa em um certo momento, mas nunca entra em nenhuma parte rápida. É apenas lamentação, angústia, culpa e falta de esperança. Certas vezes, a música é tão climaticamente sombria e depressiva que se torna impossível de ouví-la. Acho que não é pecado de chamar o Alice In Chains de "uma das essências da música depressiva".

    O álbum é encerrado com a segunda música mais conhecida do álbum, a sombria "Would?". É iniciada por um baixo forte e marcante, e um gemido sofrido de Layne, então entram as atmosféricas guitarras. A letra é curta, mas marcante, afirmando que tudo está perdido, sobre um sentimento de estar desnorteado, longe de tudo e todos. Sem caminho de volta. "Na enchente novamente/Aquela velha viagem de volta/Então eu cometi um grande erro/Tentar vê-lo uma vez do meu jeito", canta um emocionado Layne no refrão. A interpretação de Staley no refrão é quase comovente de tão triste, mesmo a música não sendo arrastada. Layne encerra o álbum gritando, raivoso e desesperado, pondo um ponto final em tudo.

    Um cd excelente, direto e marcante de uma banda diferente, original e caótica. Para embarcar em verdadeiras "bad trips", o álbum não oferece nenhum consolo. Apenas reflete sobre todos os aspectos da vida de forma niilista e derrotista. Mas todo esse carisma mórbido marcou a ferro e fogo o nome desse álbum na década de 90 e na história do Rock. O melhor cd do Alice In Chains, mas não deixe de conferir toda a sua excelente discografia. É ouvir e se deleitar com uma das melhores bandas que já existiram.

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    posted by billy shears at 11:42 PM | 9 comments

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